1808

A vinda da Coroa Portuguesa ao Brasil

“1808” é um livro do jornalista Laurentino Gomes, publicado em 2008, que conta a história da vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil.

A obra foi tão prestigiada que, em 2008, “1808” recebeu o prêmio de Melhor Livro de Ensaio da Academia Brasileira de Letras, além de receber o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria de livro-reportagem e livro do ano de não-ficção.

“1808” é um exemplo de que a história tem muitas versões, tanto que na construção da narrativa detalhista, o autor fez uma pesquisa exaustiva das mais diversas fontes durante 10 anos.

Além disso, “1808” apresenta uma leitura mais leve e agradável, diferente de outros livros acadêmicos. Assim, o livro já se mostra diferente, por meio de uma declaração presente na capa

Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.

Capa do livro 1808
Capa do livro “1808” de José Laurentino Gomes. (Foto: Wikipedia)

“1808”: os personagens

  • D. Maria de Portugal: rainha de Portugal desde 1777, chegou ao Brasil em “1808” contra a própria vontade. Foi apelidada de Rainha louca devido as memoráveis crises de alucinação que tinha em público. Devido a problemas de saúde, a regência do Reino foi substituída por seu herdeiro, Dom João.
  • D. João VI: casado com Carlota Joaquina em um casamento arranjado por questões políticas, assumiu a regência do Reino no lugar de sua mãe. Como rei, seu grande desafio foi transferir a Coroa para os Trópicos e fazer com que o domínio da nobreza fosse assegurada e estável. Além disso, vivia um casamento conturbado com Carlota Joaquina.
  • Carlota Joaquina: mulher de D. Joao, era uma mulher considerada feia, com gênio muito forte e queria sempre impor as suas vontades.
  • Napoleão Bonaparte: chamado de “Vendaval que varreu a Europa”, Napoleão, por meio do Bloqueio comercial à Inglaterra, foi o motivo da fuga da Corte Portuguesa para o Brasil.
Retrato de Dom João e Carlota Joaquina
Retrato de D. João e Dona Carlota, por Manuel Dias de Oliveira. (Foto: Wikipedia)

Divisão da obra “1808”

O livro é dividido em 29 partes, escrita em ordem cronológica. 

  • A fuga
  • Os reis enlouquecidos
  • O plano
  • O império decadente
  • A partida
  • O arquivista real
  • A viagem
  • Salvador
  • A colônia
  • O repórter Perereca
  • Uma carta
  • Rio de Janeiro
  • D. João
  • Carlota Joaquina
  • O ataque ao cofre
  • A nova corte
  • A senhora dos mares
  • A transformação
  • O chefe da polícia
  • A escravidão
  • Os viajantes
  • O Vietnã de Napoleão
  • A república pernambucana
  • Versailles tropical
  • Portugal abandonado
  • O retorno
  • O novo Brasil
  • A conversão de Marrocos
  • O segredo

“1808”: resumo

A fuga

Devido a ameaça do francês Napoleão Bonaparte, D. João foge de Portugal e se refugia no Brasil.

Napoleão estava em guerra com a Inglaterra, aliada de Portugal, e havia decretado o Bloqueio comercial a Inglaterra que consistia no fechamento dos portos europeus ao comércio de produtos britânicos.

Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão marcharam em direção a Lisboa com o intuito de destruir a Coroa Portuguesa.

E como D. João não tinha exército para se defender, decidiu fugir para o Brasil levando toda a família real com maior parte da nobreza, os tesouros e todo o aparato do Estado, sob a proteção da Marinha Britânica.

A viagem

A viagem não foi exatamente um período de luxo. Em um total de 58 navios, havia cerca de 10 mil e 15 mil pessoas dividida entre os navios, uma parcela pequena considerando que Lisboa tinha cerca de 200 mil habitantes.

Entre os tripulantes estavam pessoas da nobreza, conselheiros reais e militares, juízes, advogados, comerciantes e suas famílias. Também viajavam médicos, bispos, padres, damas-de-companhia, camareiros, pagens, cozinheiros e cavalariços.

Durante a viagem que durou quase dois meses para atravessar o Oceano Atlântico, os navios foram infestados de piolhos, sendo necessário que as mulheres raspassem a cabeça, além de passar banha de porco e pó antisséptico à base de enxofre.

Os navios passaram por intensas tempestades, e se perderam uns dos outros. Os tripulantes com enjoo, vomitavam sobre as amuradas dos navios.

Além disso, devido ao calor das zonas tropicais, ratos, baratas e carunchos infestaram os depósitos de mantimentos. Sem água, pois ficou contaminada por bactérias e fungos. E sem alimentos, as pessoas ficavam doentes.

A chegada

Após 54 dias de viagem em alto mar, Dom João aportou em Salvador no dia 22 de janeiro de “1808”. Os dias que a Coroa passou na Bahia foram de festas, comemorações e decisões que mudariam o Brasil para sempre.

Até então, o Brasil era monopólio dos portugueses, mas antes de partir para o Rio de Janeiro, Dom João acabou com o Pacto Colonial, que consistia em o Brasil fazer comércio apenas com Portugal.

Com o fim do pacto, os portos de Salvador foram abertos para o comércio de todas as nações amigas de Portugal.

Chegada ao Brasil em “1808”

Quando a Coroa Portuguesa chegou ao Brasil, em “1808”, a corte encontrou uma colônia atrasada e ignorante, com um amontoado de regiões que não tinham contato entre si, isoladas, sem comércio qualquer nem nenhuma outra forma de relacionamento.

A maioria da população estava localizada no litoral. Em um total de cerca de 3 milhões de habitantes, a população indígena era estimada em 800.000 pessoas, e a outra parte, de cada três habitantes, um era escravo.

Largo do Carmo
Largo do Carmo no centro do Rio de Janeiro, alguns anos após a chegada de Dom João VI. (Foto: Wikipedia)

A transformação

Antes da chegada da Família real, o Brasil sofria de muitas carências, como falta de estradas, escolas, moedas, hospitais, bancos, empresas e o mais importante um governo organizado para assumir o país.

Após a chegada da Coroa, em “1808”, o país começou a passar por grandes mudanças, pois estimulou o povoamento e a exploração das riquezas da colônia.

Apenas 48 horas após a chegada no Rio de Janeiro, Dom João formou seu novo gabinete, que iria criar um novo país.

Então, foi autorizada a construção de fábricas, de estradas, escolas de ensino superior, sendo que havia apenas assistência do ensino básico.

Dom João criou também o Banco do Brasil, a Imprensa Régia e o Jardim Botânico. Além disso, as regiões inexploradas por serem distante, também passaram a ser exploradas e mapeadas.

O país sofreu mudanças no aspecto administrativo e nas artes também. Dom João, contratou famosos artistas franceses para refinar os hábitos do Brasil Colônia.

O ponto alto da transformação foi em 16 de dezembro de 1815, no mesmo dia do aniversário da rainha Maria I, Dom João declarou o Rio de Janeiro como sede oficial da coroa, e elevou o país a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves.

A riqueza e o poder dos senhores eram simbolizados pela quantidade de escravos e serviçais que os acompanhavam.

Portugal abandonado

Durante os treze anos que Dom João VI ficou no Brasil, a população que ficou abandonada em Portugal sofria com a fome. Tanto que entre 1807 e 1814, o país perdeu uma quantidade enorme de habitantes, cerca de meio milhão de habitantes, devido à fome e a guerra.

Além disso, Portugal também empobreceu economicamente, pois após a abertura dos portos, os comerciantes que eram beneficiados pelo monopólio do comércio foram prejudicados. E Portugal não era nada sem o comércio brasileiro.

Cerca de uma década depois, a população portuguesa se revoltou contra o abandono da Coroa Portuguesa e se rebelou contra o domínio inglês e exigiam o retorno de Dom João VI.

Com medo de perder Portugal, Dom João retorna a Lisboa e deixa o Brasil sob o comando do seu filho, o príncipe Dom Pedro.

Dom João partiu em 26 de abril de 1821, com cerca de 4 mil portugueses, as vésperas da Independência, em 1822.

Um novo Brasil

Antes retornar para Lisboa, Dom João fez a limpa nos cofres do Banco do Brasil, deixando o Brasil em dificuldade. Esse saque aos cofres, causou drásticas consequências para a economia brasileira.

Com a vinda da Família Real, os conflitos regionais foram amenizados evitando assim a separação das províncias, o que seria inevitável caso continuassem os conflitos.  Desta forma, o Brasil não seria um país continental como hoje, mas sim dividido em diferentes nações.

Portanto, o Brasil se manteve um país de dimensões graça a Dom João VI, por isso que atualmente é um país de grandes influências da língua e da cultura portuguesa.

Após a sua partida, Dom João perdeu para sempre o país, resultado da Independência do Brasil.

“1808”: análise do livro

Saindo do método acadêmico dos livros de história do Brasil, Laurentino Gomes, em “1808”, faz o leitor emergir na narrativa e pensar sobre o que o brasileiro é hoje como nação.

Além disso, ele faz uma relação entre a realidade da época com a atualidade, tornando assim a leitura instigante.  

Muitos hábitos característicos do Brasil e do povo brasileiro são revelados em “1808”. Desde as curiosidades e contexto internacional à recuperação de pessoas importantes que foram retiradas da história contada nos livros.

“1808” não é um livro de ficção, mas sim o resultado da pesquisa intensa que Gomes fez por 10 anos. É um relato da vinda da Família Real para o Brasil, sendo assim uma obra com linguagem no estilo jornalístico.

Sobre o autor

José Laurentino Gomes é escritor e jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná, e pós-graduado em Administração pela Universidade de São Paulo.

Nascido em 17 de fevereiro de 1953, em Maringá-Parana, Gomes foi eleito pela Revista Época como uma das 100 pessoas mais influentes do ano de 2008, por ter vendido mais de meio milhão de exemplares do livro.

O jornalista trabalhou como repórter e editor em veículos de comunicação, como O Estado de S. Paulo e a revista Veja.

“1808” está sob domínio público. Faça o download e boa leitura!

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Lima, Cleane. 1808; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/1808 >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:38.

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