A linguagem do humanismo

Transição entre a Idade Média e a Idade Moderna

A linguagem do humanismo marcou o período do movimento literário que surgiu no século XV, com o intuito de exacerbar as particularidades humanas.

Na Itália, o humanismo surgiu um século antes e foi o movimento cultural e filosófico que analisava produções gregas e latinas. Era a filosofia do homem como centro de tudo.

Na literatura portuguesa, a linguagem do humanismo trouxe além do antropocentrismo, características provenientes das realizações humanas como generosidade, vontades e compaixão.

Este movimento pregou, principalmente, o afastamento de qualquer prisão religiosa, pois o homem virou o centro do universo. Na literatura, a linguagem do humanismo português foi marcada por três fases com as obras produzidas por Fernão Lopes, a chamada poesia palaciana, e com as obras produzidas para o teatro de Gil Vicente.

A linguagem do humanismo apresentada em uma pintura de Michelangelo.
A linguagem do humanismo tinha o homem como centro do universo. (Foto: Wikipédia)

A linguagem do humanismo: contexto histórico

A linguagem do humanismo foi conhecida por marcar a época de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. Era  uma vertente filosófica e literária que surgiu entre o trovadorismo, primeiro movimento literário da língua portuguesa, e o classicismo, que valorizava a estética da antiguidade clássica.

No século XIV, o trovadorismo começou a entrar em decadência e a poesia cedeu lugar à prosa. Novelas de cavalaria e crônicas eram os tipos mais comuns, além das peças teatrais e poesias palacianas.

A linguagem do humanismo sempre foi pautada no racionalismo para valorizar a condição humana. Raízes psicológicas, comportamentos, desejos, humor, vontades e peculiaridades eram valorizadas em detrimento das mudanças buscadas no período.

Gil Vicente e Fernão Lopes marcaram a literatura portuguesa. Foram os dois maiores precursores da linguagem do humanismo, principalmente no que diz respeito ao comportamento humano e aos registros históricos racionais.

Fernão Lopes

Fernão Lopes foi um cronista e escrivão, originalmente plebeu, que depois foi condecorado como nobre pela Corte Portuguesa. Seu nascimento é estimado entre 1390 e 1420.

Foi conhecido por sua veia crítica em relação à história. É considerado o primeiro escritor de prosa da língua portuguesa mais moderna. Ele possuía grande preocupação em relatar os fatos históricos com veracidade e credibilidade, por isso analisava criticamente cada acontecimento para explicar com razão e riqueza de detalhes.

Tido como pioneiro da historiografia, Fernão Lopes contribuiu para a história do humanismo por meio de crônicas que descreviam as dinastias de Portugal. No tocante à genealogia, o prosador era responsável por correlatar todos os parentes e descendentes da Coroa Portuguesa, para assim evitar possíveis casamentos desastrosos.

O autor foi inovador na crônica histórica, pois além de desenvolver as narrativas tradicionais, afastava protagonismos e dava ênfase à todas as classes, não só aos aristocratas.

Humanista, com linguagem eloquente e que envolvia o leitor, Fernão Lopes é admirado por sua oralidade sem perder a linguagem erudita, sendo assim o maior escritor português da era medieval.

Poesia Palaciana

A poesia palaciana foi criada no século XV e tinha a linguagem do humanismo como ênfase para a nobreza portuguesa.  Ela leva esse nome exatamente porque era criada e mantida dentro dos palácios e servia como  entretenimento aos nobres.

A poesia palaciana reunia alguns temas religiosos e heroicos, além de sátiras e hábitos rotineiros da Corte.  Tinha como característica principal o afastamento da música, pois a própria poesia possuía ritmos, métricas e expressões que enviavam a mensagem.

Quando foi criada, a poesia palaciana não era tão popular como é hoje. Continha aliteração, jogos de palavras, teor ambíguo e conotação. Ela ditou o comportamento cultural e a expressividade de artistas durante vários reinos diferentes.

Falando de técnica, a poesia palaciana tinha redondilhas maiores de sete sílabas e redondilhas menores de cinco sílabas. Como apresentava tristeza e melancolia, utilizava de cantigas em suas métricas.

Vale lembrar que a poesia palaciana se afastava do canto, porém a musicalidade e o ritmo estavam presentes em seus versos. Ela não era cantada e sim declamada.

Gil Vicente

Gil Vicente foi um dramaturgo e teatrólogo português. Conhecido pelo seu trabalho de poeta, músico e ator, escrevia peças de teatro em português e em castelhano, vindo a ser considerado um artista de renome não só em seu país como também nos demais territórios ibéricos.

Na transição entre a Idade Média e o Renascimento, a sociedade que antes sofria regras mais rígidas, começava a se desprender por meio de uma vertente mais questionadora. Gil Vicente representou fortemente a literatura renascentista com elementos populares que influenciaram a cultura de Portugal.

“Auto da Visitação” foi seu primeiro trabalho de sucesso, uma peça em espanhol apresentada para a Corte da época. Um tempo depois já era o responsável pela produção e desenvolvimento dos eventos palacianos.

Sua obra, dividida em comédia, tragicomédia e farsa, era influenciada por tema pastoril e tinha como características principais elementos de alegoria, temática mística e religiosa.

Gil Vicente enfatizava a linguagem do humanismo ao apresentar os perfis psicológicos da sociedade portuguesa em suas peças, de forma satírica e cômica, pois era muito crítico aos costumes da época.

Utilizava referências místicas de demônios e fadas. Camponeses e marinheiros também estavam presentes em suas obras teatrais. Era um autor espontâneo, que retratava a realidade de acordo com sua interpretação, sendo direto e simples em suas colocações.

Curiosidades sobre a linguagem do humanismo 

  • A linguagem do humanismo surgiu no fim da era do teocentrismo. Os pensadores da época sentiam falta de uma sociedade que enfatizasse o lado humano e mais racional da vida. Para isso, afastaram as raízes religiosas do pensamento.
  • O renascimento foi o movimento que surgiu após os desdobramentos da linguagem do humanismo.
  • Mesmo com o afastamento do teor religioso, o início da fase humanista também foi marcado pelas hagiografias que contavam sobre a vida dos santos, visto que a religiosidade medieval ainda existia.
  • Fernão Lopes foi o autor que expressou a linguagem do humanismo por meio de investigação entre as classes sociais humanas, baseadas em história e literatura. Distanciava-se para manter o perfil de cronista observador, o que se aproxima da postura jornalística atual.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Magalhães, Alissa. A linguagem do humanismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/a-linguagem-do-humanismo >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 00:50.

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