Aleijadinho

Escultor, entalhador e arquiteto. Considerado o mais importante artista plástico do estilo Barroco

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Antônio Francisco Lisboa, conhecido como o Aleijadinho, nasceu em 1738 na então chamada Vila Rica, atual Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. Era filho do português Manuel Francisco Lisboa, um respeitado mestre de obras e arquiteto, e da sua escrava africana, Isabel.

Retrato Aleijadinho
Suposto retrato de Aleijadinho feito por Euclásio Penna Ventura (Foto: Wikipédia)

Aleijadinho iniciou sua vida artística ainda na infância. Aprendeu a entalhar e esculpir observando seu pai, que esculpia em madeira diversas imagens religiosas, e também seu tio Antônio Francisco Pombal, entalhador de Vila Rica.

Durante o século XVIII, as construções religiosas foram um importante elemento para o desenvolvimento de Minas Gerais. A medida que o ouro foi elevando a situação econômica do estado, surgiram ricas construções em pedra e alvenaria.

Foi nessa época que Aleijadinho começou a atuar como escultor, entalhador e projetista. Por volta dos 40 anos de idade, Aleijadinho começou a desenvolver uma doença degenerativa. Não se sabe exatamente qual enfermidade debilitou seus pés e mãos.

Porém, mesmo sofrendo com as limitações do seu corpo, Aleijadinho não desistiu de suas atividades. Com a ajuda de um discípulo, amarrava suas mãos com uma correia de couro para segurar o cinzel, o martelo e a régua, ferramentas necessárias para esculpir e entalhar.

As artes desenvolvidas por Aleijadinho na fase anterior a sua doença são marcadas pelo equilíbrio, harmonia e serenidade. Após a doença, o artista começou a dar um tom mais expressionista às suas obras.

Mesmo sofrendo preconceito devido a sua doença, motivo de seu apelido artístico, e pela sua condição de mestiço, sua arte e talento o consagraram como um grande artista do Brasil colonial.

Aleijadinho morreu pobre e doente na cidade de Ouro Preto no dia 18 de novembro de 1814. Seu corpo foi sepultado na Matriz de Antônio Dias, junto ao altar da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte.

Hoje em dia, Aleijadinho é considerado o mais importante artista plástico do Barroco Mineiro.

Principais obras de Aleijadinho

Talha

Como entalhador, foi documentado sua colaboração em pelo menos quatro grandes retábulos. O primeiro conjunto foi o projeto da capela-mor da Capela da Confraria dos Negros de São José, Vila Rica (1772). No entanto, foi executado por um artesão pouco qualificado que prejudicou o resultado estético da obra.

O conjunto considerado uma obra-prima do Barroco no Brasil é o retábulo da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Nele, Aleijadinho trabalhou a tendência de povoar com figuras o coroamento e chegou ao seu ponto alto. A obra possui um grande conjunto escultórico representando as três pessoas da Santíssima Trindade.

Todo o trabalho de talha realizado nessa obra cria um original jogo de planos diagonais através dos seus elementos estruturais e que se repete em outro grande conjunto que projetado por ele: a Igreja Franciscana de São João del-Rei.

A ilustração dos retábulos da Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1807-1809) foi a última obra projetada e executada pro Aleijadinho como entalhador antes de sua doença o obrigar a mais supervisionar do que executar suas ideias.

Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo feita por Aleijadinho
Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Foto: Flickr)

Escultura

Nas obras de Aleijadinho é possível notar a presença do estilo Barroco e Rococó. Também fica evidente algumas características que fazem parte da sua singularidade artística, como a expressividade, nariz proeminente, boca entreaberta e braços curtos.

Entre todas as esculturas desenvolvidas por Aleijadinho, os conjuntos do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, também conhecidos por Passos da Paixão, são considerados as obras mais importantes e representativas do estilo Barroco Brasileiro.

A Última Ceia por Aleijadinho
“A Última Ceia”, Santuário de Congonhas, por Aleijadinho (Foto: Wikipedia)

O trabalho é composto por 66 imagens religiosas, esculpidas em madeira entre 1796 e 1799, que representam as cenas da paixão de cristo. Produzidas em tamanho natural, as obras estão dispostas nas seis capelas da rampa do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos.

Passos da Paixão de Aleijadinho
“Passos da Paixão”, de Aleijadinho (Foto: Wikipedia)

A outra parte do conjunto de Matosinhos são “Os Doze Profetas”, entalhadas em pedra-sabão entre 1800 e 1805, caracterizado como uma das séries mais completas representando profetas na arte cristã ocidental.

Posicionados na ala central da escadaria estão os quatro principais profetas do Antigo Testamento: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os oito profetas menores foram escolhidos segundo a importância estabelecida na ordem do cânon bíblico: Baruc, Oseias, Jonas, Joel, Abdias, Amós, Naum e Habacuc.

Os doze profetas de Aleijadinho
Legenda: “Os doze profetas”, de Aleijadinho (Foto: Wikipedia)

Todo o conjunto do Santuário foi tombado Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e também declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Arquitetura

Só existe documentação que comprova a atuação de Aleijadinho como arquiteto na fachadas de duas igrejas, a Igreja de São Francisco, em São João del-Rei, e a Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto.

Fachada da Igreja de São Francisco em São João del-Rei
Fachada da Igreja de São Francisco em São João del-Rei (Foto: Wikipedia)

Algumas obras documentadas

Devido ao fato dos artistas daquela época não assinarem seus trabalhos, ainda é difícil realizar a identificação de todas as obras de Aleijadinho. Entres as já identificadas até o momento, algumas são:

  • 1752 – Ouro Preto: Chafariz do Palácio dos Governadores. Risco do pai, execução de Aleijadinho.
  • 1761 – Ouro Preto: Mesa e 4 bancos para o Palácio dos Governadores.
  • 1764 – Barão de Cocais: Esculpiu a imagem de São João Batista em Pedra Sabão e projetou a tarja do arco cruzeiro no interior do Santuário de São João Batista
  • 1771 – Rio Pomba: Medição do risco do altar-mor da Matriz.
  • 1781- Sabará: Cancelo, púlpitos, coro e portas principais da Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
  • 1785 – Morro Grande: Inspeção de obras na Matriz.
  • 1799 – Ouro Preto: Quatro anjos de andor para a Igreja de Nossa Senhora do Pilar.
  • 1810 – São João del-Rei: Risco da portada e cancelo para a Matriz
  • 1829 – Ouro Preto: Retábulos laterais para a Igreja de São Francisco, executados postumamente.

Curiosidades

  • Não existe qualquer registro de aparência de Aleijadinho em vida. Sua imagem é reproduzida através de uma representação imaginaria de Euclásio Penna Ventura. Uma pintura a óleo sobre pergaminho, sem data, que desde 1972 é reconhecida por lei a representação oficial do artista.
  • Aleijadinho perdeu todos os dedos dos pés, o que resultou em não poder andar senão de joelhos.
  • Aleijadinho sofria muito com a degeneração do seu corpo. Segundo alguns historiadores, o grau das dores que o apodrecimento do seu corpo causava, fazia com que o artista optasse pela automutilação.

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BRITO, Samara. Aleijadinho; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/aleijadinho >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 16:17.

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