Ariranha

Animal característico da América do Sul

A ariranha é um animal característico da América do Sul, cujos principais habitats são a bacia do Rio Amazonas e os Pantanais. O animal é um mamífero mustelídeo, uma ordem de carnívoros que incluem lontras, doninhas, texugos e outras espécies.

Seu nome científico é Pteronura Brasiliensis, mas a ariranha também é chamada de onça-d’água, lontra gigante ou lobo do rio. O nome do animal vem do tupi-guarani ari’raña, que quer dizer “onça d’água”.

Ela pode chegar a quase dois metros de cumprimento. O macho mede em média entre 1,5 e 1,8 metros, enquanto a fêmea pode ter de 1,5 a 1,7. A cauda do animal pode chegar a ter 64 centímetros.

Os machos da espécie são, geralmente, mais pesados do que as fêmeas, podendo chegar a 34 quilos. O animal já foi muito caçado para extração de pele para comércio, sendo extinto de algumas regiões, como o sul do Brasil, norte da Argentina e Uruguai.

As patas são curtas, grossas e unidas por membranas interdigitais, o que ajuda elas a se moverem debaixo da água. Elas têm olhos grandes e orelhas pequenas. As caudas são compridas e achatadas.

A pelagem desse animal é espessa e tem textura aveludada. A cor é quase toda escura, embora as ariranhas tenham uma mancha branca em baixo do pescoço, na região da garganta. Elas podem viver até 20 anos na natureza, e até 17 em cativeiro.

O animal não é violento, existindo apenas um registro de morte de um humano por ataque de ariranha. O fato aconteceu em 1977 quando, ao pular em uma jaula para resgatar uma criança que havia caído, um homem foi atacado pelos animais que se sentiram ameaçados.

A morte aconteceu devido a infecções adquiridas a partir das mordidas dos animais. Porém, é comum relatos de proximidade dos animais com humanos, principalmente de embarcações. Mas nesses casos, não há registros de ataques.

Ariranha em seu habitat natural
Ariranha é típico da América do Sul (Foto: Wikipédia)

Hábitos da ariranha

A ariranha anda em grupos, e somente a fêmea dominante de cada grupo dá a luz. Isso acontece no início da estação seca, e a gestação pode durar entre 65 e 72 dias. Por vez, podem nascer de um a cinco filhotes.

Eles ficam nas tocas por pelo menos três meses e, quando saem, na alta da estação seca, conseguem aprender a pescar com mais facilidade. Uma curiosidade é que todos os adultos do grupo ajudam os filhotes a aprenderem a caçar.

Elas só deixam o grupo após dois ou três anos de vida, que é quando atingem a maturidade sexual. É nessa época que eles saem para procurar um par, onde acasalam e formam novos grupos, que são formados por até dez animais.

A alimentação da ariranha é composta basicamente por peixes, principalmente piranhas e traíras. Elas se alimentam com a cabeça fora da água e, geralmente, dando nados para trás.

Em seu habitat natural, as ariranhas adultas estão no topo da cadeia alimentar. Elas podem chegar a se alimentar de pequenos jacarés e cobras, geralmente sucuris. Podem se alimentar ainda de ovos, pássaros e caranguejos.

Extinção

A ariranha é uma espécie em perigo, apesar de ainda não ser considerada um dos animais em extinção no Brasilou outros locais onde vive. Vários fatores ameaçam a existência desses animais, entre eles o desmatamento, a poluição dos rios e a contaminação de alimentos que, em maior parte, é composta de peixes.

O animal já foi muito caçado por conta da sua pele. Os principais consumidores desse produto eram os Estados Unidos e a Europa, que tinham a finalidade de produzir acessórios e roupas de moda, como chapéus e casacos.

Os próprios índios brasileiros chegaram a caçar a ariranha para extração de sua pele, no intuito de trocar por outros materiais. Só entre os anos de 1904 e 1969, cerca de 23 milhões de ariranhas foram mortas para extração de pele. Isso fez com que o animal desaparecesse de muitas regiões.

Mas foi em 1975 que se tornou ilegal o comércio da pele do animal no Brasil. Isso fez com que a espécie se recuperasse. O acordo fazia parte de uma convenção internacional.

A ariranha chegou a desaparecer de alguns países, como é o caso da Venezuela, o que levou a espécie a ficar restrita a algumas áreas. Porém, atualmente, o animal já é visto em várias regiões da Amazônia, e até em países vizinhos, como a Bolívia, a Guiana, a Guiana Francesa, o Suriname e a Colômbia.

Origem da ariranha

Acredita-se que a ariranha seja descendente do Satherium piscinarium, um tipo de lontra gigante que viveu na América do Norte entre plioceno (última época do antigo período Terciário da era Cenozoica) e o pleistoceno (parte do período Quaternário). A espécie viveu por mais de dois milhões de anos.

Apesar disso, se desenvolveu de forma diferente das outras espécies que descenderam do Satherium piscinarium, a lontra neotropical, a lontra provocax e a lontra felina. A ariranha é, inclusive, a maior espécie da subfamília lutrinae, a família das lontras.

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Fernandes, Ruan. Ariranha; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/ariranha >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 22:15.

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