Caras Pintadas

Movimento estudantil brasileiro

Os Caras Pintadas foi a denominação dada ao movimento estudantil brasileiro e como ficou conhecido. Esse movimento aconteceu ao longo do ano de 1992 e tinha como objetivo principal, provocar o impeachment do presidente da República do Brasil naquela ocasião, Fernando Affonso Collor de Mello.

O movimento dos caras pintadas teve a participação de milhares de jovens de todo o Brasil e tomou como base as denúncias de corrupção que haviam contra o presidente Fernando Collor, que teve como agravante as medidas econômicas impopulares que ele criou.

O título “caras pintadas” era uma referência direta à forma de expressão que se tornou símbolo do movimento, as cores verde e amarelo pintadas nos rostos dos manifestantes.

O movimento foi chamado de caras pintadas, porque os jovens pintaras seus rostos de verde e amarelo, ou preto.
Manifestação em frente ao Congresso Nacional – Brasília, em setembro de 1992. (Foto: Wikipédia)

O que Provocou o Surgimento dos Caras Pintadas

Após 29 anos sem eleição direta, o Brasil elegeu no ano de 1989, Fernando Collor de Mello como representante do mais alto cargo executivo do país. Collor foi o 32° Presidente da República Federativa do Brasil.

Naquela disputa eleitoral, cerca de 20 candidatos pleitearam ao cargo de presidente do Brasil no primeiro turno. Naquele ano, a disputa seguiu para o segundo turno com Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico e ex-sindicalista, que posteriormente veio a ser o 35° presidente do Brasil, entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2011.

Na época, o candidato Lula se mostrava ser um candidato representante dos trabalhadores e também daqueles considerados “excluídos” do Brasil. Já Fernando Collor, por sua vez, se mostrava um líder que lutaria contra a corrupção e a pobreza e também como alguém que iria conduzir o país para a modernidade.

Collor se auto declarava o “caçador de marajás” e o “protetor dos descamisados”. Com esse discurso inovador, ele conseguiu vencer as eleições no segundo turno, com cerca de 42,75% dos votos contra 31,07% de Lula.

Um dia após a posse, no dia 15 de março de 1990, Fernando Collor já comunicou o novo plano econômico, coordenado pela então ministra da economia, Zélia Maria Cardoso de Mello. Alguns quesitos implantados foram:

  • Abertura comercial ao capital estrangeiro.
  • Bloqueio de todo dinheiro, acima de 50 mil cruzados novos, que fossem depositados em contas bancárias de pessoas e empresas.
  • Congelamento dos preços e salários.
  • Eliminação dos incentivos fiscais para as indústrias.
  • Instauração da nova moeda.
  • Liberalização da taxa do dólar.
  • Privatização das empresas estatais.
  • Reforma administrativa com a demissão dos funcionários públicos.

O item do bloqueio do dinheiro provocou extrema insatisfação no país e o Plano Collor acabou fracassando totalmente. Houveram falências de empresas, quedas nas vendas e também do poder aquisitivo, demissões de trabalhadores, promovendo a formação de uma legião de pessoas desempregadas.

Essa terrível recessão econômica criou uma profunda insatisfação popular que acabou sendo potencializada por causa dos vários escândalos de corrupção que envolveram o governo de Fernando Collor. Um exemplo foi a divulgação do “esquema Collor – PC”, estratagema divulgada pelo irmão do presidente, Pedro Affonso Collor de Mello, em entrevista dada à imprensa.

Questões como: existência de contas bancárias fantasmas, irregularidades financeiras, tráfico de influências e mais uma extensa rede de corrupção, coordenada pelo ex-tesoureiro da campanha de Collor, o empresário Paulo César Siqueira Cavalcante Farias, mais conhecido como PC Farias, que foi encontrado morto ao lado da namorada, no ano de 1996.

PC Farias seria a pessoa responsável por receber as altas quantias de dinheiro vindas dos grandes empresários. O intuito dessa ação era liberar verbas tanto para o governo Collor quanto para o pagamento das despesas pessoais do presidente da República.

Os manifestantes de caras pintadas foram às ruas de todo Brasil para protestar.
Manifestação na Esplanada dos Ministérios pedindo o impeachment de Fernando Collor. (Foto: Wikipédia)

O Estopim para os Caras Pintadas

O estímulo para que houvesse o movimento dos caras pintadas, foi quando no mês de maio do ano de 1992, todo o enfraquecimento do governo chegou no ápice de seu limite e foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que ficou com a responsabilidade de analisar as denúncias e dar início a um possível processo de impeachment.

Totalmente ciente da gravidade das acusações que haviam sobre ele e seu governo, Fernando Collor improvisou um discurso no dia 13 de agosto de 1992, onde convocou a população para as ruas e determinou que fossem vestidas com as cores da bandeira do Brasil. Essa seria uma maneira do povo demonstrar apoio ao presidente, portanto, contra o impeachment.

A população brasileira, por sua vez, inconformada com toda aquela situação, em vez de vestir verde e amarelo, como foi recomendado pelo presidente Fernando Collor, foram às ruas, aos milhares para expressar toda a insatisfação que tinha com o presidente apelidado de “Collorido”.

Na ocasião, alguns jornais circularam estampando uma tarja preta na primeira página e em vários cantos do Brasil, aconteceram manifestações populares reivindicando a saída do presidente da República.

E assim nasceu o movimento dos caras pintadas. No meio dos militantes tinha um grande número de jovens estudantes secundaristas e universitários, todos apoiando e participando efetivamente dos movimentos.

Entidades representativas da sociedade civil, como: a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Central Única do Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), apoiaram as manifestações dos caras pintadas.

Músicas de protesto, que foram compostas no período da Ditadura Militar no Brasil, como: “Alegria, alegria” – Caetano Veloso, que marcou o início do movimento Tropicalismo, em 1967 e “Pra dizer que não falei das Flores” – Geraldo Vandré, em 1968, se tornaram hinos do movimento caras pintadas.

Os jovens, com as “caras” pintadas foram em massa para as ruas agitando cartazes e faixas que diziam: “Fora Collor” e “Abaixo a Corrupção”. No dia 29 de dezembro de 1992, Fernando Collor renunciou ao cargo de presidente do brasil para conseguir preservar seus direitos políticos.

O movimento conhecido como “caras pintadas” foi de extrema importância para o processo de impeachment do presidente Fernando Collor. Isso porque os jovens foram em massa para as ruas e pintaram seus rostos com as cores da bandeira do Brasil, com objetivo de protestar contra a falta de ética existente na política nacional.

Os movimentos e protestos que aconteceram no Brasil em meados do ano de 2013 e que ficaram conhecidos como: “Manifestações dos 20 centavos“, “Manifestações de junho” ou “Jornadas de Junho“, foram inúmeros movimentos populares que aconteceram pelo país inteiro.

O estopim desse movimento foi o protesto contra os aumentos das tarifas de passagens nos transportes públicos, principalmente nas capitais principais. Essa onda de protestos em 2013 ficou conhecida como “Caras Pintadas 2013”, fazendo alusão aos caras pintadas de 1992.

“Caras pintadas 2013” foram as maiores mobilizações populares ocorridas no Brasil, depois do movimento dos caras pintadas de 1992, que lutaram pelo impeachment do presidente Fernando Collor e atingiu aproximadamente 84% de simpatia da população brasileira.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Macedo, Márcia. Caras Pintadas; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/caras-pintadas >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 19:35.

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