Barão de Mauá

Precursor da industrialização e do capitalismo no Brasil

Visconde e Barão de Mauá, Irineu foi um político, banqueiro e empresário brasileiro. Pioneiro na criação de diversos empreendimentos, foi considerado o precursor do capitalismo e da industrialização no Brasil no período do Império. Dentre as suas maiores realizações encontra-se a implantação da primeira fundição de ferro e estaleiro no país.

Infância e juventude

Nascido no dia 28 de dezembro de 1813, em uma família humilde no interior do atual Rio Grande do Sul, Irineu Evangelista de Sousa era filho de João Batista de Ávila e Souza, um pequeno criador de gado, e de Mariana de Jesus Batista de Carvalho.

Visconde e Barão de Mauá
Gravura do Barão de Mauá (1813-1889). (Foto: Wikipédia)

Aos cinco anos, em 1818, ficou órfão de pai. Três anos depois sua mãe casou-se novamente, no entanto o novo marido rejeitou os filhos do primeiro casamento, assim a guarda de Irineu foi entregue a um tio do interior de São Paulo, onde foi alfabetizado.

No ano seguinte, o jovem seguiu com outro tio para viver no Rio de janeiro, então capital do Império do Brasil.

Essa mudança foi um fator determinante na trajetória do futuro barão. Aos nove anos já trabalhava como caixeiro de armazém a troco de moradia e comida.

Em 1824, aos onze anos, começou a trabalhar no comércio do português Antônio Pereira de Almeida. Sua produtividade fez com que fosse promovido a guarda-livros. Por recomendação do antigo empregador, em 1830, Irineu foi admitido na empresa de importação do escocês Richard Carruthers.

Durante o período em que trabalhou com Carruthers, aprendeu inglês e contabilidade. Trabalhando pesado e estudando ao mesmo tempo, pegou gosto pelos negócios e ganhou destaque.

Pouco tempo após entrar para empresa, o futuro Barão de Mauá tornou-se sócio da companhia. Após Richard Carruthers resolver voltar para o Reino Unido, Irineu Evangelista assumiu o negócio, caminhando para o futuro sucesso de sua carreira empresarial.

Barão de Mauá

Em 1840, Irineu realizou uma viagem de negócios à Inglaterra, onde conheceu novas ideias de fábricas, fundições de ferro e o mundo dos empreendimentos capitalistas existente em países mais desenvolvidos.

O impacto de ver a Revolução Industrial de perto mudou os rumos da carreira do empresário que voltou ao Brasil disposto a industrializar o país e a segmentar seus investimentos na melhoria da infraestrutura nacional.

O industrial

Barão de Mauá foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento industrial do Brasil no período do Império. Tendo obtido a concessão do fornecimento de tubos de ferro para a canalização do rio Maracanã junto ao governo brasileiro, Irineu deu início a sua grande empreitada.

Em seguida, adquiriu uma pequena fundição situada na Ponta da Areia, em Niterói, e transforma-o em um estaleiro de construções navais, dando início à indústria naval brasileira.

O Estabelecimento de Fundição e Companhia Estaleiro da Ponta d’Areia tornou-se o maior empreendimento industrial do país, empregando mais de mil operários e produzindo navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, canos, entre outros.

Além de ser responsável por fundar a primeira companhia de navegação fluvial do norte do país, a Companhia de Navegação do Amazonas (1852), e a primeira ferrovia brasileira, o Barão de Mauá também criou a primeira companhia de iluminação pública do Brasil.

Em 1857, o estaleiro na Ponta da Areia foi destruído por um incêndio e reconstruído anos mais tarde. Durante seus onze anos, antes do incêndio, já havia fabricado 72 navios, dentre os a vapor e à vela.

Porém, a empresa foi a falência após a aprovação da Lei de Tarifas Silva Ferraz, que reduziu as taxas de importação de máquinas e equipamentos estrangeiros no país.

O banqueiro

Já pioneiro em diversos empreendimentos de sucesso no país, Barão de Mauá resolveu diversificar seus negócios. Em 1852, o visconde fundou o Banco Mauá, MacGregor & Cia que cresceu rapidamente, abrindo filiais em várias capitais brasileiras e cidades estrangeiras, como Nova York, Londres e Paris.

Em 1857, fundou no Uruguai o Banco Mauá Y Cia., sendo o primeiro estabelecimento bancário daquele país, inclusive com autorização de emitir papel-moeda e abrindo filial em Buenos Aires. Irineu Evangelista também inaugurou a primeira casa de câmbio em solo nacional.

O político

Além de empresário e banqueiro, o Barão de Mauá também era um defensor das ideias políticas de caráter liberal e do abolicionismo. Por volta de 1856, foi eleito deputado pela Província do Rio Grande do Sul, sendo reeleito em diversas legislaturas. Renunciou ao mandato quase duas décadas depois para dedicar-se inteiramente a seus negócios que estavam ameaçados desde a crise bancária que se iniciara em 1864.

O título

Foi após a inauguração da primeira estrada de ferro do Brasil, que ligava o Porto de Mauá, na Baía de Guanabara, a Minas Gerais, que Irineu recebeu de Dom Pedro II o título de Barão de Mauá (abril de 1854).

Seu papel no desenvolvimento do país foi tão importante que o império lhe concedeu o segundo título, agora visconde, em junho de 1874. Contudo, a denominação de “barão” ganhou maior destaque em sua biografia.

Falência e morte

Com a falência do Banco Mauá em 1875, o Barão de Mauá foi obrigado a vender a maioria de suas empresas, a preço abaixo do mercado, a capitalistas estrangeiros e ainda os seus bens pessoais para liquidar as dívidas, encerrando sua vida empresarial.

Falido e doente, o visconde de Mauá viveu seus últimos anos de vida em sua propriedade em Petrópolis, dedicou-se à corretagem de café até falecer em 21 de outubro de 1889, aos 76 anos de idade.

Barão de Mauá foi um empreendedor pioneiro em diversas áreas da economia do Brasil. Chegou a ser um dos homens mais ricos do Império, em 1867 era dono de um patrimônio aproximadamente 20% superior ao orçamento do governo brasileiro. Uma das figuras mais ilustres da história do Brasil, sua biografia está diretamente ligada a história e ao desenvolvimento do país.

Casamento

O Barão de Mauá foi casado com sua sobrinha Maria Joaquina de Sousa Machado. Juntos tiveram ao todo dezoito filhos, sendo que apenas onze nasceram com vida. A morte prematuras dos bebês é atribuída à proximidade do grau de parentesco entre Irineu e sua esposa, e aos problemas genéticos decorrentes desse fato.

Citações

As dificuldades foram feitas para serem vencidas.

O melhor programa econômico do governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Barão de Mauá; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/barao-de-maua >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:55.

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