A linguagem do simbolismo

Linguagem com forte presença de elementos místicos e transcendentais

A linguagem do simbolismo está relacionada às características presentes nas obras produzidas no movimento artístico do simbolismo.

O Simbolismo foi um movimento literário originado na França no final do século XIX, em oposição as escolas literárias: realismo e naturalismo.

A linguagem do simbolismo traz como características:

  • Subjetividade
  • Imprecisão
  • Transcendência
  • Sensorial
  • Fluidez
  • Libertária
  • Criatividade
  • Mística
  • Sensual
  • Espírita

Além disso, a linguagem do simbolismo pode ser considerada também uma linguagem vaga, onírica, expressiva, musical e misteriosa.

O que é o simbolismo?

A linguagem do simbolismo: Charles, precursor do movimento
Charles Baudelaire, precursor do simbolismo na França. (Foto: Wikipédia)

O Simbolismo surgiu com a publicação dos poemas “As Flores do mal” de Charles Baudelaire, em 1857.

Após esse livro, as obras que foram produzidas então foram consideradas como simbolista, e diversos escritores começaram a seguir o estilo de Charles Baudelaire, que ficaram conhecidos como decadentistas.

A linguagem do simbolismo e do movimento não está somente ligado a literatura, mas também em outras formas de expressões nas artes como o teatro e as artes plásticas.

A linguagem do simbolismo e suas características

A linguagem do simbolismo pode ser considerada parecida com a do Romantismo, pois o simbolismo é um retorno a alguns ideais do Romantismo.

E mesmo se opondo ao naturalismo e o parnasianismo, a escola literária ainda conserva alguns aspectos do parnasianismo.

A principais características da linguagem do simbolismo estão

  •  O vasto uso do soneto e sua forma de estruturar os versos.
  • Uma linguagem subjetiva cujo intuito era expor visões subjetivas dos escritores.
  • Vocabulário com uma linguagem mais rica e com novas palavras.
  • Figuras de linguagem em busca de ritmos musicais como sinestesias e aliterações.
  • Linguagem fluida e vaga, conservado sempre a sugestão.

Características do movimento simbolista

  • Pessimismo.
  • Retorno ao Romantismo.
  • Uso de temas como o amor, a loucura, a dor, a morte, o sonho, etc.
  • Antiracionalista, com o intuito de se voltar para os sentimentos.
  • Antimaterialista.
  • Aspecto místicos e religiosos.
  • Exploração do consciente e do subconsciente.

A linguagem do simbolismo e as figuras de linguagem

O movimento literário tem como uma das principais características, a musicalidade. E para empregar ritmo e sonoridade musical, alguns recursos da língua eram usados.

Então, a linguagem do simbolismo está diretamente ligada ao uso das figuras de linguagem como aliteração, assonância, onomatopeia e sinestesia.

Aliteração

A aliteração se refere a repetição de consoantes e sílabas com fonemas parecidos ou idênticos. A sonoridade da repetição causa um efeito estilístico para potencializar a musicalidade, geralmente usada na prosa poética e na poesia.

Exemplo: rápido, o raio risca o céu e ribomba

Assonância

A assonância consiste na repetição de vogais com o intuito de rimar, e assim confere um estilo de melodia nos versos.

Exemplo:

Ardendo de paixão
Ele ouviu seu coração
Um sentimento cru
Para um céu azul.

Perceba a repetição da sonoridade igual de vogais, o som do “ão” em paixão rimando com coração e o som de “u” em cru rimando com azul.

Onomatopeia

A onomatopeia se refere a reprodução aproximada de sons. Ou seja, por meio dos recursos da língua, é possível produzir um determinado som que poderia ser associação ao som natural.

Exemplos: o som de um mosquito (zum-zum), som do relógio (tique-taque).

Sinestesia

A sinestesia se refere a combinação de sensações com a associação de palavras ou expressões relacionadas ao sistema sensorial como a visão, paladar, audição, olfato e tato.

Por exemplo, quando um cheiro ou determinado ruído traz lembranças de alguém ou alguma situação. Como o lembrar de alguém ao sentir o cheiro do perfume daquela pessoa.

Simbolismo no Brasil e em Portugal

No Brasil, o simbolismo foi inaugurado pela publicação de duas obras do poeta João da Cruz e Souza, a prosa “Missal” e a poesia “Broquéis”, em 1893.

A linguagem do Simbolismo no Brasil manteve boa parte dos aspectos da ocorrida na Europa. Com uma melancolia, com ritmos musicais, versos livres e imagens ousadas e não usuais.

Além disso, traz uma influência do Impressionismo com a atenção no uso das cores e de suas diversas matizes.

No Brasil, os principais escritores simbolistas são Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos.

Trecho de um soneto presente na obra “Broquéis”, de Cruz e Souza.

Nos Santos óleos do luar, floria
Teu corpo ideal, com o resplendor da Helade…
E em toda a etérea, branda claridade
Como que erravam fluidos de harmonia…
As Águias imortais da Fantasia
Deram-te as asas e a serenidade
Para galgar, subir a Imensidade
Onde o clarão de tantos sóis radia.
Do espaço pelos límpidos velinos
Os Astros vieram claros, cristalinos,
Com chamas, vibrações, do alto, cantando…
Nos santos óleos do luar envolto
Teu corpo era o Astro nas esferas solto,
Mais Sóis e mais Estrelas fecundando!

Em Portugal, o movimento foi marcado pela publicação em 1890 da obra de Eugênio de Castro, “Oaristos”. Tendo ele como um dos escritores simbolistas juntamente com Camilo Pessanha e Antônio Nobre.

A linguagem do simbolismo e os elementos místicos e transcendentais

Na linguagem do simbolismo é bastante forte a presença de elementos ocultos e invisíveis. Os temas místicos e transcendentais envolvem a intuição e o mundo espiritual.

E a presença do místico e do transcendental tem o objetivo de distanciar da realidade, e isto faz com que a obra seja cada vez mais subjetiva.

A subjetividade irá se manifestar de diversas maneiras, desde a linguagem dos escritores com pouca precisão e repletas de delírios e divagações.

A subjetividade do simbolismo é uma forma de expor nas obras a imaginação e os sentimentos mais íntimos dos escritores.

Contudo, importante ressaltar que é um tipo de subjetividade diferente do romantismo, pois é mais voltada ao sentimento que não segue uma linha de raciocínio, muito menos a lógica.

Veja um trecho do poema “Acrobata da dor” de Cruz e Souza

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos e convulsionado
Salta, gavroche, salta, clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta…

Quanto a oposição ao realismo e o naturalismo

Por conter na linguagem do simbolismo uma forte presença do misticismo e da subjetividade, isto acaba se afastando e negando movimentos como o realismo e o naturalismo.

Esse desprezo ao realismo e ao naturalismo se opõe a lógica de raciocínio, da razão em excesso e da descrição fiel a realidade presente na literatura realista e naturalista.

E isto mostra o quanto os escritores simbolistas queriam fugir da realidade, algo que era muito presente em outras escolas literárias.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Lima, Cleane. A linguagem do simbolismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/a-linguagem-do-simbolismo >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 19:01.

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