Caio Fernando Abreu

Jornalista e escritor brasileiro considerado um dos melhores contistas do país

Jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, considerado reacionário e um dos melhores escritores de contos do país, Caio Fernando Abreu nasceu na cidade de Santiago, no Rio Grande do Sul, região Sul, no dia 12 de setembro de 1948.

Biografia de Caio Fernando Abreu

O escritor Caio Fernando Abreu sempre foi visto como um dos destaques da categoria em seu tempo, com linguagem de cunho pessoal, econômica e assuntos baseados em sexo, morte, medo e, principalmente, temas relacionados à angústia, como seus escritos sobre solidão.

Academicamente, Caio Fernando Abreu formou-se em letras e artes cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde foi colega de curso do músico João Gilberto.

Mas, apesar do sucesso, abandonou os dois cursos de graduação para iniciar a carreira como jornalista de revistas de entretenimento. Entre elas estavam a Manchete, Nova, Veja, Pop e outras.

Além disso, também colaborou com artigos de jornais tradicionais como Correio do Povo, Zero Hora, Folha de São Paulo e O Estado de S. Paulo.

Caio Fernando Abreu sorrindo em entrevista
Caio Fernando Abreu é considerado um dos principais autores de contos no Brasil. (Foto: Exame)

Por volta do ano de 1968, por causa da ditadura militar no Brasil, Fernando Abreu foi perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social, fugindo para o sítio de uma amiga, a também escritora Hilda Hilst, na cidade de Campinas, localizada na grande São Paulo.

Poucos anos depois, mais precisamente no início da década de 1970, exilou-se por um ano na Europa, alternando entre Espanha, Suécia, Inglaterra e França.

Passado este período mais intenso da perseguição, em 1974, Caio Fernando Abreu retornou à sua cidade de origem, Porto Alegre. Em 1983, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro e, dois anos depois, já em 1985, foi estabelecer residência em São Paulo.

Mais tarde, recebeu um convite da Casa dos Escritores Estrangeiros e retornou à França em 1994, regressando ao Brasil ainda no mesmo ano, ao descobrir um diagnóstico de HIV.

Arrojado e fora dos padrões da época, considerado ícone, Abreu era declaradamente homossexual no auge do período de repressão da ditadura militar no Brasil.

Principais Obras

Dedicado e um entusiasta da literatura, sua obra tem influências de grandes e conhecidos escritores literários, alguns deles contemporâneos de Abreu, como é o caso da sua amiga Hilda Hilst. Outros influenciadores são Clarice Lispector, Gabriel García Márquez e Júlio Cortázar.

Intencionalmente, causou a ruptura de diversos padrões, adotando uma linguagem simples, coloquial, transgressora, além de temas não-convencionais.

O seu primeiro romance, publicado ocorreu no ano de 1970, recebeu o título “Limite branco”. Essa obra possui em seu conteúdo as principais tendências que iriam marcar a narrativa de Caio Fernando Abreu ao longo da sua carreira.

Aborda as questões mais sombrias narradas pelo autor, tendo a angústia como o centro da narrativa e a morte como certeza do final de cada jornada do ser humano. De acordo com a literária defendida por Abreu, a vida deve ser buscada a todo momento, independente dos episódios mais negativos que a cercam.

Caio Fernando Abreu viveu no ápice da repressão militar e retratava em suas obras literárias a inspiração em momentos importantes de sua vida.

Em seus escritos, fazia releituras de trechos vividos, contextualizando com o momento atual do país, com a finalidade de recontar, apesar da infelicidade de determinados períodos, a busca incessante pela felicidade.

Há pouco tempo, ano de 2018, a editora Companhia das Letras reuniu no livro “Contos Completos” todos os contos marcantes de Caio Fernando Abreu.

A coletiva registra seis títulos, dentre eles estão Inventário do Irremediável (1970), O ovo apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos mofados (1982), sendo este um dos mais conhecidos, além de Os dragões não conhecem o paraíso (1988) e Ovelhas negras (1995).  Outros dez contos avulsos também fazem parte da coletânea, entre eles três são inéditos em livro.

Em seus escritos, abordou vários estilos como contos, crônicas, romances, novelas, poemas, literatura infantil, peças teatrais, cartas, críticas literárias e outros.

As principais obras são:

  • Limite Branco, em 1970
  • Inventário do irremediável, em 1970
  • Ovelhas Negras, em 1974
  • O Ovo Apunhalado, em 1975
  • Pedras de Calcutá, em 1977
  • Morangos Mofados, em 1982
  • Triângulo das Águas, em 1983
  • Pequenas Epifanias, em 1986
  • As Frangas, em 1988
  • Mel e Girassóis, em 1988
  • A Maldição do Vale Negro, em 1988
  • Os Dragões não Conhecem o Paraíso, também publicado em 1988
  • Onde Andará Dulce Veiga, em 1990

Prêmios conquistados

Em função da qualidade das obras realizadas e contribuição para literatura, não apenas brasileira, poia seus escritos ficaram conhecidos mundialmente, Caio Fernando Abreu recebeu alguns prêmios durante a brevidade da sua carreira.

As honrarias estão listadas a seguir:

  • Prêmio Jabuti de Literatura, no ano de 1996, através da categoria Contos / Crônicas / Novelas – livro “Ovelhas Negras”.
  • Prêmio Jabuti de Literatura, recebido em 1989, na mesma categoria anterior- Contos / Crônicas / Novelas – livro “Os Dragões não Conhecem o Paraíso”.
  • Prêmio Jabuti de Literatura, honraria recebida em 1984, categoria- Contos / Crônicas / Novelas – livro “O Triângulo das Águas”.
  • Em 1982, recebeu da Revista IstoÉ o prêmio de Melhor Livro com a obra intitulada “Morangos Mofados”.

Trecho de obra

Abaixo, está descrito um trecho do conto “Morangos Mofados”, uma das mais relevantes obras de Caio Fernando Abreu.

Conheça:

Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso.

Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse o táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos, beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos.

Citações

Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo.

Porque o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas.

Eu já quis que o destino me surpreendesse. Quis muito! Hoje eu só espero que ele não me decepcione.

Se algumas pessoas se afastarem de você, não fique triste, isso é resposta da oração: "livrai-me de todo mal, amém.

A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Neves, Juliete. Caio Fernando Abreu; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/caio-fernando-abreu >. Acesso em 29 de outubro de 2019 às 17:27.

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