Arte Naïf

Corrente artística surgida no século XIX

Arte naïf (também conhecida como arte primitivista ou arte primitiva moderna) é um conceito de arte (tendo a pintura como principal expressão) onde os artistas não são obrigados a seguir uma técnica específica ou abordagens convencionais. É considerada como a arte da espontaneidade e da liberdade.

No geral, os artistas da arte naïf são chamados de autodidatas e não se preocupam com noções de proporcionalidade e perspectiva. O termo francês “naïf” significa “algo ingênuo ou inocente”. Esse modelo de arte também é considerado original, espontâneo e instintivo.

Entre as principais características da arte naïf estão: a ausência de técnicas artísticas acadêmicas, a simplicidade, a ausência de acabamento, a deficiência na aplicação de texturas, sobras e cores e traços sem perspectivas.

arte naïf pintada em ovos de páscoa gigantes
Exemplo de arte naïf pintada em ovos gigantes para celebração da páscoa na cidade de Koprivnica, localizada na Croácia. (Foto: Pixabay)

Origem da arte naïf

A arte naïf se desenvolveu no século XIX, na Europa. O marco inicial aconteceu quando o pintor autodidata Henri Rousseau (1844-1910) expôs suas obras no Salão dos Independentes de Paris, no ano de 1886. Os críticos trataram as pinturas com ironia e desprezo e deram o nome de “naïf” que significa ingênuo em francês.

As obras expostas por Rousseau eram singulares, pessoais e não se assemelhavam em nada com as correntes artísticas da época. Em pouco tempo passou a despertar a curiosidade do público que antes havia desprezado as pinturas.

Nomes importantes como Pablo Picasso, Guillaume Apollinaire, Robert Delaunay, Matisse e Paul Gauguin se mostraram interessados e reconheceram o estilo como válido. Artistas do surrealismo também valorizaram as obras de Rousseau. A tela intitulada “Um dia de Carnaval” (1886) foi a de maior destaque na exposição.

Ao longo do século XX, a arte passou a adquirir grande aceitação e começou a ser desenvolvida em todo mundo, com destaque para os Estados Unidos e o Haiti. Muitos artistas começaram a reproduzir alguns aspectos e a arte naïf passou a influenciar o público e mais tarde, algumas correntes da vanguarda.

Características gerais

A arte naïf foi produzida por artistas independentes e sem nenhum tipo de formação sistemática. Pode ser considerada uma corrente artística pela liberdade estética dos artistas. Confira na lista abaixo algumas características comuns entre as obras consideradas arte naïf:

  • Presença do colorido exuberante;
  • Caráter narrativo e figurativo;
  • Detalhamentos das figuras e dos cenários;
  • Presença de bidimensionalidade junto a inexistência de perspectiva geométrica linear;
  • Artistas autodidatas e sem formação acadêmica no campo artístico;
  • Recusa ou mesmo desconhece o uso dos cânones da arte acadêmica;
  • Presença de linha figurativa;
  • Preferência por temas alegres e lúdicos;
  • Espontaneidade;
  • Tendência à idealização da natureza;
  • Desprezo pela representação fiel da realidade;
  • Pinceladas contidas com muitas cores.

Principais representantes da arte naïf 

Além de Henri Rousseau, nomes como Camille Bombois, Séraphine Louis e Pilar Sala também tiveram grande destaque com suas produções artísticas no modelo da arte naïf. No Brasil, nomes como Djanira e Maria Auxiliadora foram destaques. Confira abaixo mais informações sobre esses artistas:

Henri Rousseau

Henri Rousseau nasceu no dia 21 de maio de 1844, em Laval, na França. Rousseau foi um pintor francês que produziu obras que se encaixam no movimento moderno, pós-impressionismo e a arte naïf. Por muito tempo suas obras foram consideradas infantis e pobres e só no final da vida recebeu o reconhecimento pelas suas obras.

Rousseau morreu em 2 de setembro de 1910, deixando um grande legado na história das vanguardas europeias. Foi um autodidata, apaixonado pela natureza e pela pintura e é considerado o grande percursor da arte naïf.

Camille Bombois

Camille Bombois nasceu no dia 3 de fevereiro de 1883, em Venarey-les-Laumes, na França. Bombois foi um pintor francês humilde conhecido por pinturas de cenas de circo. Suas obras ficaram marcadas pela presença do contraste entre o preto, o azul, o vermelho brilhante e o rosa elétrico.

Grande parte das suas obras estão expostas no Musée Maillol, em Paris. As pinturas de Bombois foram bastante comparadas às obras de Rousseau pelo caráter ingênuo de suas pinceladas. Antes de morrer, Bombois ingressou em um circo itinerante, situação que serviu como fonte de influência para as suas telas.

Séraphine Louis

Séraphine Louis ou Séraphine de Senis nasceu no dia 2 de setembro de 1864, em Clermont. Séraphine foi uma pintora francesa de origem humilde que começou seu trabalho com a arte naïf enquanto trabalhava como doméstica em casa de família de classe média. Foi criada pela irmã, já que era órfã de pai e mãe.

A natureza era a principal fonte de influência de Séraphine. Com a ajuda de um colecionador alemão, chamado Wihelm Uhde, expôs suas telas na exposição “Pintores do Sagrado Coração“no ano de 1929. A partir daí ganhou uma grande reconhecimento e prosperidade financeira.

Pilar Sala

Pilar Sala foi uma pintora argentina que nasceu e viveu em Buenos Aires, na Argentina. As obras de Pilar tinham forte influência de paisagens e do cotidiano. A artista fazia o uso de diferentes tons cromáticos, sendo o rosa e o vermelho as cores mais predominantes. Pilar foi a artista da arte naïf de maior destaque na Argentina.

Suas obras foram expostas em renomadas galerias artísticas em seu país de origem e também no Brasil. Ganhou projeção internacional quando ganhou o “Grande Prémio H. Rousseau – a obra mais original” no “IX Salão Internacional de Arte Naïf” no ano de 2002.

Djanira

Djanira da Motta e Silva foi uma grande pintora, desenhista, ilustradora, cenógrafa, gravadora e cartazista brasileira. Nasceu no dia 20 de junho de 1914 em Avaré, São Paulo e faleceu no dia 31 de maio de 1979, com 64 anos, no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Inicialmente, as obras de Djanira tinham a forte presença de tons rebaixados, um aspecto sombrio, com a presença de formas geométricas bem alinhadas. Na década de 50 artista passou a adotar o uso de cores vibrantes e a representação mais livre das coisas. A obra mais conhecida é o “Painel de Santa Bárbara” de 1958.

Maria Auxiliadora

Maria Auxiliadora da Silva foi uma pintora e artista plástica brasileira. Nasceu no dia 15 de maio de 1938, em Campo Belo, Minas Gerais. Maria Auxiliadora veio de origem humilde e pintava nas horas vagas, quando não estava trabalhando como doméstica ou bordadeira em fábricas têxteis.

As obras de Maria tinham a forte presença de cores, poesia e vitalidade, além da presença de elementos da realidade mesclados com o universo dos sonhos. Em 1938 passou a fazer parte do grupo artístico Solano Trindade, em Embu das Artes e a partir daí ganhou projeção nacional.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Maria Azevedo, Amanda. Arte Naïf; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/art-naif >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:55.

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