Arthur Bernardes

Governo marcado por medidas autoritárias e revoltas dos tenentistas

Arthur da Silva Bernardes, mais conhecido apenas por Arthur Bernardes, nasceu no dia 8 de agosto de 1875 na cidade de Viçosa, estado de Minas Gerais. Tornou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1900.

Presidente Artur Bernardes
Presidente Arthur Bernardes (Foto: Wikipédia)

Nesse período, Arthur Bernardes já havia se alistado ao Batalhão Patriótico Bias Fortes para combater os conflitos a Guerra de Canudos em defesa ao regime republicano. Atuou como jornalista e diretor do jornal “A Cidade de Viçosa” entre 1903 e 1905.

Neto do chefe político da região e filho do promotor de justiça da cidade, Arthur Bernardes iniciou na carreira política em novembro de 1904 quando tornou-se vereador de Viçosa pelo Partido Republicano Mineiro (PRM) de 1905 a 1906.

Posteriormente, se tornou presidente da Câmara Municipal e, mais tarde, prefeito da cidade de Viçosa. Em 1915 foi eleito deputado federal, cargo no qual cumpriu dois mandatos.

Nesse mesmo período foi nomeado secretário das Finanças do Estado de Minas Gerais, no qual criou a Caixa Beneficente dos Funcionários do Estado em 1912, que dez anos depois se transformou em Providência dos Funcionários do Estado.

Arthur Bernardes também contribuiu para a criação do Banco Hipotecário Agrícola, hoje nominado Banco do Estado de Minas Gerais.

Tornou-se o líder do seu partido, tirando o controle dos políticos do Sul de Minas Gerais, transferindo para a Zona da Mata o centro da política mineira.

E entre os anos de 1918 e 1922 foi presidente de Minas Gerais. Sua atuação política o preparava para a candidatura à presidência da República, visto que a oligarquia mineira era uma das mais influentes do país e permanecia a Política do Café-com-Leite.

Presidência de Arthur Bernardes

A candidatura de Arthur Bernardes a presidência da República não foi bem aceita pelos militares devido ao episódio conhecido como “cartas falsas”.

Em 9 de outubro de 1921, o jornal “Correio da Manhã” publicou cartas, supostamente escritas por Arthur, compostas por ofensas às Forças Armadas e ao Marechal Hermes da Fonseca.

Hermes da Fonseca julgou que as cartas eram verdadeiras e pediu a renúncia da candidatura de Arthur à presidência. No entanto, Arthur Bernardes conseguiu provar sua inocência através de perícia.

Mesmo provando inocência, as publicações causaram revoltas militares. Entre elas a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, em 1922, primeira ação do Movimento Tenentista.

Os conflitos gerados não foram suficientes e por meio de eleição direta, Arthur Bernardes assumiu a presidência da República em 15 de novembro de 1922. Durante seu governo, enfrentou uma forte instabilidade política.

“Não estará ainda na memória de todos o que fora a penúltima campanha presidencial? Nela se afirmava que o candidato não seria eleito; eleito não seria reconhecido, não tomaria posse, não transporia os umbrais do Palácio do Catete!”

(Arthur Bernardes sobre a dificuldade da sua eleição)

As revoltas tenentistas contra a República Oligárquica que se espalhavam pelo país e o avanço do movimento operário obrigou-o a governar o país, permanentemente, em estado de sítio.

O presidente Arthur Bernardes lidou com uma inflação descontrolada, resultante do fim da Primeira Guerra Mundial, além de confrontar uma guerra civil no Rio Grande do Sul decorrente do resultado eleitoral.

Em 1923, os candidatos ao governo gaúcho, Borges de Medeiros, líder do Partido Republicano Rio-grandense, e Assis Brasil, da oposição, declararam-se vitoriosos à presidência do estado o que suscitou em uma guerra.

Após meses de confronto, foi assinado um acordo entre ambos candidatos, no qual o governo federal reconheceu Borges de Medeiros como presidente do Rio Grande do Sul pela quinta vez consecutiva.

Durante a República Velha, era comum as fraudes eleitorais e interferências do governo federal nos estados, privilegiado os candidatos aliados ao partido.

Além da revolta de 1922 em Copacabana, o Movimento Tenentista desenvolveu outras revoltas pelo país ao longo dos anos. Em 1924, eclodiram revoltas em São Paulo (5 de julho), Mato Grosso (12 de julho), Sergipe (13 de julho), Amazonas (23 de julho), Pará (26 de julho) e Rio Grande do Sul (29 de outubro).

Arthur Bernardes ordenou um bombardeio na cidade de São Paulo. A população paulista abandonou a cidade e o resultado do ataque foi centenas de mortos e cerca de quatro mil feridos.

Derrotados pelas tropas legalistas, os revoltosos foram ao encontro das tropas gaúchas lideradas por Luís Carlos Prestes e Mário Fagundes Varela. Em 1925, Arthur Bernardes ainda enfrentou a Coluna Prestes, reorganizada pelo tenentismo.

Liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes, percorreram o país durante anos buscando aliciar populações a ir contra o governo e as oligarquias dominantes. A marcha da Coluna Prestes-Miguel Costa durou até fevereiro de 1927.

Arthur Bernardes finalizou seu mandato dia 15 de novembro de 1926, passando o cargo para Washington Luís. No geral, seu governo foi marcado por medidas autoritárias para combater as revoltas.

Foi um governo repressivo, marcado pela opressão a liberdade da imprensa. Propôs cortes nos gastos públicos, realizou empréstimos e o aumentou os impostos, com a finalidade o intuito de equilibrar a economia brasileira.

Após a presidência, Arthur Bernardes foi eleito senador da república. Participou da Revolução de 1930, tornou-se um dos líderes da Revolução Constitucionalista de 1932, que resultou em sua prisão, exilando-se em Lisboa por dois anos.

Foi anistiado em 1934 e permaneceu atuando ativamente na política do país até o fim de sua vida. Arthur Bernardes faleceu em 23 de março de 1955, no Rio de Janeiro.

Principais atos como presidente

  • Promoveu a única reforma da Constituição de 1891, que foi promulgada em setembro de 1926 e alterava as condições para se estabelecer o estado de sítio no Brasil;
  • Fundou a Escola Superior de Agricultura e Veterinária em Viçosa, que depois se tornou a Universidade Federal de Viçosa;
  • Retirou o Brasil da Liga das Nações em 1926;
  • Foi o pioneiro da siderurgia em Minas Gerais.

Curiosidades

  • Arthur Bernardes negava sua naturalidade. Segundo históricos, ele nasceu em Cipotânea, na comunidade rural da Paciência, terra de sua mãe, contudo ele dizia ter nascido em Viçosa, que é uma cidade popular e desenvolvida.
  • Bernardes foi casado por mais de 50 anos com Clélia Vaz de Mello, filha Carlos Vaz de Mello, político importante da Zona da Mata mineira.
  • As terras onde foram erguidas as primeiras faculdades integrantes da Universidade Federal de Viçosa pertenciam ao sogro de Bernardes.

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BRITO, Samara. Arthur Bernardes; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/arthur-bernardes >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:42.

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