A Fantástica Fábrica de Chocolate

Uma doce história na fábrica do Sr. Willy Wonka

A Fantástica Fábrica de Chocolate” é uma obra de Roald Dahl que gira em torno da fábrica de chocolate do excêntrico Sr. Willy Wonka, o maior inventor e fabricante de chocolates que jamais existiu, e da trajetória de como Charlie Bucket encontra um dos “bilhete dourado” para visitá-la com outras quatro crianças.

Resumo do livro “A Fantástica Fábrica de Chocolate”

A narrativa tem início no ano de 1970 com a história de Charlie Bucket, um garoto pobre que vivia em uma pequena cidade e morava em uma casa velha junto com seus pais, avôs e avós maternos e paternos.

Naquele momento, a família Bucket passava por uma grande dificuldade financeira. Seus avós eram idosos de saúde frágil, a mãe era dona de casa e o pai era o único provedor de renda, trabalhava em uma fábrica de pasta de dentes.

O único da família que tinha emprego era o Sr. Bucket. Ele trabalhava numa fábrica de pasta de dentes. Ficava o dia inteiro sentado num banquinho, colocando as tampinhas nos tubos já cheios de pasta. Mas tampador de tubo de pasta de dentes ganha muito pouco. Coitado do Sr. Bucket, por mais que ele trabalhasse, por mais depressa que ele tampasse os tubinhos, não conseguia ganhar dinheiro para comprar nem a metade do que a família precisava. Não dava nem para comprar comida suficiente para todos. Todos os dias eles só comiam pão com margarina no café da manhã, batata cozida com repolho no almoço e sopa de repolho no jantar. Aos domingos era um pouquinho melhor. Todos esperavam ansiosos pelo domingo, porque, embora comessem exatamente as mesmas coisas, tinham direito a repetir.

Charlie amava chocolate, mas, devido as condições financeiras da família, apenas ganhava uma barra uma vez no ano, exatamente no dia do seu aniversário. Assim, esperava ansioso por esta data. Enquanto isso, se deliciava com as histórias de seu avô sobre a fábrica de chocolate de Willy Wonka.

Em certa ocasião seu avô lhe contou sobre o dia em que ele e todos os funcionários da fábrica foram demitidos por causa dos espiões que se disfarçavam de trabalhadores para roubar os segredos das grandes invenções de Wonka.

Desde então a fábrica foi fechada e Willy não foi mais visto. Ninguém entrava ou saía de lá, mas o Sr. Wonka continuava produzindo os melhores chocolates do mundo com os portões acorrentados. Esse fato era um mistério para a pequena cidade.

Após 10 anos vivendo misteriosamente dentro da fantástica fábrica de chocolate, Willy Wonka resolveu fazer cinco chocolates premiados e os espalhou pelo mundo inteiro.  As crianças que os encontrassem teriam direito a um tour pela fábrica.

O cupom dourado

Livro A Fantástica Fábrica de Chocolate”
Livro “A Fantástica Fábrica de Chocolate” de Roald Dahl. (Foto: Saraiva)

O primeiro cupom dourado foi encontrado por Augusto Glupe, de acordo ao autor, um garoto gordo como um balão inflado, tinha o corpo cheio de dobras de banha e seu rosto era uma bola de massa com dois olhinhos espremidos, que olhavam para tudo, cheios de gula;

O segundo cupom tinha sido encontrado pela menininha chamada Veroca Sal, uma garota mimada que tinha pais riquíssimos e morava em uma cidade grande, muito longe da fábrica.

Então chegou o grande dia do ano, o aniversário de Charlie. Como já era tradição, ganhou seu chocolate e ficou extremamente empolgado com a oportunidade de encontrar o cupom premiado. No entanto, não teve tanta sorte com seu presente.

O terceiro cupom foi encontrado pela senhorita Violeta Chataclete, uma garota que falava muito alto e depressa, que adorava mascar chiclete. O quarto cupom foi encontrado por um menino chamado Miguel Tevel: um viciado em televisão.

Naquele momento só restava mais um doce premiado, no mundo inteiro, que daria a oportunidade de mais uma criança conhecer a fantástica fábrica de chocolate do Sr. Willy Wonka. Comovido com toda a situação, vovô José deu a Charlie uma velha moedinha de prata que escondia em seu travesseiro.

Cinco minutos depois, Charlie estava de volta com uma barra de chocolate Wonka em mãos. Os dois abriam a embalagem pouco a pouco com a maior expectativa, contudo, era apenas mais uma barra de chocolate comum. 

A moeda

O tempo passou, o inverno chegou, o entusiasmo com os cupons dourados havia desaparecido e a família Bucket estava realmente preocupada em manter-se aquecidos e arranjar comida. A fábrica de pasta de dentes onde o Sr. Bucket trabalhava faliu e teve que fechar, consequentemente, as refeições começaram a diminuir mais ainda.

Certo dia, Charlie encontrou uma moeda no meio da neve. Assim, não pensou duas vezes e correu até a lojinha mais próxima para comprar uma deliciosa barra de chocolate. Comeu a primeira quase sem mastigar, não satisfeito comprou outra.

De repente, na embalagem do Delícia Crocante Wonka surgiu um papelzinho brilhante e dourado. Resultado, Charlie Bucket, o garoto pobre, era o quinto premiado com o cupom dourado e conheceria a fábrica de chocolates.

A fábrica

O grande dia chegou e as cinco famosas crianças, com os adultos que tinham vindo acompanhá-las, esperavam do lado de fora da fantástica fábrica. Cada criança tinha vindo com o pai e a mãe, exceto Charlie, que fora acompanhado por vovô José.

Assim, os dez visitantes do Sr. Wonka passearam por toda a fábrica e descobriram os encantos escondidos atrás dos portões, como o rio de chocolate, os Oompa-lumpas, a gigantesca máquina de chiclete e tantas outras invenções do grande criador de doces.

Conduzidos pelo mau comportamento, cada uma das crianças foram se perdendo durante o tour, Charlie foi o único que restou, tornando-se então o ganhador dos doces e chocolates Wonka para o resto da vida.

Mas não foi só isso.  Ao ver em Charlie o mesmo encanto que sentia por aquele mundo doce particular, Sr. Wonka decide lhe dar a fábrica. Ou seja, quando tivesse idade suficiente, seria o dono da maior e mais fantástica fábrica de chocolate do mundo.

Escute — replicou o Sr. Wonka —, já sou um homem velho. Muito mais velho do que vocês imaginam. Não vou viver para sempre. Não tenho filhos nem família. Quem vai tomar conta da fábrica quando eu não conseguir mais fazê-lo? Alguém tem que mantê-la, nem que seja só pelos Oompa-lumpas. É claro que há milhares de homens inteligentes que dariam tudo para ficar com a fábrica, mas não quero esse tipo de pessoa. Não quero um adulto, que não me escutaria, não aprenderia nada e iria fazer as coisas do jeito dele e não do meu. Prefiro uma criança. Uma criança boa, sensata, carinhosa, a quem eu possa contar todos os meus segredos mais doces e preciosos, enquanto ainda estiver vivo.

Por fim, Charlie Bucket, o Sr. e Sra. Bucket, vovó Jorgina, vovó Josefina, vovô Jorge e vovô José foram morar na fantástica fábrica de chocolate junto com o Sr. Willy Wonka.

O Sr. Wonka, Vovô José e Charlie, sem dar atenção à gritaria, enfiaram a cama no elevador. Puxaram o Sr. e a Sra. Bucket para dentro e entraram também. O Sr. Wonka apertou um botão. As portas se fecharam. Vovó Jorgina deu um berro. O elevador foi subindo, passou pelo buraco do teto e entrou no céu azul. Charlie subiu na cama e tentou acalmar os três velhos, petrificados de medo. — Por favor, não se assustem. É muito seguro! Estamos indo para o lugar mais bonito do mundo!

Análise do livro

Publicado em 1964, a obra “A Fantástica Fábrica de Chocolate” foi inspirada na infância do próprio autor Roald Dahl, que viveu em uma cidade onde havia duas grandes fabricas de chocolate.

Apesar de se tratar de uma história lúdica, a narrativa de Dahl ensina algumas lições em relação à educação infantil, apresentando considerações sobre a importância da postura e conduta dos genitores e as consequências que determinados comportamentos podem provocar na vida do menor.

O autor não trata desta temática apenas na formação do caráter, mas aborda também o cuidado com a saúde infantil, como a obesidade, com o recorte da obesidade infantil – retratada no personagem Augusto Glupe, e o lazer alienado através do jovem Miguel Tevel, que tem diversas consequências físicas e psicológicas.

Além disso, faz certa censura ao incentivo a competitividade – executado por Violeta Chataclete, uma garota que vive sob a ilusão de ser a melhor em certa atividade, que na verdade não torna superior as outras crianças por ser uma competição insignificante e sem um propósito construtivo para a mesma como indivíduo.

Mesmo destinada ao público infantil, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” é uma obra que seduz e diverte todos os públicos pela grandiosidade imaginária e as lições sociais, valorizando a família, o caráter, a união e a humildade como prêmios mais valiosos que uma criança pode ter.

Personagens

  • Charlie Bucket: protagonista da história, garoto pobre que encontra um dos bilhetes premiados;
  • Willy Wonka: dono da fantástica fábrica de chocolate;
  • Sr. e Sra. Bucket: pais de Charlie;
  • Crianças premiadas: Augusto Glupe, Veroca Sal, Violeta Chataclete e Miguel Tevel;
  • Vovó Jorgina e vovó Josefina: avós de Charlie Bucket;
  • Vovô Jorge e vovô José: avôs de Charlie Bucket.

 Adaptações para o cinema

“A Fantástica Fábrica de Chocolate” já foi adaptada para o cinema duas vezes. A primeira foi lançada em 1971, um filme musical dirigido por Mel Stuart e estrelado por Gene Wilder no papel de Willy Wonka.

Em 1972, a adaptação foi indicada ao Oscar de “melhor trilha sonora original” e Wilder foi indicado ao Globo de Ouro de “melhor ator em comédia ou musical”. Em 2014, o longa foi selecionado para preservação no Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso por ser significante para a cultura e história do cinema.

No ano de 2005 uma nova adaptação foi realizada. Desta vez dirigida pelo aclamado Tim Burton e estrelado por Johnny Depp como Willy Wonka e Freddie Highmore como Charlie Bucket.

A nova adaptação dividiu a crítica e também foi indicado ao Oscar na categoria de “Melhor Figurino”. Também rendeu a Johnny Depp a indicação de “Melhor Ator – Comédia ou Musical” no Globo de Ouro.

Elenco do filme A fantástica fábrica de chocolate
Primeira adaptação foi indicada ao adaptação foi indicada ao Oscar de “melhor trilha sonora original”. (Foto: Veja)

Curiosidades sobre o primeiro filme

  • O primeiro filme de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, de 1971, só foi produzido porque Madeline, a filha de Mel Stuart, diretor do longa, insistiu para que seu livro favorito virasse filme;
  • Madeline, inclusive, chegou a fazer uma pequena participação no filme;
  • O ator Fred Asteire foi o primeiro cogitado para fazer o papel de Willy Wonka, mas foi recusado por já ter 71 anos. Depois o ator Joel Gray também foi cogitado, mas recusado pela baixa estatura;
  • As filmagens aconteceram na cidade de Munique, na Alemanha, e por conta disso houve dificuldade para encontrar atores de baixa estatura para fazerem os Oompa Loompas. Isso se explica porque o primeiro filme foi gravado durante a Segunda Guerra Mundial e pessoas fora dos padrões foram mortas durante o governo do nazismo;
  • O nome original do filme seria Charlie & the Chocolate Factory. Contudo, como um dos patrocinadores do filme tinha uma barra de chocolate chamada ‘Wonka’, mudaram para Willy Wonka & the Chocolate Factory;
  • A atriz Julie Dawn Cole foi a única que continuou a carreira de atriz depois de adulta. Ela, inclusive, se machucou de verdade durante as gravações, pois achou que uma das pedras do set não fosse de verdade;
  • O autor do livro “A Fantástica Fábrica de Chocolate” odiou o filme e nunca conseguiu assisti-lo na íntegra. Dahl chegou a proibir que qualquer outra adaptação do livro fosse feita enquanto estivesse vivo.

Faça o download do PDF do livro “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. A Fantástica Fábrica de Chocolate; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/a-fantastica-fabrica-de-chocolate >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:25.

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