Antônio de Oliveira Salazar

Foi presidente do Conselho de Ministros no Estado Novo português

Antônio de Oliveira Salazar (1889 -1970) foi convidado para diligenciar a pasta das finanças após o Golpe Militar de 1926. Com o tempo tornou-se presidente do Conselho de Ministros, dominando a política portuguesa durante mais de 40 anos.

Estando como professor universitário, Salazar viu a pasta das Finanças ser-lhe entregue em 1928, cerca de dois anos após o golpe militar.

Anos depois, arriscou equilibrar as finanças com medidas firmes que causaram descontentamento, mas ajudaram a sanar as contas públicas.

Foi em 1932 que se tornou presidente do Conselho de Ministros, e um ano depois de sua nomeação ao cargo, faz aprovar uma nova Constituição – a do Estado Novo – que lhe atribuía poderes ditatoriais.

Apesar da revolução de 1926 ter sido liderada por militares, foi Salazar – um civil – que dominou o sistema político durante mais de quatro décadas.

Antônio de Oliveira Salazar atento à leitura
Na imagem, Antônio de Oliveira Salazar fazendo uma leitura. (Foto: Wikimedia Commons)

Antônio de Oliveira Salazar: vida e história

Antônio de Oliveira Salazar foi um político português, filho de Antônio Oliveira e Maria do Resgate. De família de pequenos proprietários agrícolas, alfabetizou-se em lições particulares.

Não existia escola na pequena aldeia onde nasceu e, como muitos jovens da sua idade e condição social, fez a formação acadêmica em ambiente fortemente marcado pelo catolicismo, tendo frequentado durante oito anos o Seminário Diocesano de Viseu.

Após desistir categoricamente da vida eclesiástica, Antônio de Oliveira Salazar matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde teve como colega e grande amigo um sacerdote que viria a ser Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira. A influência religiosa adquirida na juventude jamais fora abandonada por Salazar.

Em meados de 1910 se instala a República em Portugal e o jovem Salazar formou-se durante este período.

Escreveu contra Bernardino Machado, Ministro da Justiça, participou de vários confrontos entre os estudantes e os Governos da República, e foi formando teorias sólidas, católicas e conservadoras sobre o Estado, a Igreja, a família, a má imprensa.

Quando Antônio de Oliveira Salazar terminou o curso de Direito, concentrou-se no acesso à docência e deixou um pouco de lado as questões políticas.

Em 1918 inicia a sua atividade como docente de Ciências Econômicas da Faculdade de Direito de Coimbra.

Como era de uma família humilde de pequenos proprietários agrícolas, o seu percurso no Estado Novo português iniciou-se quando foi escolhido pelos militares para Ministro das Finanças durante um curto período de duas semanas, na sequência da revolução de 28 de Maio de 1926.

Foi substituído pelo Comandante Filomeno da Câmara de Melo Cabral após o golpe do general Gomes da Costa.

Em seguida, foi de novo Ministro das Finanças entre 1928 e 1932, procedendo ao saneamento das finanças públicas portuguesas. Historicamente, ficou também como o estadista que mais tempo governou Portugal, desempenhando funções no período da ditadura entre 1932 e 1933, e de forma autoritária, desde o início da segunda república até ser destituído em 1968.

Salazar e o Estado Novo português

Antônio de Oliveira Salazar foi figura de destaque e promotor do Estado Novo (1933–1974) e da sua organização política, a União Nacional. Salazar dirigiu os destinos de Portugal como presidente do Ministério de forma ditatorial entre 1932 e 1933 e, como Presidente do Conselho de Ministros entre 1933 e 1968.

Era o início do Estado Novo português, que mergulharia Portugal na mais completa inércia política, econômica e social, domando fortemente os grupos de pensamento diverso daqueles do partido oficial, e estabelecendo a ideologia do fascismo em Portugal.

Como regime político, o Estado Novo foi também chamado salazarismo, em referência a Antônio de Oliveira Salazar, o seu fundador e líder. Salazar assumiu o cargo de Ministro das Finanças em 1928 e tornou-se, nessa função, uma figura preponderante no governo da Ditadura Militar, o que lhe valeu o apelido de “Ditador das Finanças”.

Obtendo enorme sucesso em um curto espaço de tempo, ficou posteriormente conhecido como o "Mago das Finanças".

Os autoritarismos e nacionalismos que surgiam nos países da Europa foram uma fonte de inspiração para Antônio de Oliveira Salazar em duas frentes complementares: a da propaganda e a da repressão.

Após o surgimento da censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores FNAT e da Mocidade Portuguesa, o Estado Novo procurava assegurar a doutrinação de largas massas da população portuguesa ao estilo do fascismo, enquanto que a sua polícia política (PVDE, posteriormente PIDE e mais tarde ainda DGS), em conjunto com a Legião Portuguesa, combatiam os opositores do regime.

Opositores esses, que eram julgados em tribunais especiais (Tribunais Militares Especiais e, posteriormente, Tribunais Plenários).

Governo

Antônio de Oliveira Salazar adquiriu sucesso em sua administração sob as finanças portuguesas. A partir daí consegue a confiança do povo e dos militares.

Com o fim do regime, em 1932, o poder é entregue a Salazar, que iniciou um longo mandato como primeiro ministro, permanecendo no cargo por cerca de 36 anos.

Um de seus primeiros atos como governante foi tornar a União Nacional (mais tarde, Ação Nacional Popular) como único partido legal do país e estabelecer uma nova Constituição (1933) que substituía a anterior, de 1911, com um perfil nitidamente fascista. Era o início do Estado Novo Português.

O governo de Antônio de Oliveira Salazar foi marcado, também, pelas ideias autoritárias, antiliberais e anticomunistas. Uma mescla entre o fascismo e catolicismo social.

O presidente da República era um militar eleito pela população e que indicava o presidente do Conselho de Ministros, função esta que sempre foi exercida por Salazar.

Consistia-se em um regime pessoal, centralizado no seu fundador e não em um partido como foi o caso de Adolf Hitler e Benito Mussolini. Por isso, recebe o nome de salazarismo.

Em um notável discurso proferido em Braga em 28 de maio de 1936, Salazar resume a ideologia do seu governo:

…Às almas dilaceradas pela dúvida e o negativismo do século procuramos restituir o conforto das grandes certezas. Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever…

Características da Ditadura de Salazar

O Salazarismo foi uma das mais longas ditaduras do século XX. Se inspirava no modelo fascista. Durante esse período Portugal viveu na censura e repressão. A ditadura chegou ao fim em 25 de abril de 1974, derrubada pela Revolução dos Cravos, forte manifestação militar. Antônio de Oliveira Salazar tinha como alguns dos predicados:

  • A Repressão através da política da Polícia Internacional de Defesa do Estado;
  • A Censura aos meios de comunicação;
  • A exaltação do líder, que estava sempre correto nas tomadas de decisão;
  • A existência de um só partido, a União Nacional, partido do governo;
  • O Nacionalismo exacerbado.

Dentre outros, já que o poder do Presidente da República passou a ser figurativo. Nesse contexto, a autoridade estava concentrada nas mãos do Primeiro Ministro.

Fim de governo e Morte

Com o nível das relações internacionais, Antônio de Oliveira Salazar, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil da Espanha e na II Guerra Mundial.

O declínio do império salazarista antecipou-se a partir de 1961. Tendo conhecimento do surto de emigração e de um crescimento capitalista de difícil controle, foi afastado do governo em 1968 por motivo de doença, sendo substituído por Marcello Caetano.

Nesse mesmo ano, após um derrame cerebral, Salazar afasta-se do poder e morre dois anos depois. Seu pupilo, Marcello Caetano, seguiu como primeiro-ministro, conduzindo o já em crise Estado Novo. Com a Revolução dos Cravos, em 1974, chegou ao fim 42 anos de regime fascista em Portugal, que enclausurara o país política e economicamente do resto do mundo.

Citações

Continuo a declarar que não se pode simultaneamente lisonjear a multidão e governá-la.

As liberdades ilimitadas destroem-se a si próprias.

Autoridade e liberdade são dois conceitos incompatíveis... Onde existe uma não pode existir a outra...

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Bispo, Manuela. Antônio de Oliveira Salazar; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/antonio-de-oliveira-salazar >. Acesso em 24 de agosto de 2019 às 04:18.

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