Alfabeto grego

Pertencente ao grupo indo-europeu

O alfabeto grego é composto por 24 letras e algumas delas são conhecidas por representar símbolos nas ciências exatas como o pi, delta e gama, enquanto outras são nomes de estrelas.

O alfabeto grego originou-se a partir de uma variação do alfabeto semítico e desenvolveu-se por volta do século IX a.C. A partir dele surgiram os alfabetos gótico, glagolítico, cirílico, copto, armênio, etrusco e latino.

A língua grega pertence ao grupo indo-europeu, que contempla os países da Europa e parte da Ásia, e passou por diversas mudanças até chegar à formação moderna. Atualmente, o alfabeto grego é usado como base para o tsacônio e grego moderno.

A formação do alfabeto grego está intrínseco à história da língua grega, que é marcada por cinco importantes períodos: antigo (1.500 a.C a 900 a.C), ático ou clássico (600 a.C a 300 a.C), koiné ou período helenístico (300 a.C à 300 d.C), história medieval ou bizantino (330 d.C. a 1453 d.C.) e moderno (1917).

As letras do alfabeto grego

As 24 letras que compõem o alfabeto grego tiveram forte influência do alfabeto fenício. Contudo, sofreu adaptações com a inclusão de vogais e o desuso de algumas letras. As variantes do alfabeto grego deram origem ao alfabeto etrusco e latino.

Por ter sofrido intervenção da linguagem fenícia, era comum escrever em grego por meio do processo chamado bustrofédon, caracterizado pela escrita que começava pela esquerda em direção à direita, alternando os sentidos.

Alfabeto grego
O alfabeto grego tem sua origem datada há milênios de anos. (Foto: Pixabay)

Além das letras, os gregos convencionaram símbolos para representar números utilizando algumas de suas letras do alfabeto.

O sistema acrofônico utilizava as letras gregas iota, delta, gama, eta, nu e um em combinações simbólicas. No entanto, esse sistema foi substituído por um novo em que as letras aparecem acompanhadas de um apóstrofe, indicando seu valor numérico.

Com base nesse sistema, as nove primeiras letras do alfabeto correspondem a unidades, as nove seguintes indicam dezenas e demais unidades equivalem às centenas.

Em síntese, as letras do alfabeto grego são:

Letra Nome Letra Nome Letra Nome Letra  Nome
A α  Alfa Ι ι   Iota Q Qoppa  Ω ω Omega
B β Beta  Κ κ Κapa  Ρ ρ Rô  Ϡ, ϡ, Sampi
Γ γ Gama Λ λ Lambda Σ σ,ς Sigma    
Δ δ  Delta Μ μ Mi Τ τ  Tau     
Ε ε Épsilon Ν ν  Ni  Υ υ Upsilon    
 ζ Zeta Ξ ξ Csi Φ φ Fi    
Η η Eta Ο ο Ômicron Χ χ Chi    
Θ θ Teta Π π Pi  Ψ ψ  Psi       

Nota: as letras Digama, Waw, Ηeta, Heth, San, Sade e Sho desapareceram do alfabeto grego.

Contexto histórico

O alfabeto grego provém de milênios de anos antes de Cristo, época em que existia uma linguagem comum falada entre os povos primitivos na Ásia. Com o passar dos anos esses grupos dispersaram-se e possibilitaram a origem de novas linguagens.

Registra-se que a primeira grafia grega foi o silabário Linear B, também conhecido como proto-grego, usado com a linguagem micênica. Essa fase perdurou até a Idade do Bronze, quando houve a queda da Civilização Micênica. Acredita-se que essa foi a linguagem primária que deu origem às demais variantes da língua grega.

No tempo em que na Grécia antiga ficou conhecida (também chamada por alguns autores e pesquisadores como período “formativo”) era falado o grego primitivo. Esse dialeto nasceu dos indo-europeus, que chegaram na Península Balcânica e povoaram várias regiões da Grécia. Nesse período apareceram os dialetos arcádio- chipriota, jônico, eólico e dórico.

pergaminho com escrita em alfabeto grego
Alfabeto grego utilizado em pergaminho. (PxHere)

No tempo do grego antigo a escrita era baseada no alfabeto dos fenícios. Nesse período, as letras vogais foram incluídas no alfabeto grego que possuía, apenas, consoantes e numerais. Assim, os famosos poemas Ilíada e Odisseia foram escritos com base nesse novo sistema de letras.

Por volta de 600 a.C. houve uma forte influência da escrita grega sobre a literatura (alguns pesquisadores adotam o período de 900 a.C.). Nesse contexto considerado clássico predominou o dialeto ático, proveniente da linguagem dos jônicos. Essa escrita foi adotada por nomes de destaque da época como Platão, Sócrates e Ésquilo.

A linguagem ática ficou comum a todos os povos que habitavam o Oriente Médio. Esse fato foi atribuído historicamente ao rei da Macedônia Alexandre, o Grande por meio da helenização, que contribuiu para a disseminação da sua cultura por todo o império grego.

A helenização possibilitou que surgisse um novo período marcante para a escrita grega: o período koiné ou helenístico, que ficou conhecido por ser uma variação simples da linguagem grega ática.

O grego Koiné foi a escrita utilizada no Novo Testamento. Essa linguagem possuía muitas metáforas, mas mesmo assim era falada por todas as classes gregas, incluindo as pessoas sem estudos ou conhecimentos literários.  

Embora fosse comumente usado, o grego koiné foi abolido com o declínio do Império Greco-Romano, quando o acesso à literatura e às escolas tornou-se restrito à igreja e a alguns estudiosos.

Após o enfraquecimento do Império Grego-Romano, a Constantinopla (atual Istambul) tornou-se o centro mais poderoso que marcou o Império Romano diante da instabilidade política no reinado de Constantino I.  

Nesse cenário surgiu um novo dialeto grego, denominado de grego medieval ou grego bizantino, cujo uso foi predominante na Ásia menor e em Bizâncio.

No final do século XIX, a classe letrada de Roma decidiu sistematizar a linguagem popular adequando-o para o ensino e para a comunicação. Com isso, originaram-se o katharévousa, considerado um grego puro, e o dimotikí, uma espécie de grego popular que foi adotado como idioma oficial em 1917.

Em suma, atualmente, a língua grega oficial é o grego moderno, o tipo linguístico falado nas ruas gregas e que representa o estágio atual dentre todos os níveis de desenvolvimento dessa linguagem. Ainda, assim, possui muitas variações como o Grego Demótico, Capadociano, Pôntico, Katharevousa, Ievânico, Tsakoniano, Cretense e Griko.

Até chegar à atual linguagem do vocabulário grego houve muita mudança. Do grego clássico ao atual muitas diferenças são notadas, incluindo alterações fonéticas. Contudo, ressalta-se que apesar das diversas alterações no alfabeto grego, as letras do grego antigo continuam com escritas iguais ou parecidas, mas com pronúncias diferentes.

Resumo sobre alfabeto grego

O alfabeto grego possui 24 letras, com algumas sendo famosas entre os estudantes por representar algumas fórmulas de matemática, como o pi, delta e gama.

Este alfabeto surgiu graças a uma variação do alfabeto semítico e desenvolveu-se por volta do século IX a.C. Nos dias atuais o alfabeto grego é usado como base para o tsacônio e grego moderno.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Chérolet, Brenda. Alfabeto grego; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/alfabeto-grego >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 17:16.

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