Arcadismo em Portugal

Movimento literário que sucedeu o Barroco

O Arcadismo em Portugal caracterizou-se por ser uma das escolas literárias mais influentes da Europa no século XVIII, o famoso “século das luzes”. Teve início na Itália, mas foi disseminada em Portugal por autores que queriam desacreditar os ideais do Barroco, movimento anterior.

O arcadismo era tido como uma escola de linguagem mais simples e direta, que enfatizava a racionalidade e as paisagens bucólicas e campestres, tendo foco no homem como o centro de tudo.

A exaltação da natureza, o afastamento dos conceitos religiosos e a reaproximação com as tendências clássicas eram destaques que marcaram o arcadismo em Portugal. Os temas pastoris, naturais e o equilíbrio eram traços evidentes nas obras árcades.

Teve como autor proeminente o português Manuel Maria Barbosa Du Bocage, que produzia poesias transitórias com tendências do arcadismo e do romantismo, escola posterior.

Paisagem bucólica que caracterizava o Arcadismo em Portugal.
O Arcadismo em Portugal tinha como característica o bucolismo. (Foto: Pixabay)

Entenda o Arcadismo em Portugal

Escola influenciada por ideias do iluminismo, o Arcadismo em Portugal expressava uma linguagem mais denotativa e racional, com destaque para o antropocentrismo. A Arcádia Lusitânia foi uma academia árcade fundada, em 1756, em Lisboa, que reunia os autores que buscavam inovar o cenário literário europeu da época e discutir ideias de movimentos artísticos.

Também conhecido como neoclassicismo ou setecentismo, o arcadismo trouxe alguns conceitos clássicos que abominavam a questão da religiosidade exacerbada, o foco da escola anterior. Os artistas árcades argumentavam que o Barroco em Portugal já era um modelo ultrapassado que precisava ser ignorado.

Para eles, a literatura portuguesa, para ser uma arte de qualidade, deveria ser inspirada no Renascimento e nos padrões mais clássicos.

A linguagem do arcadismo em Portugal pregava uma vida simples, com valorização do meio ambiente e exaltação da natureza. No entanto, a burguesia, que criticava o modo de vida urbano e luxuoso dos nobres,  continuava em busca de poder.

A burguesia, inclusive, foi precursora de muitas transformações sociais e inovadoras para a conjuntura do continente europeu. No mesmo período em que o arcadismo em Portugal ganhava força, a Revolução Francesa acontecia trazendo modificações para outros países da Europa.

Estudiosos acreditam que o arcadismo surgiu para atuar como um balanço de equilíbrio, pois o barroco, escola literária anterior, tinha como característica marcante o exagero e a dualidade em suas vertentes.

Acompanhando o arcadismo vem o romantismo e o realismo, que traziam novas maneiras de enxergar a vida, com mais possibilidades de crescimento e evolução.

Como principais mudanças que o arcadismo em Portugal influenciou, destaca-se a reforma na educação. Os jesuítas, por exemplo, foram afastados da educação escolar pelo fato de serem religiosos.

A partir dessa realidade, o cientificismo se firmou, pois tudo era mais racional, e isso proporcionou o desenvolvimento científico e tecnológico do período.

Cenário campestre que representa o arcadismo em Portugal.
Ambiente campestre e bucólico, cenário comum dos poemas arcadistas. (Foto: Pxhere)

Principais características do Arcadismo em Portugal

A busca da razão e equilíbrio tomou conta das obras e estilos de vida que marcaram o arcadismo em Portugal.

Existem alguns conceitos que explicam cada singularidade do arcadismo, como o Bucolismo que prega a fuga da cidade (ou fugere urbem). Os poemas do arcadismo em Portugal geralmente retratam um lugar ameno (ou locus amoenus), que geralmente eram paisagens campestres, com muito verde, animais e outros elementos da natureza.

A vida na natureza implicava em equilíbrio e racionalidade. Os autores arcadistas se inspiravam nas ideias do  filósofo  Jean-Jacques Rousseau. Ele pregava que a sociedade corrompia o homem e apenas era possível viver puramente por meio do contato fiel com a natureza.

A arte clássica greco-romana era considerada pelos poetas árcades como o maior símbolo de beleza e austeridade. Os autores buscavam uma simplicidade perfeita que, de acordo com eles, podia ser vista em pastoris, daí surgiu a ideia dos pseudônimos de pastores gregos na assinatura dos poemas.

A linguagem utilizada era objetiva. Afastavam-se da subjetividade pois acreditavam que poderia atrapalhar na  construção da arte simples. Carpe Diem (ou aproveite o dia) é um dos conceitos mais conhecidos provenientes do arcadismo em Portugal, que expressou exatamente a importância de aproveitar o dia como ele se apresenta, na natureza, com simplicidade, de forma leve.

A materialidade da vida urbana era muito criticada. O valorizado era a ideia de vida pacata, feliz e pobre materialmente no campo, porém com alta elevação espiritual. O amor romântico idealizado também estava presente nos poemas arcadistas.

Outros nomes fortes que representavam o arcadismo em Portugal: Pedro Antonio Correa Garção, António Diniz Cruz e Silva, Marquesa de Alorna e Francisco José Freire.

Com caráter conservador, o arcadismo mostrava em meio aos poemas, pinturas e arte em geral que a verdadeira felicidade só era conquistada por meio da contemplação da natureza.

Exemplos e Interpretação – poemas árcades

Nada se pode comparar contigo – Bocage

O ledo passarinho, que gorjeia

D’alma exprimindo a cândida ternura

O rio transparente, que murmura,

E por entre pedrinhas serpenteia;

O Sol, que o céu diáfano passeia,

A Lua, que lhe deve a formosura

O sorriso da Aurora, alegre e pura,

A rosa, que entre os Zéfiros ondeia

A serena, amorosa primavera

O doce autor das glórias que consigo,

A deusa das paixões e de Citera;

Quando digo, meu bem, quando não digo,

Tudo em tua presença degenera.

Nada se pode comparar contigo.

 

A Rosa – Bocage

Tu, flor de vênus,

Corada rosa,

Leda, fragrante

Pura, mimosa,

Tu, que envergonhas

As outras flores

Tens menos graça

Que os meus amores

Tanto ao diurno

Sol coruscante

Cede a noturna

Lua inconstante

Quanto a Marília

Té na pureza

Tu, que és o mimo

Da natureza.

O buliçoso

Cândido amor

Pôs-lhe nas faces

Mais viva cor.

Tu tens agudos

Cruéis espinhos

Ela suaves

Brandos carinhos.

Ao observar os dois poemas, pode-se notar a clara presença de elementos da natureza, descrição e imaginação, emprego de linguagem objetiva, denotativa direta e simples e expressão do amor romântico idealizado.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Magalhães, Alissa. Arcadismo em Portugal; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/arcadismo-em-portugal >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 00:04.

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