Amensalismo

Relação desarmônica

O amensalismo, também chamado de antibiose, é uma relação desarmônica na qual indivíduos de uma população liberam substâncias que inibem o crescimento ou a reprodução de outras espécies.

Durante o amensalismo duas espécies estão envolvidas: a inibidora (secreta substâncias) e a amensal (prejudicada). Uma espécie interfere na harmonia natural da outra, mas sem que a primeira tenha qualquer alteração na própria harmonia.

O clássico exemplo de amensalismo são os antibióticos produzidos pelos fungos e que impedem a multiplicação das bactérias. Esses medicamentos são frequentemente utilizados para combater infecções bacterianas.

Outro exemplo dessa relação desarmônica é a maré vermelha. Esse fenômeno, apesar de bonito, provoca a morte de várias espécies marinhas em detrimento da reprodução demasiada das algas dinoflageladas (Filo Dinophyta).

A maré vermelha é um exemplo de amensalismo
Na maré vermelha as algas produzem uma toxina que provoca a morte de vários organismos marinhos. (Foto: Wikipédia)

Exemplos de amensalismo

Quando imaginamos a relação de amensalismo, em que organismos de uma espécie prejudicam outros para sobreviverem, a primeira impressão que temos é que isso é ruim. O que não é.   

Todas as relações ecológicas entre os seres vivos têm o objetivo de sobrevivência das espécies. Isso é resultado de um longo período de evolução e essencial para o equilíbrio ecológico do planeta. Confira abaixo alguns exemplos:

Fungos

Para entender como funciona a antibiose, vamos conhecer um pouco mais sobre a descoberta da penicilina, substância considerada como a primeira opção no tratamento de infecções bacterianas causadas por organismos Gram-positivos.

Acredita-se que a descoberta desse fármaco foi acidental. Alexander Fleming, em 1928, dedicava-se ao estudo da bactéria Staphylococcus aureus, mas ao sair de férias esqueceu o seu material de estudo sobre a mesa.

Ao retornar, notou que as culturas de bactérias estavam contaminadas por mofo e, nos locais onde havia o fungo, se formaram halos transparentes em torno deles, o que poderia indicar a presença de um substância bactericida.

Ao estudar esse bolor, Fleming identificou que pertencia ao gênero Penicillium e fornecia uma substância capaz de destruir diversas bactérias, assim como aconteceu com a Staphylococcus. Mais tarde, a substância recebeu o nome de penicilina.

Maré vermelha

A maré vermelha é um fenômeno caracterizado pela multiplicação excessiva de algas do Filo Dinophyta. Em função disso, formam-se manchas com tons que variam entre o vermelho e marrom, e se estendem por vários quilômetros.

Nesse fenômeno, a toxina (floração tóxica) produzida pelas algas provoca a morte de várias espécies que vivem naquele ambiente, como peixes marinhos e costeiros, aves e mamíferos marinhos (principalmente o peixe-boi).

Existem duas causas para esse fenômeno: 1) alteração da salinidade e temperatura da água e 2) aumento dos níveis de nutrientes na água. Contudo, alguns estudos apontam que esse é um fenômeno natural, enquanto outros indicam que é problema antrópico.

Plantas

As raízes de algumas plantas secretam substâncias ou organizam-se de modo que são capazes de impedir e/ou prejudicar o desenvolvimento de outras espécies que habitam o mesmo local.

Quando caem no solo, as folhas do eucalipto e do pinheiro liberam uma substância que reduz a ocorrência de germinações de outras plantas. Isso diminui a competição por água e nutrientes.

A antibiose entre as plantas também ocorre quando árvores de grande porte tendem a tornar o ambiente afótico, isto é, sem luz. Deste modo, os organismos que estão nos níveis mais baixos não recebem luz suficiente e têm o crescimento comprometido.

O pinheiro possui uma relação de amensalismo
O pinheiro inibe a germinação de outras plantas ao redor. (Foto: Pixabay)

Amensalismo e outras relações ecológicas

Os seres vivos relacionam-se com outros da mesma espécie (relações intraespecíficas) ou de espécies distintas (relações interespecíficas). Contudo, existem algumas diferenças e semelhanças entre os modos de convivência entre eles. Saiba como diferenciá-las:   

Amensalismo e alelopatia – essas duas relações desarmônicas são bem semelhantes, isso porque em ambas há presença de uma espécie que secreta uma substância e outra que é afetada.

Porém, na alelopatia as espécies competem diretamente entre si e uma delas é beneficiada. No caso das plantas, pode ocorrer o comprometimento na absorção de nutrientes, no crescimento, na fotossíntese, na atividade enzimática, etc.

Amensalismo e comensalismo – quando as hienas, por exemplo, se alimentam dos restos de caças deixados pelos leões isso se caracteriza como uma relação harmônica de comensalismo.  

No comensalismo, uma das espécies é beneficiada sem prejudicar a outra. Já no amensalismo, um dos organismos é prejudicado, enquanto a outro não tem nenhuma vantagem ou prejuízo.

Amensalismo e parasitismo – carrapatos que se alimentam do sangue de cachorros e vermes que transitam no intestino dos humanos são dois exemplos de relações desarmônicas parasitárias.  

Como nome sugere, o parasita é aquele organismo que se associa a outro (o hospedeiro) para conseguir alimento, causando-lhe doenças. Enquanto no amensalismo, a espécie que ocasiona o prejuízo não obtém benefício.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

CAIUSCA, Alana. Amensalismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/amensalismo >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 01:20.

Copiar referência

Outros Artigos de Biologia

Celoma

O Celoma tem origem do latim “cele” que significa “cavidade”. […]

Cavalo Marinho

O Cavalo Marinho é da espécie do Hippocampus, um gênero […]

Cavalo

O Cavalo é um animal mamífero que pertence a um […]

Caule

O Caule é o órgão que conduz as seivas das […]