Antissemitismo

Forma de preconceito contra povos semitas, principalmente os judeus

Antissemitismo é o preconceito, oposição ou discriminação contra semitas baseada em ódio contra seu histórico étnico, cultural ou religioso. Na sua forma mais extrema, “atribui aos judeus uma posição excepcional entre todas as outras civilizações, difamando-os como um grupo inferior e negando que eles sejam parte da nação ou nações em que residem”.

O indivíduo que defende este ponto de vista é chamada de “antissemita“. O Antissemitismo é geralmente considerado uma forma de racismo. Também tem sido caracterizada como uma ideologia política que serve como um princípio organizador e une grupos dessemelhantes que se opõem ao liberalismo.

Na análise etimológica, Antissemitismo refere-se a todos os falantes de idiomas semitas, como hebreus, assírios, arameus, fenícios e os árabes. Esses povos seriam descendentes de Sem, primogênito de Noé.

Antissemitismo: origem

O Antissemitismo é manifestado de diversas formas, indo de expressões individuais de ódio e discriminação contra indivíduos judeus a violentos ataques organizados (pogrons), políticas públicas ou ataques militares contra comunidades judaicas.

Dentre os casos extremos de perseguição estão a chacina de 1066 em Granada, os massacres na Renânia que precederam a Primeira Cruzada de 1096, o Édito de Expulsão da Inglaterra em 1290 e os massacres dos judeus espanhóis em 1391.

O Holocausto perpetrado pela Alemanha nazista, políticas soviéticas antijudaicas sob Estaline e o envolvimento árabe e muçulmano no êxodo judaico dos países árabes e muçulmanos também compõem essa lista.

Embora a etimologia possa sugerir que o antissemitismo é direcionado a todos os povos semitas, o termo foi criado no final do século XIX na Alemanha como uma alternativa estilisticamente científica para Judenhass (aversão a judeus), sendo utilizada amplamente até então.

O conceito Antissemitismo teria surgido entre 1879 e 1880, quando Wilhem Mahrr (1819-1904), jornalista alemão e fundador da liga antissemita, lançou o livro “Zwanglose Antisemitische Hefte”.

Nesse título, ele defende uma classificação mais cientifica para o termo “Judenhass”, o qual se referia ao ódio aos judeus em sua totalidade.

Antissemitismo demonstrado em Monumento ao Holocausto.
Na foto, Antissemitismo demonstrado em Monumento ao Holocausto. (Foto: publicdomainpictures)

Histórico

É sabido que os judeus já eram perseguidos durante o Império Romano. A odiosidade aos judeus aumentou na Antiguidade. Os cristãos não aceitavam o fato do Judaísmo alegar que Jesus seria apenas mais um profeta e que seriam os hebreus responsáveis pela morte do Messias.

Na Idade Média, não foi diferente. No século XI, os judeus foram perseguidos durante as Cruzadas e no final do século XIII, eles foram expulsos da Inglaterra e, em fins do século XV, banidos ou convertidos ao Cristianismo na Espanha e Portugal.

Entretanto, nenhum massacre antissemita se igualou ao Holocausto da Segunda Guerra Mundial, que resultou na morte de milhões de judeus nos campos de concentração.

Em meio a todo esse contexto, destaca-se a criação do Estado de Israel, em 1948, quando o povo judeu passa a residir em seu próprio território, na região da Palestina.

A escalada nos conflitos com os árabes pode levar o antissemitismo (ou antisionismo) a uma nova fase.

Fatores

Diversos fatores motivaram o Antissemitismo, incluindo fatores sociais, econômicos, nacionais, políticos, raciais e religiosos, ou combinações destes.

Socioeconômicas, devido à ação de autoridades locais, governantes, e alguns funcionários da igreja que fecharam muitas ocupações aos judeus, permitindo-lhes no entanto as atividades de coletores de impostos e emprestadores, o que sustenta as acusações de que os judeus praticam a usura.

Políticas, através de manifestações contra a existência do Estado de Israel, sendo muito incitado pela religião Islâmica e pelos países árabes.

O regime nazista alemão foi um dos grandes propagadores do Antissemitismo no século XX. O ódio ao judeu frequentemente apoia-se em ideais nazistas, ainda que o pensamento antissemita seja muito mais remoto.

Antissemitismo e Nazismo

O crescimento do Antissemitismo nos quadros políticos e na sociedade europeia teve o seu ápice com o surgimento do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães ou, puramente, Partido Nazista.

Um dos elementos centrais do nazismo era o Antissemitismo, e Adolf Hitler conseguiu com sua retórica mobilizar uma nação contra os judeus.

Iniciou-se como um discurso e logo tornou-se prática de terror quando os nazistas assumiram o poder na Alemanha, em 1933. Esse quadro agravou-se a partir de 1935, conforme o registro de Richard J. Evans:

As ações antissemitas executadas na primavera e verão de 1935 tomaram muitas formas. Em maio houve […] numerosos boicotes a lojas judaicas organizadas por camisas-pardas e SS, com frequência acompanhadas de violência. Foi por essa época também que placas com dizeres antissemitas foram colocadas na beira da estrada e nos limites de muitas cidades e aldeias.

No mesmo ano, em 1935, foram decretadas leis antissemitas pelo governo alemão, as quais ficaram conhecidas como Leis de Nuremberg.

Tais leis excluíam os direitos de cidadania dos judeus, proibindo-os de se casar com alemães (ditos arianos).

Com isso, a perseguição aos judeus consolidou-se na sociedade alemã, tanto na vida pública quanto na privada.

Antissemitismo na atualidade

O Antissemitismo na América alcançou o seu máximo durante o período entreguerras (fim da Primeira Guerra Mundial até o início da Segunda Guerra Mundial).

Henry Ford (fabricante de automóveis), simpatizante do nazismo alemão, propagou ideias antissemitas em artigos no seu jornal The Dearborn Independent (publicado de 1919 a 1927), reunidos mais tarde sob o título The International Jew.

Os discursos em emissoras de rádio do padre Coughlin, no final da década de 1930, atacaram o New Deal de Franklin D. Roosevelt e promoveram a ideia de uma conspiração financeira judaica. Alguns políticos proeminentes compartilhavam tais visões.

Ford deu a conhecer também ao público americano o livro Os Protocolos dos Sábios de Sião, uma fraude da Rússia czarista.

Hitler elogiou Ford no Mein Kampf, e o governo alemão condecorou-o em 1938 com a Ordem de Mérito da Águia Alemã. O grau do colaboracionismo de Ford com o nazismo continua a ser objeto de pesquisas de historiadores.

A comunidade judaica na Alemanha não foi totalmente extinta. Após o regime nazista matar cerca de 6 milhões de judeus, mais de 20 mil judeus que tinham saído do Leste Europeu acabaram se instalando na Alemanha Ocidental, juntando-se aos cerca de 15 mil judeus alemães que haviam sobrevivido e permaneceram no país após a guerra.

Atualmente, cerca de 200 mil judeus vivem na Alemanha, um país de 82 milhões de pessoas, e estão cada vez mais apreensivos. Em uma pesquisa realizada em 2018 pela União Europeia, 85% dos entrevistados na Alemanha disseram que o antissemitismo é um grande problema; 89% disseram que o problema tinha se agravado nos últimos cinco anos.

Em 2018, os crimes antissemitas na Alemanha tiveram um aumento de 20% para 1.799, enquanto a violência contra os judeus aumentou 86%, para 69 casos.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

, . Antissemitismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/antissemitismo >. Acesso em 29 de setembro de 2020 às 22:05.

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