Cancioneiro Geral português

Repertório da poesia portuguesa do século XV e XVI

O Cancioneiro Geral português foi publicado em 1516 por Garcia de Resende, um poeta e cronista da cidade de Évora, em Portugal. Os poemas registrados nessa compilação foram escritos entre 1449 e 1516. Mais de 250 autores participaram da composição. 

O Cancioneiro Geral português era constituído de poesias palacianas. As poesias palacianas eram aquelas produzidas pelos nobres, nos palácios. Essas produções eram destinadas somente à nobreza.

O Cancioneiro Geral português revezava entre a língua galego-portuguesa e castelhana (espanhol). Era muito comum que os autores, mesmo os que nasciam no território português, utilizassem o castelhano. Fator que está ligado à forte presença e ao domínio da Espanha no território de Portugal.

A existência da Península Ibérica, território dividido entre a Espanha, Andorra e Portugal, também tornava mais fácil a relação entre as culturas.  

A interferência espanhola sobre o território português era tão grande nesse período, que boa parte dos seus movimentos culturais e obras literárias se basearam no modelo espanhol. O Cancioneiro Geral português por exemplo, se baseia no Cancioneiro de Baena, lançado em 1445 pelos espanhóis.

Os temas do Cancioneiro geral português são dos mais variados. Como ele foi escrito por pessoas da nobreza, o ponto de vista sobre assuntos comuns a qualquer pessoa, como o amor, religião, tristeza, melancolia, partia da corte. Talvez por isso, a nobreza tenha se identificado mais com esse tipo de poesia.

As poesias do Cancioneiro Geral português se diferem um pouco das de outros movimentos literários. No trovadorismo por exemplo, os poemas escritos vinham acompanhados de ritmo e melodia. No cancioneiro geral português a música não é necessária. As estrofes e os versos são responsáveis por garantir o ritmo. 

 

Cancioneiro geral.
A poesia palaciana não era muito popular, mas através dela foi possível conhecer o padrão cultural da corte portuguesa. (Foto: Wikipedia)

Poesia Palaciana

As poesias palacianas eram àquelas escritas pelos nobres. Os palácios, espaço destinado para a família real e nobreza, eram também, locais de composição poética. Foram justamente essas produções que formaram o Cancioneiro Geral português. Em média, quase mil poemas de mais de 200 autores fazem parte da obra.

A poesia palaciana se distinguem das demais em vários aspectos. Um pouco antes desse movimento, havia o trovadorismo, e ele tinha características bem singulares. Os poemas eram cantados, por isso precisavam de melodia.

Na palaciana não havia música, somente leitura, que era feita individualmente. O ritmo e expressão impressos pelos poetas eram a forma de demonstração.

Ao contrário do trovadorismo, na poesia palaciana não há linguagem chula. Até o termo “trovador” já carregava em si características obscenas, pejorativas. Por isso eles se denominam poetas.

Outro contraste entre esses dois movimentos pode ser percebido entre as cantigas de amor trovadorescas e as poesias amorosas palacianas. Na primeira, existe a figura da mulher perfeita e pura que não pode ser alcançada. Há uma relação de suserania e vassalagem.

Na segunda, a mulher é apresentada como um ser de sensualidade. Lembrando que todas as poesias são feitas por e para nobres. Os costumes e relações da corte também são tratados com frequência nesse gênero.

O cancioneiro geral português tem uma linguagem mais próxima do arcadismo em que a conotação era muito comum. Com frequência, os poetas palacianos faziam referência a algo ou alguém de forma subjetiva.

A aliteração e o jogo de palavras também eram qualidades iminentes desse modelo de linguagem, assim como o uso de expressões ambíguas.

Composição da poesia palaciana

Em toda produção poética existe uma métrica. São regras estruturais que definem o ritmo, a organização do verso, estrofe, medida e quantidade de palavras.

Na poesia palaciana existem as redondilhas, versos de cinco ou sete sílabas. Elas se dividem em:

  • Redondilhas menores – composta por cinco sílabas poéticas
  • Redondilhas maiores – formada por sete sílabas poéticas.

Para a produção de uma poesia, era preciso definir o mote, estrofe inicial que apresentava o tema ou motivo.

O vilancete, uma forma poética muito comum dos povos ibéricos, também fazia parte da poesia palaciana. O vilancete é composto por um mote com dois ou três versos.

Logo em seguida vem a glosa. A glosa é a composição que desenvolve o mote. Abaixo, um trecho de um vilancete de Luís de Camões:

Mote:

Enforquei minha Esperança;

Mas Amor foi tão madraço,

Que lhe cortou o baraço.

Glosa:

Foi a Esperança julgada

Por sentença da Ventura

Que, pois me teve à pendura,

Que fosse dependurada:

Vem Cupido com a espada,

Corta-lhe cerce o baraço.

Cupido, foste madraço.

Se compararmos com os dias de hoje, o vilancete se parece com as estrofes iniciais de uma música, e a glosa equivale ao refrão.

No cancioneiro geral português também tem a esparsa. Elaborada com até dezesseis versos e uma estrofe. Na esparsa não há mote ou repetição dos versos. O gênero era indicado para situações tristes.

As cantigas também integravam o cancioneiro geral português. Geralmente, o amor era retratado nesse tipo textual. As cantigas palacianas eram formadas por mote de quatro ou cinco versos e as glosas variavam entre oito a dez versos.

Quando a cantiga apresentada não tinha uma temática específica, poderia ter até oito versos.

A diferença entre o vilancete e a cantiga está no número de versos no mote.  Quando há dois ou três motes, é um vilancete, quando há quatro ou três, é uma cantiga.

Características do Cancioneiro Geral Português

O cancioneiro geral português tinha caráter intertextual, alguns textos eram escritos de outros pré-existentes.

O amadorismo e a improvisação também faziam parte dessa linguagem. Algumas poesias eram escritas de forma coletiva, e também podiam ser utilizadas para competição.

O cancioneiro geral português era bastante diversificado, as poesias da obra se dividiam em:

  • Poesia jocosa
  • Poesia amorosa
  • Poesia satírica
  • Poesia religiosa
  • Poesia didática
  • Poesia dramática
  • Poesia história

O cancioneiro geral português reuniu 300 compositores, entre os mais importantes, estão os nomes de:

  • Garcia de Resende
  • Sá de Miranda
  • Bernardim Ribeiro
  • João Roiz de Castel-Branco
  • Diogo Brandão

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Santana, Esther. Cancioneiro Geral português; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/cancioneiro-geral-portugues >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:41.

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