Arte cinética

Corrente artística que dava às obras movimento e interação com público

A arte cinética, também conhecida como cinetismo, é uma escola artística ou corrente do século XX que tem como principal característica a utilização de recursos das visões e técnicas destinadas a dar movimento ou passar a impressão de movimento na obra de arte. Com isso, a obra perde a característica do estático da escultura e da pintura.

A exposição Le mouvement (O movimento), que aconteceu em Paris, na França, em 1955, é considerada o marco para a arte cinética.

História da arte cinética

A exposição O movimento pode ser considerado como o começo da arte cinética, na galeria Denise René.

A partir desta exposição surgiu nos países da Europa vários grupos de artistas do cinetismo, como o Equipo 57 (1957), o Groupe de Recherche D’Art Visuel (1960), ambos na França, e o Grupo Zero (1958) na Alemanha.

No Brasil, a arte cinética chegou na década de 60 e teve forte representação em diversos artistas, como: Luiz Sacilotto (1924-2003), Ivan Serpa (1923-1973), Lothar Charoux (1912-1987), Lygia Clark (1920-1988), Mary Vieira (1927-2001), Abraham Palatnik (1928), Almir Mavignier (1925).

A arte em movimento

Para que os artistas consigam a ideia de formas e efeitos visuais para criar ideia de movimento ou ilusões ópticas, utiliza-se de noções da matemática e da física, com a repetição das formas simples e coloridas, aliado a um jogo de luz e sombra.

A palavra “cinética”, na física, significa o estudo da ação das forças utilizadas para mudança de movimentos dos corpos, conhecido como energia cinética. Este termo também é muito utilizado na biologia, química, como cinética química, e filosofia. Com isso, alguns estudiosos acreditam que a arte cinética também significa um utopia: levar vida à arte e levar arte para a vida.

O século XX foi o século de diversas manifestações artísticas: da eletricidade, do cinema, da física quântica, da relatividade, da arte digital e de diversos fatores: formas, luzes, aromas e sons.

A arte abstrata, ou abstracionismo, foi bastante trabalhada durante a arte cinética. Eles tinham objetivo de uma dinâmica de ilusão ótica na pessoa que está presenciando a obra de arte, que se manifesta por meio de efeitos visuais de uma obra chamada de ‘obra móvel’.

Características

Algumas características marcaram o modo fazer a arte cinética, são elas:

  • Criar uma quebra na ideia de obra de arte parada, utilizando de recursos que dão ideia movimento;
  • Para criar a ideia de movimento, o artista plástico pode planejar a construção da obra de arte cinética de forma estruturada. Elementos da engenharia são bastante utilizados;
  • Obras de arte tridimensional (em três dimensões);
  • Diversos recursos da época são utilizados, como o eletromagnetismo, água, vento, motores, ilusões de ótica, efeitos especiais, e outros;
  • Durante o processo de criação da obra, o artista considera a interação que o espectador terá com a obra;
  • Vários materiais são utilizados para a criação das obras de arte cinética, como madeira, metais, vidros, fios, arames, plásticos, etc.
escultura em um museu
Obras têm movimento e interagem com o público. (Wikipedia)

Alguns artistas

Muito famosa na década de 50 e 60, diversos artistas fizeram parte e ficaram conhecidos através da arte cinética, pode-se citar:

Theo Jansen

Jansen nasceu em 17 de março de 1948, na Holanda. Ele teve sua obra reconhecida por conta dos trabalhos de grandes dimensões que se pareciam com esqueletos de animais e que são capazes de andar utilizando a energia do vento.

Estudiosos acreditam que as obras de Theo Jansen possuem uma mistura de arte e engenharia. Ele dedicou sua vida a criar vida artificial por meio de algoritmos genéticos, que aparentam uma evolução da humanidade atual.

Gyula Kosice

Gyula Kosice nasceu em 26 de abril de 1924, na Eslováquia, e morreu no dia 25 de maio de 2016, na Argentina. Foi um poeta, escultor, artista plástico e teórico checoslovaco e considerado um dos pioneiros da arte cinética.

Sua obra Röyi (1944) é a primeira escultura articulável que precisa da participação do espectador no continente. Gyula Kosice utilizou, de forma pioneira, o gás néon e água como elementos de suas obras artísticas. Movimentos e luzes também são elementos presentes em suas obras de arte.

Em 2005, Kosice transformou seu estúdio e sua loja em um museu.

Youri Messen-Jaschin

Nascido em 1941 na Suíca, Youri Messen-Jaschin é um artista de origem letã. Estudou na Escola Nacional Superior de Belas Artes e na Escola Prática dos Estudos Superiores da Sorbonne, nas áreas de ciências e filosofia.

Em 1967, se encontra com os artistas Jesús-Rafael Soto, Carlos Cruz-Diez e Julio Le Parc, durante uma exposição no Modern Art Museum de Göteborg. Através deles, descobre uma paixão pela arte óptica (Op art) e decide dedicar todas as suas investigações no sentido da arte cinética.

Suas esculturas possuem forte apelo ao movimento e sempre são expostas ao ar livre, além de possuírem sons musicais concretos. Em 1970 integra o neon em sua arte, que continua a utilizar, ainda nos dias atuais, em suas obras, desde esculturas até instalações e pinturas a óleo.

Em suas obras com óleos e guaches, Youri Messen-Jaschin utiliza, na maioria das vezes, a a técnica da colagem. As suas cores preferidas são: os verdes fortes, o amarelo, o vermelho, as tonalidades luminosas e as combinações de azul.

Costuma expor seus trabalhos em clubes e em exposições ou em locais sombrios, com iluminação de lâmpadas UV, cobrindo-o sempre em quatro horas com corpos nus de cores psicadélicas e biológicas.

Roy Lichtenstein

Com nome de batismo de Roy Fox Lichtenstein, nasceu no dia 27 de outubro de 1923 e morreu no dia 29 de setembro de 1997, ambos na cidade de Nova York. Foi um importante pintor que se identificava com a Pop Art e com a Arte Cinética.

Em suas obras, se inspirou nos clichês dos quadrinhos, colocando-os em movimento. Com isso ele também tentou criticar a cultura de massa e a indústria cultural.

Nos seus quadros a óleo e tinta acrílica, reproduziu à mão, e com fidelidade, os procedimentos gráficos de uma revista em quadrinhos.

Cores planas, brilhantes, limitadas e contornadas por um traço preto, contribuíram para que houvesse impacto visual em suas obras.

Acredita-se que sua primeira inspiração veio através de um quadro do personagem da Disney Mickey Mouse que fez para seus filhos em 1963.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Luiz, Victor. Arte cinética; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/arte-cinetica >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 17:41.

Copiar referência

Outros Artigos de Artes

Monumento à Terceira Internacional.

Construtivismo nas artes

O construtivismo nas artes está relacionado com o movimento artístico […]

A Commedia dell’arte fazia a utilização do humor e críticas à sociedade em palcos improvisados.

Commedia Dell’Arte

A Commedia Dell’Arte iniciou-se a partir do início do século […]

Circo armado

Circo

O circo é o lugar onde acontecem expressões artísticas que […]

características das cores matiz

Características das Cores

As características das cores podem ser descritas como matiz, tonalidade […]