Anísio Teixeira

Professor, jurista, escritor, administrador público e educador

Anísio Teixeira foi um intelectual, jurista, escritor e educador brasileiro, considerado um dos personagens mais importantes na história da educação no país. Nasceu em Caetité, Bahia, no dia 12 de julho de 1900 e morreu no Rio de Janeiro em 11 de março de 1971.

Dedicou a vida em prol da militância pela educação e foi responsável por uma série de mudanças e reformas no sistema educacional do Brasil.

Fundou a Universidade do Distrito Federal, hoje conhecida como Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e a Universidade de Brasília. Anísio sonhava com escolas públicas, democráticas e acessíveis para todos.

A Vida de Anísio Teixeira

Anísio Spínola Teixeira era filho de Deocleciano Pires Teixeira, um médico, fazendeiro e chefe político do município de Caetité. Deocleciano casou-se com três irmãs, sucessivamente, sendo a terceira a mão de Anísio. Ainda eu sua cidade natal, estudou no Colégio São Luís Gonzaga, instituição jesuíta. 

Depois estudou no Colégio Antônio Vieira, outro colégio de jesuítas, desta vez em Salvador. Nesse período, Anísio almejava entrar para a Companhia de Jesus, mas em pouco tempo precisou mudar de planos, já que seu pai desejava que entrasse para a carreira política.

Entrou para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para cursar Direito e, no ano de 1922, concluiu o curso. Em 1924, voltou para a Bahia e foi nomeado Inspetor Geral de Ensino pelo então governador Francisco Marques de Góis Calmon.

No ano de 1925, viajou por diversos países da Europa (Itália, França, Espanha, Bélgica, entre outros) com o intuito de observar os sistemas de ensino desses países e formar um modelo ideal de educação.

Ainda no ano de 1925 Anísio Teixeira voltou para a Bahia e aplicou alguma das suas descobertas no sistema de educação do Estado. Em 1927, viajou novamente, desta vez para os Estados Unidos, e lá buscou entender melhor a ideias John Dewey,  filósofo e pedagogo que muito o influenciou.

No ano de 1927, pediu demissão do cargo de inspetor,  já que o governador da Bahia não apoiava mais as suas ideias de mudanças no sistema educacional.

Ainda no ano de 1927, voltou aos EUA, conheceu John Dewey e se tornou seu discípulo. Nesse mesmo período,  ingressou na Universidade de Colúmbia e, no ano seguinte, se formou com o título de mestre pelo Teacher’s College.

É importante destacar que Anísio foi uma das primeiras pessoas a traduzir os escritos de Dewey para o português.

Continuação da Carreira Pública

De volta ao Brasil, passou a residir no Rio de Janeiro. No ano de 1931, começou a trabalhar como funcionário do Ministério da Educação e Saúde Pública e logo depois passou a trabalhar como diretor-geral do Departamento de Educação do Distrito Federal.

Durante mandato, Anísio Teixeira instituiu a integração da “Rede Municipal de Educação”, do ensino fundamental à universidade, um dos seus feitos mais importantes.

A partir desse momento, passou a desempenhar papel importante e de destaque na educação do Brasil. No ano de 1932, participou de um grupo com cerca de 25 educadores que buscavam tornar o ensino livre e gratuito. Esse movimento ficou conhecido como “Escola Nova”.

Em 1932, foi divulgado o “Manifesto da Escola Nova”, trazendo as propostas de remodelagem do ensino. No ano de 1936, criou a Universidade do Distrito Federal, baseada nas propostas do manifesto que ajudou a escrever. Essa foi uma das ações mais emblemáticas do educador.

Em razão da criação da universidade, passou a sofrer perseguição do governo de Getúlio Vargas. Com medo do que poderia acontecer, pediu demitiu do cargo de diretor da universidade que havia criado e se mudou de volta para Bahia, onde ficou até o ano de 1945.

Em 1946, foi nomeado Conselheiro Geral da UNESCO e, no ano seguinte, assumiu o cargo de Secretário de Educação na Bahia. Nesse período realizou importantes mudanças na pasta da educação do Estado, sendo a mais importante delas a criação de um novo modelo de educação integral chamado de “Escola Parque”, implantado principalmente na capital baiana.

Foi também Secretário Geral da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior – CAPES, no ano de 1951. No ano seguinte, atuou no campo da valorização da pesquisa educacional no Brasil, com o cargo de Diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP). Permaneceu nesse cargo até o ano de 1964.

É importante destacar que durante o período que foi diretor do INEP, Anísio Teixeira criou o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, além dos centros regionais de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco. Essas ações foram essenciais e serviram de base para o surgimento do modelo de educação geral que temos nos dias atuais.

Ainda nos anos 50, foi uma importante figura nos debates e discussões que gerou a implantação da lei que regulariza e define a organização da educação brasileira baseada nos princípios da Constituição, batizada como a Lei de Diretrizes e Base.

Ao lado do também educador Darcy Ribeiro, fundou a Universidade de Brasília, onde foi reitor entre os anos de 1963 e 1964.

No ano de 1965, se mudou novamente para os Estados Unidos, em razão da instalação da Ditadura Militar no Brasil. Trabalhou como professor na Universidade de Colúmbia e na Universidade da Califórnia. Voltou ao seu país de origem no ano seguinte e passou a desempenhar a função de consultor da Fundação Getúlio Vargas.

Em 1970, recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ano seguinte, no mês de março, foi dado como desaparecido e no dia 11 de março de 1971 encontrado morto no fosso de um elevador.

A versão oficial da perícia apontou acidente. Outras versões dizem que Anísio Teixeira foi vítima das forças de repressão do governo do general Emílio Médici.

Legado de Anísio Teixeira

Além de todo os feitos já citados, Anísio Teixeira também foi responsável pela criação do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador. Essa instituição foi pioneira no país por trazer, em seu projeto, as ideias transformadoras de Anísio, como a educação profissionalizante e integral voltada para as classes mais pobres.

Após a sua morte, a “Escola Parque”, localizada em Caetité, passou a ser chamada de Instituto de Educação Anísio Teixeira, como uma homenagem ao educador que foi figura central na criação da instituição. Atualmente, o centro é dirigido pela sua filha Anna Cristina Teixeira de Barros, com apoio dos governos municipal e estadual.

A Casa Anísio Teixeira é um centro de memória, museu e espaço cultural do Instituto de Educação Anísio Teixeira, que tem como principal função preservar o memorial, os grandes feitos e as obras do educador. Existem várias escolas, centros educacionais e instituições que levam o nome do educador como forma de homenagem.

Monumento Casa Anísio Teixeira.
A Casa Anísio Teixeira é um espaço cultural que preserva a memória do educador. (Foto: Wikipedia)

Principais obras 

  • “Aspectos americanos de educação” (1928);
  • “Em marcha para a democracia: à margem dos Estados Unidos” (1934);
  • “Educação para a democracia” (1936);
  • “A educação e a crise brasileira” (1956);
  • “Educação não é privilégio” (1957);
  • “Educação e Universidade” (1962);
  • “Educação é um direito” (1968);
  • “Educação no Brasil” (1969);
  • “Educação e o mundo moderno” (1969);
  • “Pequena introdução à filosofia da educação” (1971).

Citações

Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.

Revolta-me saber que dos cinco milhões que estão na escola, apenas 450.000 conseguem chegar a 4ª série, todos os demais ficando frustrados mentalmente e incapacitados para se integrarem em uma civilização industrial e alcançarem um padrão de vida de simples decência humana.

Como a medicina, a educação é uma arte. E arte é algo de muito mais complexo e de muito mais completo que uma ciência.

Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.
A sabedoria é a subordinação do saber ao interesse humano e não ao próprio interesse do saber pelo saber e muito menos a interesses parciais ou de certos grupos humanos.

Sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Maria Azevedo, Amanda. Anísio Teixeira; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/anisio-teixeira >. Acesso em 19 de outubro de 2019 às 11:30.

Copiar referência