Aliança Nacional Libertadora

Grupo político organizado contra o governo de Vargas

A Aliança Nacional Libertadora (ANL) foi uma associação política no Brasil fundada em março de 1935 pelo Partido Comunista do Brasil (PCB). O objetivo da organização era contestar o totalitarismo imposto pelo governo de Getúlio Vargas.

Essa organização foi criada depois da reunião de um grupo formado por uma frente esquerda composta por antifascistas, comunistas, socialistas, intelectuais e militares. A associação pretendia dar apoio aos militantes que lutavam contra o governo.

Em janeiro de 1935, a Câmara Federal foi cenário para o primeiro manifesto público da organização que relatou sobre a indignação do povo brasileiro em relação à situação política e econômica do país.

Era necessário combater o imperialismo e o fascismo instaurado no país com a ocupação de Vargas. Além disso, nessa exposição pública esclareceram a natureza das exigências.

Propostas da ANL

As propostas do grupo representativo se constituíam na reivindicação de algumas diretrizes, entre elas a instauração de um governo popular, a nacionalização das empresas estrangeiras, a proteção aos pequenos e médios proprietários, a descontinuação do pagamento da dívida externa do país, a defesa da democracia e a execução da reforma agrária.

O diretório oficial da Aliança Nacional Libertadora era constituído por Herculino Cascardo como presidente e Amoreti Osório sendo vice-presidente. Participavam ainda da ANL pessoas como Roberto Sisson, Manuel Venâncio Campos da Paz, Francisco Mangabeira e Benjamim Soares Cabello.

Nessa década, Luís Carlos Prestes recebeu o convite para ser presidente de honra por meio dos líderes da organização por ele ter sido o principal líder da Coluna Prestes, movimento no qual se tentou destituir o Governo Federal com atividades de militância pelo país. No entanto, Prestes estava na União Soviética e as expectativas que ele conduzisse o grupo eram muito altas. Ele era conhecido como o “Cavaleiro da Esperança”.

Com isso, o povo foi percebendo que tais necessidades eram urgentes, desse modo aumentaram os esforços para criticar ou denunciar ações do governo que ameaçassem a liberdade da população.

Milhares de pessoas se filiaram a Aliança Nacional Libertadora, que promoveu intensas manifestações populares em diversas cidades do Brasil. Dois jornais ligados a própria entidade divulgava toda a ação praticada nas concentrações.

Essa movimentação motivou o crescimento da Ação Integralista Brasileira (AIB) que já existia no país.

Ação Integralista Brasileira

A Ação Integralista Brasileira (AIB) surgiu em 1932 inspirada pelo regime fascista em ascensão em países da Europa. A organização política foi fundada por Plínio Salgado depois de ser influenciado por Benito Mussolini, líder fascista da Itália.

No início é criada a Sociedade de Estudos Políticos (SEP), a qual reunia simpatizantes das ideias autoritaristas de Plínio. Com o bom desempenho da SEP, surge o manifesto integralista que motiva a criação da AIB.

A AIB rejeitava o socialismo como organização social e defendia o nacionalismo cultural. Diferentemente do fascismo nazista e italiano, a AIB considerava a miscigenação brasileira. Seu lema era “Deus, Pátria e Família”, deixando clara sua estruturação.

A Ação Integralista Brasileira se tornou a maior opositora ideológica da Aliança Nacional Libertadora. As ruas foram tomadas diversas vezes com conflitos entre ambas organizações.

Declínio da Aliança Nacional Libertadora

Ao voltar para o Brasil em abril de 1935, Luís Carlos Prestes se instaurou clandestinamente no país como estratégia política para iniciar uma revolução armada. Prestes estava acompanhado de um experiente grupo de estrangeiros militantes, do qual fazia parte sua esposa Olga Benário, que também era militante. Tal atitude induzida pelos interesses soviéticos demonstrava a contrariedade de opiniões e perspectivas em relação à ANL.

A tensão política aumentava no país, à medida em que a Aliança Nacional Libertadora crescia. Houve muitos conflitos entre membros da AIB, que eram chamados de integralistas e da ANL que eram referidos como aliancistas.

Os membros da Aliança Nacional Libertadora providenciaram uma homenagem aos movimentos tenentistas que ganharam força entre os anos de 1922 e 1924, no final da República Velha. A demonstração de admiração foi feita durante uma sequência de manifestações realizadas nas ruas.

No decorrer do evento, uma declaração de Prestes que sustentava a ideia de derrubada do governo Vargas foi lida em público. O manifesto teve grande repercussão e, com base na Lei de Segurança Nacional, o presidente determinou o fim da Aliança Nacional Libertadora.

A ANL passou a atuar na ilegalidade, porém não poderia mais elaborar grandes manifestações. Ainda assim, os membros do partido comunista tentaram se fortalecer internamente para poderem encabeçar um golpe contra o Estado.

Intentona Comunista

Em novembro de 1935, uma rebelião nomeada de Intentona Comunista que envolvia o nome da Aliança Nacional Libertadora foi deflagrada em Natal (RN), onde obteve-se apoio popular. Posteriormente, Recife e Rio de Janeiro também vivenciaram levantes populares.

As tentativas de derrotar a gestão atual foram frustradas pelo Governo Federal, que imediatamente conseguiu conter a revolta. A partir daí, houve intensa repressão contra todo e qualquer grupo de oposição esquerdista.

A Intentona Comunista também ficou conhecida como Revolta Vermelha de 35, Revolta Comunista de 35 e Levante Comunista. A luta foi iniciada por militares e teve apoio do PCB, além de boa parte da população que era contra o autoritarismo, o imperialismo e as oligarquias.

Como apresentava grande ameaça ao governo, a Aliança Nacional Libertadora foi o principal alvo de punição, o que contribuiu para sua total desarticulação. A luta da ANL finaliza com a prisão de seus integrantes, inclusive de Prestes.

O líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, em julgamento pelo Tribunal de Segurança, 1937, após fim da ANL
Luiz Carlos Prestes no Tribunal de Segurança, 1937, após fim da Aliança Nacional Libertadora. (Foto: Wikipédia)

Sua esposa Olga Benário foi deportada para seu país de origem grávida. Sua ida para a Alemanha era uma sentença de morte, pois Olga era judia. Apesar de saber, Getúlio decretou a deportação. A filha Anita Leocádia Prestes nasceu na prisão da Alemanha em 1936 e depois foi resgatada pela avó paterna após uma enorme campanha internacional. Olga foi assassinada no campo de concentração nazista de Ravensbrück, na câmara de gás.

A queda do Estado Novo, em 1945, e a anistia concedida ao líder comunista, permitiu a volta de Prestes à política sendo este eleito senador pelo Distrito Federal de 1946 a 1948. O comunista passou sua vida defendendo a criação de um partido que fosse realmente revolucionário, mas também conviveu com perseguições políticas. Prestes faleceu em 7 de março de 1990.

Revolução Constitucionalista de 1932

Além da Intentona Comunista, houve antes a Revolução Constitucionalista de 1932. Esse movimento também conhecido como Revolução de 1932 ou Guerra Paulista teve o objetivo de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas. Aconteceu entre os meses de julho e outubro nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Outra finalidade dessa revolução era instituir uma Assembleia Nacional Constituinte.

O surgimento dessas revoluções tiveram início com a tomada de poder de Getúlio Vargas na década de 30, conhecida como Revolução de 1930.

A Revolução de 1930 foi um golpe de Estado que marcou o fim da República Velha, retirou do poder o presidente da república Washington Luís e impediu o atual ganhador das eleições, Júlio Prestes, de tomar posse da presidência.

O Golpe de 1930, como também é conhecido, foi liderado pelo oposicionista mineiro Getúlio Vargas que havia perdido as eleições. Com isso, Vargas foi quem assumiu o governo provisório, o que mais tarde vinha a ser a ditadura militar no Brasil. Várias revoluções aconteceram para destituir Vargas do poder, mas só em 1945 com muita pressão política para o fim do Estado Novo, é que ele foi afastado.

 

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Oliveira, Darcicleia. Aliança Nacional Libertadora; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/alianca-nacional-libertadora >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 22:29.

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