A linguagem do Arcadismo

Conheça o vocabulário desse movimento literário

A linguagem do Arcadismo era muito acessível. Os artistas preferiam utilizar um vocabulário mais próximo do contexto em que a população estava inserida. Dessa forma, os sonetos e versos escritos por eles teriam mais aceitação e também fariam mais sentido para as pessoas.

A linguagem do arcadismo faz uma oposição à linguagem barroca. Menos exageros e mais naturalidade. Os autores arcadistas preferiam falar sobre amor, morte, casamento e solidão, temas do cotidiano, ao invés de falar sobre fé e tentação que demandavam maior complexidade.

A linguagem do arcadismo também prezava pela clareza de ideias. Nos textos dos poetas árcades, não havia espaço para dúvidas, rebeldia, contradições, paradoxos. No Arcadismo, que também era conhecido como Neoclassicismo, era essencial que a linguagem fosse transparente.

Pintura de Juan Antonio Ribera.
No Arcadismo, as pinturas tinham forte influência da cultura greco-romana. (Foto: Commons.)

O Arcadismo

O Arcadismo foi o movimento literário mais importante do século XVIII. Ele também ficou conhecido como Neoclassicismo ou Setecentismo. Influenciado pelo Iluminismo, movimento que valorizava o desenvolvimento intelectual e filosófico. O Arcadismo, considerava a racionalidade e a ciência.

Assim como o iluminismo francês era baseado em três pontos principais “liberdade, igualdade e fraternidade”, o Arcadismo também era fundamentado em três elementos: natureza, razão e verdade.

Diferente do Barroco, em que os autores falavam por meio de metáforas e suas produções eram cheias de ideias opostas, muitas vezes ininteligíveis, no Arcadismo o sujeito racional ganhava lugar. A linguagem do Arcadismo tinha harmonia em suas ideias.

Os valores greco-romanos e renascentistas também contribuíram para o movimento arcadista. A cultura clássica e latina exerceu um grande papel para a construção do Arcadismo.

O contexto em que estava inserido também favoreceu para que essa cultura se consolidasse. O Arcadismo surgiu no século XVIII, além do Iluminismo, as tecnologias tinham avançado, e a industrialização estava se fortificando no cenário econômico. O número de pessoas que saíram do campo para ocupar as cidades era muito grande.

A burguesia estava em ascensão, então os bens culturais deixavam de pertencer somente aos nobres como na monarquia.

Os autores árcades aproveitaram esse movimento para produzir versos que valorizassem esse momento. Além dos temas como amor e solidão, também escreviam sobre a vida na cidade, o trabalho, o dinheiro, e como o homem se relacionava com todos esses elementos. A linguagem do Arcadismo buscava abordar assuntos do cotidiano.

Conhecendo a linguagem do Arcadismo

A linguagem do Arcadismo foi inspirada em alguns valores latinos, são eles:

Fugere Urbem – O êxodo rural decorrente da industrialização tinha resultado em uma aglomeração de pessoas na cidade, mas para os autores do Arcadismo, a cidade não era um ambiente adequado para viver. Portanto eles deveriam “fugir da cidade”, ficar longe dos grandes centros, procurar um lugar de paz.

Aurea Mediocritas – Esse termo fala sobre “o homem mediano”, aquele que não procura por bens materiais ou riquezas pessoas. A felicidade desse homem se apresenta no equilíbrio da vida e riqueza espiritual. Somente as pessoas simples poderiam alcançar esse objetivo.

Carpe Diem – Uma das frases mais utilizadas da contemporaneidade. A expressão fala sobre “aproveitar o presente ou aproveitar o tempo”, o momento, a vida, as pessoas. Manter o foco no que se é vivido agora, na realidade, e esquecer as preocupações futuras porque a vida é muito curta.

Locus Amoenus – Esse termo aconselha as pessoas a procurar um “lugar ameno”, assim como o fugere urbem. A vida urbana da época era caracterizada pela poluição das indústrias e tantos problemas sanitários. Para os árcades, o campo, um ambiente bucólico, puro, pacífico, livre de tanta sujeira, era o ideal para viver.

Inutilia Truncat – Um princípio que sugere “cortar o inútil”, buscar o equilíbrio. É um preceito que propõe tirar os excessos da poesia, buscar o equilíbrio linguístico e fazer uma contraposição a cultura rebuscada do período Barroco.

Os autores árcades se expressavam através de seus poemas, poesias e tantas outras produções textuais, as mais conhecidas são os sonetos decassílabos. Vamos entender como elas são construídas.

Sonetos

O soneto é composto por uma estrutura fixa de catorze versos, com dois quartetos (conjunto de quatro versões) e dois tercetos (conjunto de três versões).

A palavra soneto tem origem italiana sonetto, e significa “pequeno som”, fazendo referência a sonância que os verbos produzem.

Os sonetos são produções literárias que integravam a linguagem do Arcadismo. Eles são formados por alguns elementos básicos: 

Verso – Frase ou palavra que forma a linha da poesia. São classificados de acordo com o número de versos que constrói a estrofe. Quanto a medida dos versos há duas classificações:

  • Versos isométricos – os que possuem medida igual.
  • Versos heterométricos – os que têm versos de diferentes medidas.

A classificação dos versos também depende do número de sílabas. Eles podem ser:

  • Monossílabo: verso composto por uma sílaba poética.
  • Dissílabo: verso composto por duas sílabas poéticas.
  • Trissílabo: verso composto por três sílabas poéticas.
  • Tetrassílabo: verso composto por quatro sílabas poéticas.
  • Pentassílabo: verso composto por cinco sílabas poéticas.
  • Hexassílabo: verso composto por seis sílabas poéticas.
  • Heptassílabo: verso composto por sete sílabas poéticas.
  • Octossílabo: verso composto por oito sílabas poéticas.
  • Eneassílabo: verso composto por nove sílabas poéticas.
  • Decassílabos: verso composto por dez sílabas poéticas.
  • Hendecassílabos: verso composto por onze sílabas poéticas.
  • Dodecassílabos: verso composto de doze sílabas poéticas.

Estrofe – Conjunto de versos de uma parte do poema. Elas podem ser simples, compostas e livres. As estrofes simples possuem a mesma medida.

Os poemas com estrofes compostas são feitos por versos de medidas diferentes. Nos livres, não há nenhuma exatidão métrica. A classificação das estrofes depende da quantidade de versos que as compõem, elas podem ser:

  • Monóstico – 1 verso
  • Dístico – 2 versos
  • Terceto – 3 versos
  • Quarteto ou Quadra – 4 versos
  • Quintilha – 5 versos
  • Sextilha – 6 versos
  • Septilha – 7 versos
  • Oitava – 8 versos
  • Nona – 9 versos
  • Décima – Dez versos
  • Irregular – Mais de dez versos

Métrica – Medida do verso que corresponde ao número de sílabas poéticas. Geralmente os sonetos são decassílabos, possuem 10 sílabas poéticas. Os decassílabos são classificados em:

  • Monóstico – 1 verso
  • Dístico – 2 versos
  • Terceto – 3 versos
  • Quarteto ou Quadra – 4 versos
  • Quintilha – 5 versos
  • Sextilha – 6 versos
  • Septilha – 7 versos
  • Oitava – 8 versos
  • Nona – 9 versos
  • Décima – Dez versos
  • Irregular – Mais de dez versos

Rima – Concordância dos sons.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Santana, Esther. A linguagem do Arcadismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/a-linguagem-do-arcadismo >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:38.

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