Body Art

Manifestação artística que usava o corpo humano como tela

Body art, que em português significa “arte do corpo”, foi uma manifestação artística que surgiu na década de 1960 nos Estados Unidos e na Europa e tinha o corpo como principal forma de expressão.

Na Body Art, o corpo, seja do próprio artista ou de uma outra pessoa e era a principal ferramenta de trabalho por substituir a tela. A obra de arte deixou de ser algo totalmente estático para se tornar uma “obra viva”.

Essa nova forma de produzir arte pode ser considerada uma vertente da arte contemporânea, com novos atores sociais, como negros, homossexuais e mulheres, totalmente oposta ao mercado artístico internacionalizado e técnico que existia até então e deixou um legado que persiste ainda hoje.

Muitos artistas e até mesmo as pessoas se utilizam da Body Art em festas e apresentações por todo o mundo. Podemos citar os circos, por exemplo, que tem como uma das principais características a pintura corporal.

História

A Body Art iniciou em meio ao surgimento de movimentos como o Pop Art, quando a forma de se fazer arte até aquele momento passou a ser questionado e deixou de se restringir à pintura e escultura. Dessa forma, os artistas começaram a buscar novas orientações artísticas, aproximando cada vez mais o fazer artístico à realidade urbana, tecnologia e natureza.

As experiências iniciais do Surrealismo e Dadaísmo, com o uso do corpo do artista como matéria da obra, foram retomadas com a Body Art, que buscou também inspiração das práticas das sociedades primitivas, como tatuagens, pinturas corporais e inscrições sobre o corpo.

Marcel Duchamp (1887-1968) foi um artista considerado importante para esse movimento artístico por romper os limites do modo de fazer arte e por proporcionar uma reflexão sobre a relação das pessoas com o mundo. Ele se baseava na premissa de que “tudo pode ser usado como uma obra de arte”.

Body Art
Body Art nos dias atuais. (Foto: Pixabay)

Características da Body Art

As principais características da Body Art eram:

  • O corpo humano era o objeto principal de manuseio do artista, considerado veículo portador de ideias e atitudes;
  • Eram criadas “esculturas vivas” que transmitiam a ideia de transformação da vida em arte;
  • Houve uma ruptura radical com as formas tradicionais de arte;
  • Destaque para o uso de maquiagens, tatuagens, queimaduras, ferimentos, travestimento, mutilações, deformações;
  • Os temas eram totalmente livres de preconceitos de gênero e sexualidade, como uma forma de protesto;
  • Os artistas objetivavam chocar o expectador por meio de investidas violentas contra o corpo, além de transgredir as normas sociais e os tabus;
  • Buscava-se despertar a consciência do público com relação a arte e vida.

Principais artistas

Conheça um pouco mais sobre os principais artistas que marcaram esse movimento.

Yves Klein (1928-1962)

Yves Klein foi um artista francês, considerado um dos precursores da Body Art. Sua carreira foi marcada por muitos atos radicais e excêntricos. Para comemorar a abertura de uma exposição sua 1957, por exemplo, ele soltou 1.001 balões azuis de hélio em Paris.

Também ficou conhecido por utilizar corpos femininos em suas obras de arte. O seu trabalho de maior destaque foi a exposição “Anthropometries of the Blue Epoch”, onde apareceu vestido de maneira formal e enquanto nove músicos tocavam sua sinfonia “Monotone-Silence” – com uma única nota tocada por 20 minutos seguido de mais 20 minutos de silêncio – ele comandava três modelos nuas que se cobriam de tinta azul e formavam imagens de seus corpos sobre uma tela em branco.

Bruce Nauman (1941)

Bruce Nauman, artista dos Estados Unidos, também ficou marcado pelas suas performances, obras em neon, vídeos e instalações famosas. Afirmou em 1970 a inspiração de seus trabalhos: “quero usar o meu corpo como material e manipulá-lo”.

A obra de sua autoria “Fonte Refluxo” (1966) utilizava o corpo como forma de expressão. Nela, a modelo cospe jatos de água pela boca em movimentos repetitivos.

Vito Acconci (1940-2017)

Vito Acconci, nascido nos Estados Unidos, foi um artista que usou o próprio corpo como tema e material de trabalho. Em suas obras, abordava a relação entre homem, sexo, prazer e desejo.

A maioria das seus trabalhos foram documentados em fotografias. Entre eles, um dos mais polêmicos foi o “Seedbed” (1972), onde ele se masturbava escondido debaixo de uma rampa enquanto detalhava aos expectadores suas fantasias eróticas por meio de alto-falantes. “RubbingPiece” (1970) e “Trappings” (1961) também foram destaques.

Piero Manzoni (1933-1963)

O artista italiano Piero Manzoni foi reconhecido por suas obras conceituais e pelo radicalismo. Em 1961 realizou exposições de pessoas nuas e designou um “pedestal mágico” onde as pessoas que subissem, se tornariam um trabalho de arte.

Sua obra mais polêmica foi a “Merded’artista”, em português, “Merda de Artista” (1961) formada por 90 latas que continham suas próprias fezes. O sucesso foi tanto que foi exposto em grandes museus de todo o mundo. Em 2007, uma de suas latas chegou a ser vendida por mais de um milhão de libras.

Rudolf Schwarzkogler (1940-1969)

O austríaco Rudolf Schwarzkogler foi considerado também um dos artistas mais radicais da época por suas obras mórbidas, que quase remetiam ao sadomasoquismo, e com ênfase política.

Em obras fotográficas, por exemplo, mostrava seu corpo auto mutilado em ambientes que faziam referência a hospitais ou totalmente catastróficos. Além de mutilação, suas obras incluíam defecar em público, ingerir fezes e urina, vomitar e derramar sangue de animal sobre o público passando a ideia de agonia, angústia e até medo.

Integrou o grupo “Arte e Revolução” juntamente com Herman Nitsch, Otto Mühl e Günter Brus, considerado extremista pelas performances extremistas.

Curiosidades da Body Art

O corpo já era utilizado como tela para pinturas desde o homem neandertal, muito antes das pinturas em paredes de caverna. Naquele período, elas já possuíam um significado cultural importante e eram comumente usadas em celebrações.

O mesmo ocorria e ocorre entre os povos indígenas, que dão à pintura dos corpos um significado relevante para a cultura, desde expressão de beleza à preparação para a guerra. Os desenhos espalhados pelo corpo indicam ainda a posição hierárquica dentro da tribo.

Também na cultura hindu a pintura do corpo é uma tradição. Nos casamentos, por exemplo, a noiva recebe pinturas pelo corpo que simbolizam sorte para a sua nova vida. Além disso, o sinal vermelho pintado entre as sobrancelhas representam o seu novo estado civil.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

LOPES, Adriana. Body Art; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/body-art >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:25.

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