Adam Smith

Pai da economia moderna

Adam Smith (1723-1790) foi um filósofo e economista britânico. Considerado o pai do liberalismo, é um dos pensadores mais importantes da história. Sua teoria do liberalismo econômico e do livre mercado foram responsáveis por muitos dos avanços da humanidade e pelo desenvolvimento do capitalismo.

Biografia de Adam Smith

Filósofo Adam Smith
Adam Smith, filósofo e economista. (Foto: Wikipédia)

Adam Smith nasceu no dia 16 de junho de 1723, na pequena cidade de Kirkcaldy, Escócia. Pouco se sabe a respeito de sua infância, apenas que era filho do advogado Adam Smith e Margaret Douglas, e ficou órfão de pai nos primeiros meses de vida.

Frequentou o colégio Burgh School of Kirkcaldy, uma das melhores escolas secundárias da Escócia, onde estudou latim, matemática, história e escrita. Em 1737, com apenas 14 anos, ingressou no curso de Filosofia na Universidade de Glasgow.

Graduou-se em 1740, mesmo ano em que ganhou uma bolsa para estudar filosofia no Balliol College, da Universidade de Oxford. Abriu mão da bolsa em 1746, retornou à Escócia e dois anos depois passou a ministrar aulas de retórica e de literatura em Edimburgo sob o patronato de Lord Kames.

Influência filosófica

Em 1750, Adam Smith conheceu David Hume, importante filósofo escocês do período, tornando-se seu grande amigo em virtude do conhecimento. Foi uma das grandes influências no pensamento de Adam.

Para Hume, havia uma relação entre a moral natural, baseada no impulso egoísta e no altruísmo. Mais do que a bondade, o que levava o ser humano a agir corretamente era a sobrevivência. Sendo assim, ao pensar em si mesmo, por várias vezes o indivíduo terminava por beneficiar seu entorno.

“Todo indivíduo necessariamente trabalha no sentido de fazer com que o rendimento anual da sociedade seja o maior possível. Na verdade, ele geralmente não tem intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o promove. Ao preferir dar sustento mais à atividade doméstica que à exterior, ele tem em vista apenas sua própria segurança; e, ao dirigir essa atividade de maneira que sua produção seja de maior valor possível, ele tem em vista apenas seu próprio lucro, e neste caso, como em muitos outros, ele é guiado por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção. E o fato de este fim não fazer parte de sua intenção nem sempre é o pior para a sociedade. Ao buscar seu próprio interesse, frequentemente ele promove o da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo.”

Adam Smith, “A Riqueza das Nações”.

No ano seguinte, em 1951, Adam Smith tornou-se professor de lógica em Glasgow. Logo depois, passou a dar aulas de filosofia moral, umas das disciplinas mais importantes da instituição. No ano de 1758, foi eleito reitor da universidade.

Primeira grande obra

Em 1759, Adam Smith publicou sua primeira grande obra, a “Teoria dos Sentimentos Morais”. Nesse momento, ainda não havia dado um enfoque totalmente econômico para o seu pensamento.

Porém, os anos seguintes transformariam a sua visão de mundo e o fariam tomar caminho para outra vertente. No final de 1763, obteve um posto bem remunerado como tutor do jovem duque de Buccleuch e deixou o cargo de professor.

Tornou-se seu acompanhante nas viagens, vivendo uma temporada na França, período determinante. Adam frequentava muitos salões literários, por isso tinha contato com várias pessoas ligadas à filosofia.

Foi nesse período que conheceu o pensamento iluminista e grandes líderes intelectuais da época, como François Quesnay, Turgot, d’Alembert, André Morellet e Helvétius.

Os fisiocratas se baseavam na primazia do direito natural, do poder da terra e dos proprietários, na liberdade de vender e comprar. Para eles, a melhor forma de governo baseava-se no lema: “laissez-faire, laissez-passer, le monde va de lui-même” (“deixai fazer, deixai passar, que o mundo caminha por si mesmo“).

Assim nasceu o interesse de Adam Smith pela economia. Quando voltou para Kirkcaldy, dedicou anos ao desenvolvimento e revisão das teorias que deram origem a obra-prima “A Riqueza das Nações”.

Morte

Em 1778, recebeu um posto confortável como comissário da alfândega da Escócia e foi viver com a sua mãe em Edimburgo. Nunca se casou e pouco se sabe da vida íntima, já que os escritos pessoais foram destruídos após a morte a seu pedido.

Adam Smith faleceu na capital escocesa em 17 de julho de 1790, aos 67 anos, depois de uma doença não especificada.

Teoria econômica de Adam Smith

A teoria econômica de Adam Smith, desenvolvida no século XVIII, foi uma das mais importantes para a formação do que conhecemos hoje como ciência econômica. A obra influenciou diretamente em áreas como: crescimento econômico, ética, educação, divisão do trabalho, livre concorrência, evolução social, entre outros assuntos.

Em fase produtiva, Adam vivenciou a era do Mercantilismo e do Absolutismo. Logo, suas ideias tiveram grande influência na burguesia europeia, pois atacavam a política econômica mercantilista promovida pelos reis absolutistas, além de contestar o regime de direitos feudais que ainda persistia em muitas regiões rurais da Europa.

Sua principal teoria baseava-se no conceito da total liberdade econômica para que a iniciativa privada pudesse se desenvolver, sem a intervenção do Estado.

A livre concorrência entre os empresários regularia o mercado, provocando a queda de preços e as inovações tecnológicas necessárias para melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o ritmo de produção.

“Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade.”

A teoria foi fundamental para o desenvolvimento do capitalismo nos séculos XIX e XX.

Principais obras de Adam Smith

“Teoria dos Sentimentos Morais”

Publicado em 1759, a obra trata de questões morais e tem uma postura curiosa com relação ao comportamento do ser humano. Nele, as especulações do autor se concentravam na busca de uma resposta à questão de que modo o homem, como indivíduo ou espécie, chegou a ser o que é e em mostrar a condição atual do homem como o resultado de alguns fatores, poucos e simples.

Em “Teoria dos sentimentos morais”, Adam Smith propõe uma “teoria da simpatia”, em que o ato de imaginar-se no lugar dos outros torna as pessoas conscientes de si e da moralidade de seu comportamento.

“A Riqueza das Nações”

Sua principal obra foi publicada em 1776, exercendo grande contribuição para o estudo da economia e tornando-se uma das mais influentes no mundo ocidental. O filósofo buscou diferenciar a economia política da ciência política, a ética e a jurisprudência.

A teoria principal defendida pelo autor em "A Riqueza das Nações" é a de que o desenvolvimento e o bem estar de uma nação advém do crescimento econômico e da divisão do trabalho.

A divisão do trabalho garantiria a redução dos custos de produção e a queda dos preços das mercadorias. Também defendeu a livre concorrência econômica e a acumulação de capital como fonte para o desenvolvimento econômico.

Citações

A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.

O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.

O que vai gerar a riqueza das nações é o fato de cada indivíduo procurar o seu desenvolvimento e crescimento econômico pessoal.

Felicidade é aquilo que ganhamos pelo agir.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Adam Smith; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/adam-smith >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:48.

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