Antero de Quental

Escritor português que marcou o Realismo

Antero de Quental foi um poeta e escritor português nascido na ilha portuguesa dos Açores e foi o quarto de sete irmãos. De personalidade forte, o poeta foi líder político, estudou Direito e organizou uma sociedade que buscava apresentar a literatura como ferramenta modificadora de uma nação. 

O poeta expressava sua escrita por meio de suas próprias experiências íntimas. Por ser bipolar, vivia entre altos e baixos de isolamento. Falava de questões existenciais provenientes de sua juventude, contestava a realidade política da época e liderava movimentos anarquistas com o intuito de melhorar o cenário social.

Em suas obras, criticava o velho Romantismo em Portugal e trazia um tipo de realismo jovem, em que retratava ideias pautadas em justiça e liberdade.

Trajetória do poeta

Antero de Quental nasceu em 18 de abril de 1842 em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel nos Açores. Era filho de Ana Guilhermina da Maia e Fernando de Quental, um guerreiro liberal. Teve sete irmãos, mas sua família foi marcada por mortes prematuras e doenças mentais.

Antero de Quental foi um poeta português.
Antero de Quental foi um poeta português que falava sobre juventude e existência.

A vida do poeta Antero de Quental foi marcada por três caminhos: política, poesia e filosofia. Está no grupo dos grandes poetas de destaque da Literatura Portuguesa.

Ele iniciou seus estudos nos Açores, aos 16 anos se mudou para Coimbra, depois ingressou na Faculdade de Direito. Lá, se interessou por práticas políticas e fundou a chamada Sociedade do Raio que tinha como objetivo transformar a nação portuguesa inteira por meio da literatura.

Começou publicando sonetos no ano de 1861 e logo depois lançou sua obra mais famosa, “Odes Modernas”, que marcou a Questão Coimbrã, movimento literário polêmico que destacou uma visão diferente do cenário de escritores e poetas de Portugal na metade do século XIX.

Nessa obra, Antero de Quental responde à crítica de António Feliciano de Castilho, um antigo poeta romântico que não gostava dos jovens da Escola de Coimbra.  Castilho criticava o fato dos novos escritores não terem bom senso e bom gosto, serem muito exibicionistas e arruinarem o verdadeiro significado da poesia.

Antero de Quental respondeu com uma carta de título Bom senso e Bom gosto em provocação às declarações do velho autor romântico. No texto, Antero de Quental demonstra ansiedade pela modernização do mundo e da literatura, e critica os valores antiquados e religiosos que provém do Romantismo.

A Questão Coimbrã marcou a relação de disputa entre o Romantismo e o Realismo.

A partir daí é conhecida a Geração de 70 (1870) que era formada por Antero de Quental e outros poetas portugueses estudantes de Coimbra que propunham uma construção literária diferente em Portugal. Era também parceiro de Eça de Queiroz.

A modernização europeia que já estava em curso era um dos pilares mais defendidos pelos jovens autores e também a introdução ao Realismo. Já a Escola do Elogio Mútuo era formada por poetas românticos com ideais mais conservadores, a maioria desses autores era professores dos jovens da escola de Coimbra.  

Mais tarde, Antero fundou um jornal em Lisboa chamado de A República – Jornal da Democracia Portuguesa e também tinha o costume de se reunir com delegados para propor ações anarquistas visando uma renovação para os trabalhadores portugueses.

Fez alguns discursos polêmicos em que afirmava que tanto Portugal como Espanha eram atrasados em comparação com o restante dos países da Europa. Foi ainda editor de periódicos e revistas, e teve muitos textos publicados.

No ano de 1873 herdou uma grande quantidade de dinheiro que o cobriu pelo resto da vida. Sofreu de Tuberculose mas conseguiu se recuperar e logo após publicou uma segunda edição de Odes Modernas.

Morou na cidade do Porto e alguns anos depois, em 1886, publicou uma de suas obras de maior prestígio: “Sonetos Completos”, que carrega atributos do Simbolismo e de autobiografia. Na mesma época adotou duas filhas de um amigo que morreu.

Em 1891, sofrendo de severa depressão, regressou para Ponta Delgada e cometeu suicídio com dois tiros na cabeça em um banco de jardim.

Estilo literário de Antero de Quental

Antero de Quental criticava o Romantismo, mas também teve sua primeira fase inspirada no estilo com foco em temáticas religiosas e não em amor romântico.  A fase teve como peculiaridade o sentimentalismo adolescente, visto em vários poemas do livro “Primaveras Românticas.

A fase realista veio com a obra conhecida Odes Modernas, repleta de ideias de justiça e pensamentos sobre dignidade e liberdade humana. Para Antero de Quental, escrever significava revolucionar.

Na terceira e última fase de sua carreira literária, o poeta estava afundado em questões dramáticas e filosóficas, com um toque de metafísica em que ele se mostrava pessimista e angustiado em seus versos. Falava de morte e também buscava o entendimento acerca de Deus e da religiosidade. Apresentou toda essa fase de sua arte em forma de soneto.

Sua obra conta também com outras características particulares: frustração diante da imperfeição da vida, tristeza profunda e tragédia humana.

Principais obras de Antero de Quental

  • “Sonetos de Antero”, de 1861
  • “Beatrice e Fiat Lux”, de 1863
  • “Odes Modernas”, de 1865 
  • “A Poesia na Atualidade”, de 1881
  • “Sonetos Completos”, de 1886
  • “A Filosofia da Natureza dos Naturistas”, de 1886 
  • “Portugal perante a Revolução de Espanha”, de 1868
  • “Causas da decadência dos povos peninsulares”, de 1871
  • “Primaveras Românticas’, de 1872

Trechos dos trabalhos mais conhecidos

Da obra Sonetos Completos:

Conheci a beleza que não morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra 
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,

Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre;
Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
Perder a cor, bem como a nuvem que erra
Ao pôr-do-sol e sobre o mar discorre.

Pedindo à forma, em vão, a ideia pura,
Tropeço em sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.

Recebi o batismo dos poetas,
E assentado entre as formas incompletas
Para sempre fiquei pálido e triste.

Da poesia Mais Luz:

Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis
A borda dos abismos silenciosos…

Tu, Lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-se, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
Como aos longos cuidados dolorosos!

Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.

Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro Sol, amigo dos heróis!

Do poema “O que a Morte diz”:

Em mim, os sofrimentos que não saram
Paixão, dúvida e mal, se desvanecem.
As torrentes da dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Magalhães, Alissa. Antero de Quental; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/antero-de-quental >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 22:13.

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