Anacoluto

É uma figura de linguagem

O anacoluto é uma das figuras de linguagem da Língua Portuguesa. Essa figura de linguagem é marcada por quebrar a estrutura sintática de uma frase.

Com a quebra sintática, o termo inicial da oração fica “solto”. Esse termo faz a introdução sobre o assunto que será abordado na frase, porém ficando separado do restante da oração.

O anacoluto pode ser identificado facilmente na linguagem oral, essa linguagem é mais dinâmica e natural, deixando espaço para as mudanças de pensamento e interrupções inesperadas do discurso.

Exemplos de anacoluto

Veja algumas frases onde o anacoluto é empregado:

  • Josiane, a conversa mantinha-a dispersa durante a aula.
  • Conselhos, se fossem bons não se davam, vendiam-se!
  • Adolescentes, como ter paciência com eles?
  • Meu pai, ouvi dizer que está muito cansado.
  • Eu, ele está sempre querendo brigar comigo.

Anacoluto na literatura

Veja exemplos em que o anacoluto foi utilizado por grandes autores:

  • “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura”. (Manuel Bandeira)
  • “A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha.” (Camilo Castelo Branco)
  • “Umas carabinas que guardavam atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas, de tão imprestáveis.” (José Lins do Rego)
  • “Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas.” (Alcântara Machado)
  • “O homem, chamar-lhe mito não passa de anacoluto.” (Carlos Drummond de Andrade)
  • “O relógio da parede eu estou acostumado com ele, mas você precisa mais de relógio do que eu”. (Rubem Braga)

A palavra anacoluto é derivada do latim anacoluthon, originada do grego anakoluthos. O termo anacoluto faz referência ao ato de não seguir pelo mesmo caminho.

Figuras de construção

Além do anacoluto, existem outras figuras de linguagem na Língua Portuguesa. Agora, iremos aprender o que são figuras de construção e em seguida as características e exemplos de algumas delas.

As figuras de construção integram o grupo de figuras de linguagem. As figuras de construção também são chamadas de figuras de sintaxe, elas são usadas para realizar mudanças na estrutura da frase e deixar o texto com mais expressividade.

Essas figuras desempenham diferentes funções dentro de um período. Conheça a seguir algumas delas:

Pleonasmo

No pleonasmo ocorre a repetição de um termo ou de uma ideia já existente na frase. O pleonasmo pode ser literário ou vicioso. Confira o exemplo de pleonasmo no poema de Manuel Bandeira:

“Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite”

Anáfora

Na anáfora o autor faz a repetição de palavras para reforçar a ideia existente naquele contexto. Essa figura de linguagem é muito usada em poesias e músicas. Em grande parte dos casos a repetição acontece no início da frase.

Confira o exemplo de anáfora em um trecho escrito por Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol.

Polissíndeto

O polissíndeto é caracterizado pela repetição da conjunção coordenativa. Esse mecanismo é utilizado para dar maior ênfase ao texto. Confira os exemplos a seguir:

“Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro.” (Fernando Pessoa)

“Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita, luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se despedaça, e morre.” (Olavo Bilac)

Assíndeto

Ocorre o assíndeto quando duas orações são ligadas sem o uso de conectivos. Veja o exemplo:

Eu tenho uma lista de coisas para fazer: estudar, trabalhar, visitar meus pais, ir ao mercado, nunca mais chegarei cedo a casa.

Anacoluto é uma figura de sintaxe
As figuras de linguagem são usadas em diferentes tipos de textos. (Foto: Dreamstime)

Silepse

A silepse é classificada em três tipos:

  • Silepse de Gênero: nesse tipo de silepse ocorre a discordância entre os gêneros;
  • Silepse de Número: aqui acontece a discordância em número (singular e o plural);
  • Silepse de Pessoa: o sujeito se apresenta na terceira pessoa e o verbo na primeira pessoa do plural.

Exemplos:

  • São Paulo é suja. (silepse de gênero)
  • Um bando de crianças gritavam assustadas. (silepse de número)
  • Todos os jogadores estamos preparados para o confronto. (silepse de pessoa)

Elipse

A elipse é caracterizada pela omissão de palavras de uma oração. Contudo, os termos omitidos podem ser identificados através do contexto.

Exemplo:

Estávamos satisfeitos com o resultado dos jogos. (O modo de conjugação do verbo “estávamos”, propõe que o termo oculto é “nós”.)

Zeugma

A zeugma apresenta semelhanças com a elipse, porém o termo é suprimido para evitar a repetição da palavra.

Exemplo:

Luciana comeu macarrão, eu (comi) arroz.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Oliveira, Filipe. Anacoluto; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/anacoluto >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 23:08.

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