A Moreninha

A história de amor de Augusto, um estudante volúvel e incapaz de amar alguém por mais de três dias

A narrativa de “A Moreninha” começa com Filipe convidando seus amigos Augusto, Leopoldo e Fabrício para passarem o feriado de Sant’Ana na casa de sua avó, D. Ana, que mora em uma ilha próxima ao Rio de Janeiro.

Além da anfitriã D. Ana, lá estaria D. Carolina, a irmã de Filipe, as primas Joana e Joaquina e duas amigas, chamadas Gabriela e Clementina.

Augusto era um rapaz inconstante e incapaz de amar por três dias seguidos a mesma pessoa. Compara-se aos amigos esclarecendo que eles mentem, enganam as moças, enquanto ele desengana, fala a verdade e não se sente culpado.

Filipe acredita que na segunda-feira, após o feriado, Augusto voltará da “ilha de…” loucamente apaixonado por alguma de suas primas. Augusto nega, garante que jamais ficaria com alguém por muitos dias.

Sendo assim, Filipe fez uma aposta e desafiou Augusto: “quem perder escreverá um romance da própria história".

No dia 20 de julho de 18… na sala parlamentar da casa n… da “rua de… sendo testemunhas os estudantes Fabrício e Leopoldo, acordaram Filipe e Augusto, também estudantes, que, se até o dia “20 de agosto do corrente ano o segundo acordante tiver amado a uma “só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um “romance em que tal acontecimento confesse; e, no caso contrário, igual “pena sofrerá o primeiro acordante. Sala parlamentar, 20 de julho de “18… Salva a redação.”
Como testemunhas: Fabrício e Leopoldo.
Acordantes: Filipe e Augusto.

Antes de chegar a “ilha de…”, Fabrício envia uma carta para Augusto contando seu sofrimento e arrependimento por se envolver com D. Joana, prima de Filipe. Joana era exigente e Fabrício não a queria mais.

Capa do livro A Moreninha
Capa do livro “A Moreninha” (Foto: Site Saraiva)

Como Augusto foi o conselheiro responsável por obrigá-lo a experimentar uma paixão romântica, Fabrício acha que nada mais justo que o amigo tire ele dessa situação.

O plano era simples, Augusto deveria paquerar a moça durante o fim de semana na ilha para que Fabrício pudesse fingir estar desesperado e com ciúmes da moça e romper a relação. Só assim se livraria da “pálida”, como referia-se a ela.

Augusto é o último a chegar na “ilha de…”. Bem recebido por todos, observa a jovem inquieta que circula por toda a sala. Era Carolina, “a Moreninha”, travessa, inconsequente e às vezes engraçada; viva, curiosa e em algumas ocasiões impertinente.

Durante o jantar, Fabrício se vinga de Augusto por não ter concordado com seu plano, revelando a todos que o rapaz é incapaz de amar por mais que três dias e tem apreço por ser protótipo da inconstância.

Tal declaração fez com que Augusto fosse desprezado pelas moças, mas não por Carolina. A ironia de Augusto ao rebater o amigo agrada a Moreninha, que lhe lança olhares e sorriso de aprovação. Augusto sente prazer por merecê-los.

Na mesma noite, todos foram passear no jardim. Sem par, Augusto caminha sozinho, afastado do grupo, até que D. Ana faz companhia para o jovem. Questionado sobre a tal inconstância no amor, Augusto lhe revela o motivo de sua conduta.

– É uma história muito longa, mas que eu resumirei em poucas palavras. Com efeito, não sou tal qual me pintei durante o jantar. Não tenho a louca mania de amar um belo ideal, como pretendi fazer crer; porém, o certo é que eu sou e quero ser inconstante com todas e conservar-me firme no amor de uma só.

Juntos, entram em uma gruta para garantir não haver testemunhas da confissão, considerado por Augusto, o episódio mais interessante de sua vida durante uma viagem com sua família, sete anos atrás.

Tinha 13 anos e brincava na praia, quando viu uma menina de 7 anos. Viva e espirituosa, estava à beira mar admirando uma concha, mas com receio em ser molhada pelas ondas.

Era a mais bonita criança do mundo, com um vivo, agradável e alegre semblante, com cabelos negros e anelados voando ao derredor de seu pescoço, com o fogo do céu nos olhos, com o sorrir dos anjos nos lábios, com a graça divina em toda ela.

Caída nos braços de Augusto depois de uma falha tentativa de pegar a concha, a menina riu. Encantado, o jovem correu mar a dentro e lhe trouxe a desejada concha. Correram e brincaram e, com toda confiança e inocência infantil, se tornaram amigos.  

Após comunicar que seu primo Juca não seria seu marido, pois no dia anterior havia quebrado sua boneca, a menina garante que ela e Augusto casariam assim que ficassem adultos.

Continuaram a correr pela praia, já se tratando como meu marido e minha mulher. Ajudaram um velho doente doando todo o dinheiro que carregavam no bolso, em gratidão, o velho promete que os dois iriam se casar.

Como forma de união, Augusto recebe um botão de esmeralda envolvido numa fita branca e a menina o camafeu de Augusto envolvido em uma fita verde. Esta é a única que Augusto guardará da menina até hoje, já que não sabia nem seu nome.

Retorno ao Rio de Janeiro

Após retornarem ao Rio de Janeiro, Augusto não consegue esquecer a Moreninha, então passa a visitá-la todos os domingos na “ilha de …”. Apaixonado, Augusto começa a declinar na faculdade e seu pai o proíbe de visitar Carolina.

A situação só se resolve quando Filipe propõe um casamento. Augusto declara seu amor por D. Carolina, porém ela o questiona quanto a promessa que fizera a menina da praia, confessando ter escutado tudo escondida na gruta.

Augusto jura amor verdadeiro por Carolina e explica que, se ao menos soubesse o nome da menina, a procuraria para pedir perdão por não cumprir a promessa já que ele ama mesmo a Moreninha.

Carolina então revela que certa vez também havia socorrido um velho moribundo e que em sinal de reconhecimento ele havia lhe dado uma relíquia milagrosa. Essa relíquia poderia realizar, a quem a possuía, um único desejo.

Ela a oferece a Augusto para que ele possa pedir o reencontro com sua velha amada, e assim solicite o seu perdão para poderem casar.

A menina, com efeito, entregou o breve ao estudante, que começou a descosê-lo precipitadamente. Aquela relíquia, que se dizia milagrosa, era sua última esperança; e, semelhante ao náufrago que no derradeiro extremo se agarra à mais leve tábua, ele se abraçava com ela. Só falta a derradeira capa do breve… ei-la que cede e se descose… salta uma pedra… e Augusto, entusiasmado e como delirante, cai aos pés de D. Carolina, exclamando:
– O meu camafeu!… o meu camafeu!…

É desta forma que descobrem que a linda menina que havia conhecido na praia era Carolina. Deste modo, Augusto perde a aposta que fizera com Filipe um mês atrás e precisa escrever o romance que intitula de “A Moreninha”.

Análise da obra “A Moreninha”

“A Moreninha” foi publicada em 1844 durante a primeira geração romântica no Brasil, inaugurando o romantismo no país. Escrita por Joaquim Manuel de Macedo, é uma narrativa com todas as características do romance brasileiro.

Apresenta uma linguagem simples, enredo descomplicado e um típico final feliz, que se tornou um clássico da literatura. A obra retrata os costumes da elite carioca em meados do século XIX, como os bailes, a tradição da festa de Sant’Ana, as atribuições das moças jovens e como funcionava as conquistas da época.

Principais personagens

  • Augusto: estudante de medicina que se apaixona por Carolina.
  • D. Carolina, a Moreninha: irmã de Filipe e paixão de Augusto.
  • Filipe: estudante de medicina e irmão de Carolina.
  • Leopoldo: estudantes de medicina e o mais animado do grupo.
  • Fabrício: estudante de medicina, um pouco mesquinho em seus relacionamentos.
  • D. Ana: avó de Filipe e de Carolina. Uma senhora de espírito e alguma instrução, cheia de bondade e de agrado, ela recebe a todos com o sorriso nos lábios.
  • D. Joaquina ou Quinquina: prima de Felipe. É meiga, terna, envergonhada e modesta.
  • D. Violante: velha e feia, sempre tinha novas coisas a dizer.

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BRITO, Samara. A Moreninha; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/a-moreninha >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:23.

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