Botulismo

Doença bacteriana pode ser fatal

O botulismo é uma das doenças causadas por bactérias. Considerada rara, grave e não contagiosa, é resultante da ação de uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum.

A partir de sintomas neurológicos e gastrointestinais, a doença pode ser letal por problemas como a paralisia da musculatura respiratória.

A bactéria causadora da doença pode entrar no organismo através de machucados, ingestão alimentar ou acidentes envolvendo a manipulação de materiais contaminados (transmissão pela via inalatória ou contato com a conjuntiva).

Em outras palavras, o botulismo pode ser dividido em:

  • Alimentar;
  • Por ferimentos;
  • Intestinal;
  • Acidental.

Cada divisão da doença tem a sua causa e sintoma. Por isso, é importante conhecer as características e as formas de prevenção dessa grave enfermidade provocada por bactérias.

Formas de transmissão e sintomas do botulismo

No botulismo alimentar, a transmissão ocorre pela ingestão de toxinas presentes em alimentos contaminados. Isso acontece por erros na produção ou armazenamento inadequado de determinados produtos.

Por isso, os alimentos mais envolvidos são:

  • Conservas vegetais;
  • Salsichas;
  • Presunto;
  • Carne enlatada;
  • Pescados defumados;
  • Queijos.

O período de incubação dessa forma de transmissão varia de 2 horas a 10 dias, em média de 12 a 36 horas. Vale lembrar que o período de incubação é o tempo decorrido entre a exposição de uma pessoa a um agente infeccioso e a manifestação dos primeiros sintomas da doença.

Entre os sintomas estão manifestações gastrointestinais como:

  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Diarreia;
  • Dor abdominal.

Além das gastrointestinais, cabe ressaltar que existem manifestações neurológicas envolvidas na transmissão por alimentos contaminados. Elas aparecem em problemas como:

  • Vertigem e tontura;
  • Visão turva;
  • Limitação do movimento do globo ocular;
  • Pupilas dilatadas.

Com o passar do tempo e a evolução da doença, o paciente pode apresentar dificuldade para sustentar o pescoço, dispneia, insuficiência respiratória, tetraplegia flácida, fraqueza muscular nos membros, boca seca, retensão urinária.

O botulismo causa diversas complicações, incluindo dores no abdome.
Botulismo pode causar dor abdominal. (Foto: Pixabay)

Por ferimentos

No caso de botulismo por ferimentos, a contaminação ocorre por causa de lesões com o C. botulinum. Em condições de anaerobiose, a mencionada bactéria assume a forma vegetativa e produz toxina dentro de um determinado organismo. Com período de incubação de 4 a 21 dias, em média 7 dias, essa é uma das formas mais raras da doença.

Antes de prosseguir, é importante destacar que a condição de anaerobiose é aquela na qual um organismo não precisa de oxigênio para o crescimento. No caso da bactéria, é um organismo anaeróbico unicelular (consiste em apenas uma célula).

E qual o significado da forma vegetativa de uma bactéria? Essa forma acontece quando elas estão realizando todas as suas atividades metabólicas, como respiração, multiplicação, absorção.

Após a breve contextualização de termos, no que diz respeito ao quadro clínico, o botulismo por ferimentos apresenta sintomas semelhantes aos da transmissão alimentar. Porém, é preciso destacar que as manifestações gastrointestinais não são esperadas e pode ocorrer febre. O quadro febril é decorrente da contaminação secundária do ferimento.

Intestinal

Com período de incubação desconhecido pela ciência, o botulismo intestinal resulta da ingestão de esporos bacterianos presentes no alimento, seguida da fixação e multiplicação do agente no ambiente intestinal da pessoa. Nesse espaço ocorre a absorção de toxina.

Os esporos bacterianos são estruturas pequenas produzidas pelas bactérias. Em condições ambientais desfavoráveis, uma célula bacteriana vegetativa forma um esporo que germina e origina uma célula bacteriana, garantindo a sobrevivência da espécie.

A doença acontece com maior frequência em crianças com idade entre 3 e 26 semanas.  Em adultos pode ser motivado por fatores como cirurgias intestinais, doença de Crohn, uso de antibióticos por tempo prolongado (gerando mudança na flora intestinal).

Entre os sintomas dessa forma de transmissão, cabe destacar:

  • Constipação e irritabilidade;
  • Dificuldade de controle dos movimentos da cabeça;
  • Sucção fraca;
  • Choro fraco;
  • Paralisias no corpo.

Caso especial: botulismo acidental

Embora raros, existem casos de botulismo acidental causados por questões como o uso terapêutico da toxina botulínica e a manipulação de material contaminado em laboratório.

Nesses casos,  a transmissão pode ocorrer pela via inalatória ou contato com a conjuntiva. Uma característica relevante do quadro clínico da doença é a preservação da consciência, assim como a ausência de comprometimento da sensibilidade.

Forma de prevenção e tratamento

Para prevenir o botulismo é preciso adotar medidas como:

  • Seguir as orientações sobre o preparo, conservação e consumo adequado dos alimentos;
  • Garantir o armazenamento térmico adequado de alimentos enlatados;
  • Lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, manipular alimentos, tocar em animais;
  • Não ingerir alimentos de origem desconhecida ou de locais com condições sanitárias insatisfatórias;
  • Garantir a correta limpeza e desinfecção das áreas de preparo de alimentos;
  • Cuidar de forma correta do ferimento.

O botulismo é doença de notificação compulsória e imediata. Ou seja, os órgãos governamentais de saúde precisam ter conhecimento em até 24 horas. Isso acontece por causa da gravidade e possibilidade de ocorrência em outros casos de ingestão do mesmo alimento.

O paciente precisa de internação hospitalar para a terapia de suporte e controle das complicações da  saúde, principalmente as ligadas ao sistema respiratório. O processo de recuperação é lento e depende da reação do sistema imunológico.

Antibióticos não são capazes de reverter o quadro clínico do enfermo, mas o soro antibotulínico pode evitar que a toxina do sangue alcance o sistema nervoso.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Conceição, Thiago. Botulismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/botulismo >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 16:15.

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