Cândido Portinari

Importante artista plástico do modernismo brasileiro

Cândido Portinari foi um destacado artista plástico brasileiro e um dos principais nomes do modernismo. Nasceu no dia 30 de dezembro de 1903 em uma fazenda de café, perto do pequeno povoado de Brodowski, no estado de São Paulo.

Filho de imigrantes italianos, fazia parte de uma família de origem humilde e teve uma infância pobre. Apesar de ter apenas a educação primaria, Portinari já manifestava sua vocação artística desde criança, realizando as primeiras pinturas aos 9 anos de idade.

Pintor Cândido Portinari
Cândido Portinari (1903-1962). (Foto: Wikipédia)

Educação artística

Retrato de Olegário Mariano
Obra “Retrato de Olegário Mariano” (1928). (Foto: Projeto Portinari)

Aos 15 anos mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado convencional em pintura, assim ingressou no Liceu de Artes e Ofícios e, posteriormente, na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1928, conquistou o “Prêmio de Viagem ao Estrangeiro” durante a Exposição Geral de Belas-Artes, evento tradicional da instituição, com a obra “Retrato de Olegário Mariano”.

Com o prêmio, Portinari viajou para Paris. Nesse período, visitou muitos países, entre eles, Espanha, França e Itália, onde finalizou seus estudos.

Os anos que viveu fora do Brasil foram decisivos na trajetória artística do jovem pintor, definindo um estilo que o consagraria um dos maiores da história.

Foi também nessa época que conheceu a esposa Maria Martinelli, uma uruguaia de 19 anos com quem viveu o resto da vida.

Retrato do Brasil

Em 1931, retornou ao Brasil e decidiu retratar o país em suas telas. Valorizando mais as cores e a ideia das pinturas, Cândido Portinari explorou a história, o povo, a cultura, a flora e a fauna da terra natal.

Pintou a realidade brasileira tanto em suas belezas naturais, como na pobreza regada de dificuldades. As obras de Portinari foram, aos poucos, superando a formação acadêmica e fundindo-se a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna.

No ano de 1935 recebeu o prêmio do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, pela pintura intitulada “Café”, uma retratação da colheita típica de sua região de origem, tornando-se o primeiro artista do modernismo brasileiro premiado no exterior.

Café
LEG: Obra “Café” (1935). (Foto: Projeto Portinari)

Esse evento abriu de vez as portas para o pintor naquele país e em muitos outros. Em 1939, expôs três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova Iorque e, neste mesmo ano,  o Museu de Arte Moderna de Nova York adquiriu sua tela “Morro”, um retrato da favela carioca.

Novas ideias

Aos poucos o artista foi deixando de lado as telas pintadas a óleo e passou a se dedicar a murais e afrescos. Entre outros trabalhos, Cândido Portinari produziu oito painéis conhecidos como “Série Bíblica”, fortemente influenciado pela obra “Guernica” de Pablo Picasso, a pedido de Assis Chateaubriand.

Em 1944, é convidado por Oscar Niemayer para decorar o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, destacando-se o mural “São Francisco” e a “Via Sacra”, na Igreja da Pampulha.

Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Cândido Portinari participou da elite intelectual brasileira em uma época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país.

Este grupo refletia sobre os problemas do mundo e da realidade nacional. O crescimento do nazi-fascismo e os horrores da guerra, bem como o contato com problemas sociais do Brasil, reforçaram o caráter trágico e social de sua obra, levando-o à produção das séries “Retirantes” e “Meninos de Brodowski”.

Política e exilo

Com tudo que estava acontecendo ao seu redor, Cândido Portinari acabou sendo conduzido à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, em 1947. No entanto, não se elegeu em nenhuma das tentativas.

Ainda em 1947, expôs suas obras no Salão Peuser, de Buenos Aires (Argentina) e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevidéu (Uruguai), recebendo homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.

No fim da década de 40 assinalou o início da exploração dos temas históricos por meio da afirmação do muralismo. Mais tarde, com o acirramento da repressão política, exila-se por certo tempo no Uruguai, onde pintou o painel “A Primeira Missa no Brasil”, encomendado pelo banco Boavista do Brasil.

Fim da vida

Por volta de 1950, começou a ter problemas de saúde causados por intoxicação de chumbo presente nas tintas que utilizava em suas obras, no entanto, permaneceu produzindo e expondo sua arte pelo mundo afora.

Nos últimos anos da década de 50, o modernismo no Brasil deu um passo além do expressionismo, contudo Portinari permanece fiel ao seu estilo. Mais tarde, passou a produzir uma série de retratos que apresentavam influência do cubismo.

Por fim, seu nível de intoxicação pelas tintas tornou-se fatal. Cândido Portinari faleceu no dia 6 de fevereiro de 1962, aos 58 anos, no Rio de Janeiro.

Legado

O aspecto mais conhecido das obras de Cândido Portinari é a força de sua temática social. Foi um dos poucos artistas que conquistou tanto reconhecimento dentro e fora do seu país, resultado da importância da produção estética e pela atuação consciente na vida cultural e política brasileira.

Além das artes plásticas, Portinari também destacou-se nas áreas de poesia e política. Embora seu lado lírico seja menos conhecido, as obras são compostas de elementos que fizeram parte de infância em Brodowski, como as brincadeiras, as danças, os cantos, o circo e os camponeses.

Principais obras de Cândido Portinari

Ao longo de sua vida, Cândido Portinari produziu centenas de obras. Estima-se que  tenha pintado mais de cinco mil obras, de pequenos esboços e pinturas de proporções padrão até grandes murais.

Considerado um dos mais importantes pintores brasileiros de todos os tempos, sendo um dos artistas com maior projeção internacional, suas obras destacam-se pelas características únicas e nacionalistas.

Portinari retratou em seus quadros as questões sociais do Brasil sob influências do surrealismo, cubismo e da arte dos muralistas mexicanos. Além disso, valorizou as tradições da pintura e utilizou alguns elementos artísticos da arte moderna europeia. Alguns destaques são:

  • Retrato de Carlos Gomes” (1914), primeiro desenho registrado de Portinari, produzido aos 10 anos de idade;
  • Baile na Roça” (1924), primeira obra temática brasileira;
  • Retrato de Olegário Mariano” (1928), tela que lhe rendeu o prêmio para viajar pela Europa;
  • Os Despejados” (1934), primeira obra com temática social;
  • “Café” (1935), lhe rende a segunda menção honrosa;
  • Painel “Tiradentes” (1949), que narra os episódios do julgamento e execução de Joaquim José da Silva Xavier, que lutou contra o domínio colonial português;
  • Painéis “Guerra e Paz” (1953-1956), dois painéis encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede da Organização das Nações Unidas (ONU).

Além das pinturas nacionalistas, Cândido Portinari produziu alguns retratos, os mais famosos são o autorretrato, o retrato de sua mãe e o do escritor brasileiro Mário de Andrade.

Baile na Roça
Obra “Baile na Roça” (1924). (Foto: Projeto Portinari)

Outras obras de Portinari

  • “Colhedores de café” (1935);
  • “Futebol” (1935);
  • “Mestiço” (1934);
  • “Favelas” (1930);
  • “O Lavrador de Café” (1939);
  • “O Sapateiro de Brodowski” (1941);
  • “Menino com pião” (1947);
  • “Lavadeiras” (1943);
  • “Menino com carneiro” (1953);
  • “Cena rural” (1954);
  • “A Primeira Missa no Brasil” (1948);
  • “Os Retirantes” (1944).

Museu Casa de Portinari

A antiga casa de Cândido Portinari, onde viveu em Brodowski, tornou-se o Museu Casa de Portinari, uma instituição da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Inaugurado em 14 de março de 1970, o local contém diversas itens pessoais do pintor, como objetos e mobílias.

Citações

O alvo da minha pintura é o sentimento. Para mim, a técnica é meramente um meio. Porém um meio indispensável.

Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social.

Se há tantos meninos em minha obra em balanços, gangorras é que seria meu desejo fazer com que eles fossem lançados ao ar a virarem belos anjos.

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BRITO, Samara. Cândido Portinari; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/candido-portinari >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:27.

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