Abiogênese

Teoria que defende a origem da vida a partir de seres inanimados

A abiogênese é uma das primeiras teorias sobre a origem e existência de todos os tipos de vida existentes no planeta Terra.

Ela tem como base a ideia de que a vida é um fenômeno que pode ocorrer a partir da decomposição de matéria orgânica, tendo iniciado através de experiências supostamente comprovadas de que teriam nascido ratos a partir da decomposição de roupas sujas e o surgimento de moscas em uma carne em avançado estágio de deterioração.

Essa teoria foi sustentada por toda a Antiguidade, em um período que muitos pesquisadores e filósofos, como Aristóteles, afirmavam que os seres vivos surgiam, esporadicamente, a partir da matéria.

Curiosamente, os pesquisadores defendiam que os vermes eram resultantes das frutas podres e que os sapos surgiam de florestas antigas, semelhantes a pântanos.

A teoria da abiogênese ou teoria da geração espontânea, defende, portanto, que a origem da vida se dá por meio da matéria bruta, logo, de uma matéria que não possui vida, contrariando a biologia reprodutiva.

Além dos citados anteriormente, outro exemplo que permeia esta teoria é sobre o lodo dos rios, no qual os estudiosos antigos acreditavam que o excesso de crosta lodosa daria origem a alguns tipos de anfíbios e répteis.

Na atualidade, com todos os recursos científicos disponíveis, a teoria parece inimaginável, entretanto, é preciso considerar que estas ideias surgiram em um período com pouquíssimos ou nada relevantes recursos da ciência.

Nessa fase, os experimentos tinham apenas o recurso da observação dos cientistas e não havia conhecimentos sobre células, gametas, mecanismos de evolução e estudos sobre genética.

Na teoria da abiogênese as roupas sujas originavam ratos
Para os cientistas, as roupas sujas davam origem ao surgimento de insetos, ratos, dentre outras formas de vida. (Foto: Pixnio)

Contestações sobre a abiogênese

O biólogo italiano Francisco Redi, por volta dos anos 1626 e 1698, período entre seu nascimento e morte, foi o primeiro pesquisador a contestar a abiogênese, através da aplicação do método científico.

Ele iniciou o experimento depositando alimentos em vários vidros e deixou alguns fechados com gaze e outros recipientes abertos.

Dias depois o biólogo Redi observou que havia larvas dentro dos potes abertos, mas nos recipientes fechados não foi constada a presença de nenhum micro-organismo.

O biólogo concluiu, pois, que as larvas surgiram porque foram depositadas por moscas e não por matéria não viva, como defendia a teoria da geração espontânea.

A partir dessa constatação, afirmou-se que todos os seres vivos são sempre provenientes de outros seres vivos, surgindo uma teoria oposta: a biogênese.

Em séculos posteriores, mais precisamente no ano de 1862, Louis Pasteur (1822 - 1895), realizou um experimento que ficou conhecido como "pescoço de cisne".

Ele ferveu um caldo de carne e reservou o líquido, sem a presença de seres microscópicos por certo tempo, em um pote que facilitava a passagem de ar, mas não permitia a entrada de poeira, nem organismos invasores.

Meses após a observação, Pasteur colocou o líquido em contato com a poeira e logo surgiram micróbios.

Com mais esse experimento, a teoria da abiogênese foi totalmente refutada. Antes disso, alguns defensores da geração espontânea ainda afirmavam, com base na observação de Redi, que os micróbios, por serem considerados simples, poderiam surgir da matéria não viva. 

Origem da Terra

Após anos de estudos, a hipótese sobre o surgimento do planeta Terra foi desenvolvida por meio de trabalhos do bioquímico russo Aleksandr Ivanovich Oparin (1894-1980) e do geneticista escocês Jonh B. S. Haldane (1892-1964).

Essas pesquisas constataram a presença de diferentes gases na atmosfera terrestres, diferentes dos gases encontrados atualmente. 

Aleksandr Ivanovich defendia que a junção de gases, como o metano (CH4), amoníaco (NH3), hidrogênio (H2), além da presença do  vapor da água (H2O) formariam as primeiras moléculas orgânicas e, posteriormente, dariam origem aos primeiros seres vivos.

Adeptos da mesma teoria, muitos outros cientistas daquele período ainda acreditavam que outros elementos químicos gasosos também tinham contribuição na formação dos seres vivos, dentre eles estão como o gás carbônico (CO2), sulfeto de hidrogênio (H2S) e monóxido de carbono (CO). 

Na teoria apresentada, os pesquisadores descartam a presença do gás oxigênio.

Eles acreditavam que, caso houvesse a interação com o O2, este oxidaria todos os outros compostos químicos, impedindo as reações necessárias para formação dos seres do planeta.

Além disso, as descargas elétricas provenientes dos relâmpagos e os raios ultravioletas eram consideradas fontes de energia que favoreciam as reações químicas, dando origem a moléculas de álcoois, aos aminoácidos e açúcares, todas constituídas por cadeias de carbono

Abiogênese e biogênese: principais fundamentos

Conforme explicado, as teorias da abiogênese e biogênese possuem importantes diferenças. A primeira é a teoria que defende o surgimento dos seres vivos espontaneamente, logo, a biogênese afirma exatamente o contrário.

A teoria da biogênese afirma que todos os seres vivos são oriundos de outros seres vivos já existentes. Essa é a teoria aceita pela comunidade científica atual para explicar a origem da vida.

O cientista Louis Pasteur conseguiu, definitivamente, derrubar a teoria da geração espontânea realizando um experimento através da fervura de caldos nutritivos.

Nesta observação, foi observado que os microrganismos presentes no ar eram os responsáveis dar vida a outros seres, provando que só a vida a partir de outros seres vivos preexistentes.

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Neves, Juliete. Abiogênese; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/abiogenese >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 12:03.

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