Assonância

Figura reconhecida pela produção de sons vocálicos

Assonância é uma figura de linguagem caracterizada pela repetição de sons vocálicos em versos ou frases de músicas, poesias e prosas, entre outros gêneros textuais. O estilo é usado para proporcionar maior expressividade ao texto por meio da intensificação do ritmo e da musicalidade nas palavras.

Geralmente, as vogais repetidas estão em sílabas tônicas e são percebidas através da identificação de uma regularidade no som da frase. A assonância constitui-se em um instrumento da escrita usado especialmente em rimas, qualidade que fornece efeito harmônico nos poemas.

Aplicação da assonância

A frase que contém assonância é fácil de ser identificada, pois a vogal com maior ênfase de reprodução é aquela que está causando o som, ou seja, causando a semelhança fonética. Inclusive, palavras diferentes podem ter essas vogais tônicas determinadas como assonantes. Veja o exemplo abaixo:

Essa desmesura de paixão
É loucura do coração
Minha foz do Iguaçu
Pólo sul, meu azul
Luz do sentimento nu

Linha do Equador – Djavan

Nessa composição do cantor Djavan é possível perceber dois exemplos de assonância. O primeiro é a repetição do “ão” nas palavras “paixão” e “coração”, e o segundo padrão mais enfatizado diz respeito a reiteração da vogal “u” em “Iguaçu, sul, azul, luz, nu”, que produz o som harmonioso na canção.

A assonância é conhecida também como a figura do som juntamente com a aliteração. Em textos da literatura são usadas em conjunto para fornecer harmonia nos versos, estabelecendo assim um paralelismo que produz a rima.

Livro aberto com letras para explicar assonância.
A principal característica da assonância é a produção de som pelas vogais em uma oração. (Foto: Dreamstime)

Assonância: trabalho em conjunto com a aliteração

Apesar de consideradas como figuras do som e utilizadas juntas na maior parte das produções textuais, a assonância e a aliteração possuem algumas diferenças entre si. Como já visto, a assonância destaca a reprodução contínua do som das vogais, enquanto que a aliteração faz o mesmo com as consoantes.

As duas figuras têm o mesmo objetivo de proporcionar sons eufônicos, o que muda é a diferença na utilização das letras do alfabeto.

Na aliteração é possível perceber que a consoante tem muita ênfase na repetição, como no exemplo abaixo:

O rato roeu a roupa do rei de Roma.

A letra “r” na função vibrante está sendo repetida muitas vezes nesse trava-línguas, produzindo um som fonético em “r”.

Veja mais um exemplo:

Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

Esta proposição apresenta diversos recursos sonoros. Apesar de notar que o som do “f” e do “r” é acentuado, a letra “e” que comanda a sonoridade da frase, pois é ela quem aparece na maioria do discurso. 

A utilização desses métodos também pode ter a finalidade de deixar evidente alguns pontos importantes do texto, para que o leitor preste mais atenção em determinada parte, de acordo como a sonoridade.

A composição desses recursos em uma obra oferece ao leitor e ao ouvinte uma experiência sensorial. Dessa forma, acontece a representação da realidade por meio da linguagem harmônica e até emotiva. Veja o seguinte exemplo:

Berro pelo aterro, pelo desterro
Berro por seu berro, pelo seu erro
Quero que você ganhe, que você me apanhe
Sou o seu bezerro gritando mamãe

Qualquer Coisa – Caetano Veloso

Nesse trecho da música, o compositor utiliza a assonância e a aliteração juntas com a repetição do “erro” em várias palavras. A vogal “e” é fechada nas palavras “aterro”, “desterro” e “erro” e aberta em “berro”. O cantor rima “ganhe” com “apanhe”. Os termos repetidos possuem vogal, semivogal e consoante.

Outras figuras do som

As figuras de linguagem são utilizadas na intenção de estimular uma interpretação de texto aprofundada das expressões formuladas pelo autor, que o faz com esse mesmo motivo. Nos poemas, em que são mais usados esses recursos expressivos, é bem comum existir uma análise para descobrir em termos comuns o que aquela poesia quer realmente dizer.

Porém, além desse propósito, as figuras de som também permitem uma musicalização harmoniosa dos gêneros literários e musicais. Muitos artistas as utilizam com o objetivo de emitir um efeito sonoro associado ao sentido que a obra dispõe.

Onomatopeia

A onomatopeia é considerada uma figura de som porque sua utilização também provoca um efeito sonoro que influencia no ritmo da leitura. Se define como ferramenta de transformação de sons naturais para o formato escrito, como por exemplo, as palavras “splash” (barulho de água) ou “au au” (cachorro latindo).

Esse recurso possui um papel fundamental na ilustração e performance da escrita e é muito utilizado em cartum e histórias em quadrinhos.

A partir de uma escolha de vocábulos, é possível criar uma palavra ou grupo delas na intenção de reproduzir um som específico, como movimentos ou barulhos que estejam relacionados ao contexto da obra.

Ao realizar essa provocação, o leitor pode se inserir na realidade descrita pelo texto, pois a expressividade da onomatopeia é bastante rica em detalhes. Veja o exemplo:

Bate forte o tambor, eu quero tic, tic, tic, tic tac.

Carrapicho

O conjunto de palavras “tic, tic, tic, tic tac” representa a batida do tambor dita anteriormente pelo cantor. Essa foi a forma que encontrou para demonstrar o som natural do instrumento.

Paronomásia

A paronomásia é uma figura de linguagem pertencente ao grupo das figuras harmoniosas. É atribuída a modificação do som no texto ou na fala. Provérbios e ditados populares são produzidos a partir da utilização da paronomásia.

O efeito harmonioso ou inarmônico que provoca na leitura é usado para intensificar algum aspecto no texto, ou seja, as palavras que têm principal importância ou suas variações são repetidas sequencialmente ao longo da enunciação. O assunto ou tema é ressaltado mediante sonoridade que provocam.

Ao invés de focalizar o efeito sonoro em uma consoante ou em uma vogal como a aliteração e a assonância, respectivamente, essa figura do som utiliza dessas duas ferramentas para criar esse conjunto de proximidade, independente da marca sonora.

Veja um exemplo de enunciado com paronomásia:

Que a morte apressada seja tributo do entendimento, e a vida larga atributo da ignorância.

Padre Antônio Vieira

Nessa frase, o autor se utiliza do som parecido entre duas palavras com definições diferentes para estabelecer relações entre duas ideias opostas. Tal análise pode ser concluída com a observação da expressão “morte apressada” que se relaciona com “tributo” e “vida larga” associada a “atributo”.

Fundamento das figuras

Todas essas figuras harmônicas são técnicas da língua portuguesa para a transmissão de informações de forma ritmada e até reflexiva, através do processo comunicativo verbal e oral.

Os enunciados compostos por palavras que fazem relações com as outras por meio das figuras do som conseguem retratar elementos da vida real pela sua representação sonora no texto. Além disso, os efeitos conferem ao texto total vivacidade.

Estratégias sonoras como a assonância, a paronomásia e a onomatopeia podem ser reproduzidas na prática textual com o mesmo efeito, o que colabora efetivamente para a sua representação oral e escrita, ajudando a compreensão do leitor sobre determinada expressão.

Uma curiosidade sobre a figura em questão é que sua palavra deriva do latim “assonans”, que vem do particípio do verbo “assonare” e sua tradução para o português indica a ação de produzir som, como ressoar, fazer eco, ecoar ou soar.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Oliveira, Darcicleia. Assonância; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/assonancia >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 23:29.

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