Ação Integralista Brasileira

Movimento político brasileiro que surgiu na década de 30

A Ação Integralista Brasileira (AIB) foi um movimento político brasileiro ultranacionalista criado no dia 7 de outubro de 1932. O partido era conservador, tradicionalista, cristão-católico, de extrema-direita e com fortes influências do fascismo italiano de Benito Mussolini.

Plínio Salgado foi o criador do movimento que se tornou o primeiro partido de massas do Brasil. A AIB era totalmente contra o comunismo e o liberalismo. Estavam presentes no início do governo de Getúlio Vargas, mas logo se voltaram contra o governo após a implantação do Estado Novo, em 1937.

Além de Plínio, nomes como Gustavo Barroso e Miguel Reale também tiveram um importante papel no partido. Seu surgimento está diretamente ligado à publicação de um documento intitulado “Manifesto Integralista”.

O movimento ficou marcado pelo Levante Integralista, promovido logo após o estabelecimento do Estado Novo, com o principal objetivo de derrubar o governo. O lema do partido era “Deus, pátria e família”.

Bandeira da Ação Integralista Brasileira
A bandeira da Ação Integralista Brasileira trazia a representação da letra grega chamada “sigma” que simboliza a soma. (Foto: Wikipedia)

Contexto histórico e surgimento da Ação Integralista Brasileira

Após da queda dos governos oligárquicos que comandavam o país, novas estruturas sociais começaram a se formar no cenário sócio-político brasileiro. Muitos grupos começaram surgir com o intuito de organizar discussões e criar novas teorias políticas. Mundialmente falando, novas teorias políticas também começaram a surgir, principalmente na Europa, o que influenciou ainda mais os brasileiros.

Plínio Salgado era escritor e jornalista de renome, ligado à corrente modernista intitulada “verde-amarelos”. No ano de 1930 fez uma viagem para a Itália para entrevistar o então líder do fascismo, Benito Mussolini. Ficou encantado não apenas com as teorias de sociedade do fascista, como também pelo cenário que encontrou naquele país.

Inspirado pelas ideias de Mussolini, Plínio voltou ao Brasil e fundou um jornal chamado “A Razão”. O intuito era publicar suas principais ideias acerca do modelo ideal de sociedade, bem como, concepções antiliberais e nacionalistas. Mais tarde, em 1932 começou a espalhar os ideais políticos em grupos regionais que tinham simpatia ao fascismo.

Em fevereiro do mesmo ano fundou a Sociedade de Estudos Políticos (SEP) que tinha como principal função reunir pessoas que eram a favor do conservadorismo, autoritarismo e anticomunismo. O grupo teve grande êxito, conseguindo reunir um grande número de intelectuais, o que proporcionou o cenário perfeito para a criação do “Manifesto Integralista” e junto com ele a Ação Integralista Brasileira.

Características do Manifesto Integralista e a AIB

O Manifesto Integralista foi um documento que serviu como apresentação das ideias da Sociedade de Estudos Políticos (SEP) para o povo. A publicação trazia, principalmente, as seguintes bases de organização política:

  • Rejeição do socialismo e comunismo de qualquer forma e em qualquer situação;
  • Combate aos ideais liberalistas;
  • Defesa do nacionalismo;
  • Afirmação da identidade brasileira;
  • Fechamento dos partidos políticos existentes na época.

A AIB tinha sua própria saudação: “Anauê”, expressão era de origem tupi que significa “você é meu irmão”. Os membros erguiam os braços sempre que pronunciavam a expressão, assim como o fascismo. O lema principal do partido era a frase “Deus, pátria e família” e todos os integrantes tinham que usar uma camisa verde, como forma de identificação. 

Desde o início, Plínio foi o líder absoluto no movimento que chegou a ter entre 500 mil e 1 milhão de adeptos, emplacando um grande sucesso desde o seu lançamento. No ano de 1933 fizeram seu primeiro desfile público como forma de divulgar os ideais do partido. Foi nessa ocasião que começaram a ser chamados de “galinhas verdes” por seus opositores.

No ano seguinte os integrantes e simpatizantes do partido se reuniram em Vitória (ES) para o Primeiro Congresso Nacional. A partir daí sofisticaram ainda mais a sua estrutura em razão da grande ascensão do cenário político brasileiro. O partido passou a contar com sua própria milícia armada, duas revistas, um órgão oficial chamado “Monitor Integralista”, diversos jornais de circulação local e um grande veículo de divulgação nacional chamado “A Ofensiva”.

Em 1937, o partido lançou Plínio salgado como candidato à presidência, porém as eleições não aconteceram devido ao Golpe do Estado Novo liderado por Getúlio Vargas. Mesmo não se elegendo, Plínio apoiou o golpe, principalmente por temer a ameaça comunista. Getúlio usou um documento forjado por um dirigente integralista, o Capitão Olímpio Mourão Filho, que dizia haver um plano comunista (Plano Cohen) para a tomada do poder, como pretexto para o golpe de estado.

O Levante Integralista de 1938

Em pouco tempo de implantação do Estado Novo, Getúlio Vergas passou a comandar o país de forma autoritária, baseada na censura e no controle de tudo no Brasil. Uma das suas ações mais emblemáticas foi a ordem de fechamento de todos os partidos políticos existentes da época. Obviamente, isso também incluiu o fechamento da Ação Integralista Brasileira, que passou a ser ilegal, para a surpresa dos integralistas.

Essa ação foi tida como imperdoável para os membros da AIB, principalmente para Plínio que apoiou o golpe. O líder acreditava que conseguiria tornar seu partido parte da estrutura do governo varguista, além do cargo de ministro da educação. Decepcionados com a ação de Vargas, os integralistas se uniram para projetar um levante com a finalidade de depor o governo e tomar o poder.

No dia 11 de maio de 1938 integralistas armados invadiram o Palácio de Guanabara, no Rio de Janeiro (residência oficial do presidente e sua família) na tentativa de realizar o contragolpe.  Até conseguiram acessar os jardins da casa, mas logo foram completamente dominados sem muito esforço. Cerca de 1500 acabaram presos, outros foram fuzilados, mortos e feridos.

Plínio não estava presente no ato, mas como apoiou ideologicamente, foi obrigado a se exilar em Portugal até o ano de 1945. Com esse episódio, o partido da Ação Integralista Brasileira perdeu força e capital político. Os membros que sobraram foram perseguidos e presos por Vargas, até a redemocratização.

Em 1946, Plínio Salgado voltou ao Brasil e fundou um novo partido intitulado “Partido da Representação Popular” com a intenção de reavivar as teses defendidas pela AIB. O PRP ficou ativo até o ano de 1965 e durante a sua existência teve um bom desempenho no cenário da política brasileira.

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Maria Azevedo, Amanda. Ação Integralista Brasileira; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/acao-integralista-brasileira >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 19:50.

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