Baião

Gênero musical nordestino famoso na década de 1940

O Baião é um gênero de música e dança típico da Região nordeste do Brasil. Tornou-se popular no país na década de 1940 com a influência do músico e radialista Luiz Gonzaga que, mais tarde, ficou conhecido como o rei do Baião.

Teve ainda a influência do compositor e poeta Humberto Teixeira, considerado o doutor do baião e parceiro de música de Gonzaga.

Os principais instrumentos utilizados no baião são o triângulo, o acordeão, também conhecido como sanfona, a viola caipira, a flauta doce e a rabeca, que tem origem árabe.

Uma das características das letras do estilo musical são as histórias de sertanejos, suas rotinas, vidas e dificuldades, como os períodos de seca.

O gênero foi conhecido como baiano, derivado do verbo “baiar”, que quer dizer bailar. Considera-se que tenha sido derivado do lundu, um estilo de dança e canto com origem na África, que veio para o Brasil com os escravos trazidos a força de Angola. Especula-se que o ritmo tenha influenciado outros estilos brasileiros, como o samba.

Asa Branca

Uma das músicas mais famosas do baião é "Asa Branca". Composta por Luiz Gonzaga, em parceria do poeta Humberto Teixeira, a canção narra a seca na região Nordeste que, por sua intensidade, faz migrar até mesmo a ave Patagioenas Picazuro, mais conhecida como asa branca ou pomba asa branca.

O personagem principal da canção, relata sua ida embora do sertão após perder seu rebanho de gado por conta da falta de água, mas prometendo a sua amada que irá retornar quando chover.

Mais tarde, Luiz Gonzaga compôs a música “A Volta da Asa Branca“, que narra o retorno do personagem na volta para sua casa após notícias de chuva.

O baião Asa Branca já ganhou versões nas vozes de nomes como Raul Seixas, Elba Ramalho, Lulu Santos, Elis Regina, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Fagner, Zé Ramalho, Padre Fábio de Melo e vários outros. Ela ganhou ainda versão na língua inglesa.

Instrumento usado por Luiz Gonzaga no Baião
O Acordeão, um dos instrumentos do Baião. (Foto: Wikipédia)

Roupas e coreografias do Baião

Além de ser marcado por sua musicalidade, as roupas e coreografias do baião exercem fortes influências na construção do estilo.

Dançado em pares, as mulheres trajam vestidos de chita, com babados nas saias. As mangas são curtas e os vestidos são decotados.

Roupas e sandálias são bastante coloridas. Já os homens usam calça de brim de cor clara, camisas comuns e sandálias de couro cru.

Posicionados em círculos, a dança é individual e consiste em movimentos no ventre e nos pés. A umbigada é a principal marca da coreografia, que ainda é composta por balanceios, rodopios, movimentos com os braços e estalar de dedos.

Na dança do baião, o balanceio é feito quando o dançarino põe uma perna na frente e a flexiona ligeiramente, mas sem apoiar o pé. Repete esse movimento com a outra perna e, na troca, balança o corpo.

Na dupla, o cavalheiro executa esse passo enquanto segura o punho esquerdo com a mão direita atrás do corpo.

Existe ainda o rodopio, que é feito com o cruzamento da perna direita na frente da esquerda e flexionando. Ao mesmo tempo, o dançarino balança a cabeça e o tronco, cruza os braços na frente do corpo e gira, fazendo uma espécie de arco com os braços e com o um pé levantado, finalizando o movimento com o pé oposto.

Além desses, existem também o passo de calcanhar e o passo de joelho.

Luiz Gonzaga

Considerado o Rei do Baião, Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu no dia 13 de dezembro de 1912 na cidade de Exu, Pernambuco. Na região, o bioma predominante é o da caatinga e do cerrado.

Foi o principal nome do gênero musical e ajudou a difundi-lo pelo Brasil. Ainda levou para o país ritmos como o forró pé de serra, o xote e o xaxado, estilos de música e dança do Nordeste.

Oriundo de uma família humilde, Gonzaga se apaixonou por uma jovem chamada Nazarena, mas foi impedido de casar-se com a moça pelas famílias de ambos. Revoltado, fugiu de casa e ingressou no exército, onde ficou por quase 10 anos.

Em serviço, conheceu o também soldado Domingos Ambrósio, conhecido por ser um bom acordeonista, e se interessou pela área musical.

Em suas viagens servindo ao exército chegou a Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, onde aprimorou suas habilidades com a sanfona, instrumento que aprendeu a tocar com o pai.

Após dar baixa no exército, em 1939, Luiz Gonzaga foi para o Rio de Janeiro, onde começou a cantar em bares, cabarés e até se apresentar em programas de calouros.

Antes do baião, cantava estilos de música como samba, valsa, xotes e serestas. Se apresentava ainda com embolada, conhecido também como coco de repente, ritmo em que, junto com um parceiro e ao som de um pandeiro, montam versos métricos e rimados de forma rápida e improvisada.

O embolador é considerado um repentista, mas utiliza instrumentos e técnicas diferentes.

Em um desses programas de talento, conseguiu contrato com uma gravadora em que gravou mais de cinquenta músicas instrumentais. Ao ser contratado pela Rádio Nacional conheceu o acordeonista Pedro Raimundo, que se vestia com trajes do sul do país, sua região natal. Teve então a ideia de se vestir de vaqueiro e esse figurino faz parte da sua consagração como artista.

Em 1945 Luiz Gonzaga gravou a sua primeira música como cantor, mesmo ano em que conheceu Odaléia Guedes dos Santos, a Léia, com quem teve seu primeiro filho, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o músico Gonzaguinha.

A jovem já estava grávida quando o casal se conheceu e Luiz Gonzaga assumiu a criança, vivendo junto com Léia por cerca de dois.

Com a morte de Léia, ele pediu para que seus padrinhos criassem o menino, pois sua atual esposa, Helena, não o queria. Gonzaguinha cresceu longe do pai que, mesmo distante, sempre o ajudou financeiramente.

Tiveram uma relação conflituosa, mesmo com os padrinhos de Luiz, Leopoldina e Henrique Xavier Pinheiro, tentando fazer com que os dois se entendessem.

O jovem aprendeu a tocar viola com Xavier. A relação entre Gonzaga e Gonzaguinha só piorou quando a história da paternidade deixou de ser segredo.

Aos 16 anos, foi morar a força com o pai, e por conta das brigas com Helena, Luiz mandou o filho para um internato, onde ele ficou até os 18 anos.

Após superar o vício em álcool, concluir a universidade, o jovem se tornou músico e ambos passaram a ter uma boa relação. Começaram a compor juntos e, 1979, os dois chegaram a fazer uma turnê. "A vida do viajante", título do show de pai e filho, foi lançado em LP, e mais tarde em CD e DVD.

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Fernandes, Ruan. Baião; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/baiao >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 19:51.

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