Caravaggio

Maior representante do estilo barroco italiano

Caravaggio foi um destacado pintor italiano, atuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília. Um dos primeiros e mais importantes representantes da arte barroca, seu estilo exerceu destacada influência.

Inclinado a pintura de temas religiosos, utilizou figuras humanas sem qualquer receio de representar a feiura e a deformidade em cenas provocadoras, distinguindo suas obras do que era feito até então.

Seu nome artístico foi empregado em referência a aldeia de Caravaggio, local que viveu parte da infância.

Vida e carreira

Michelangelo Merisi, mais tarde conhecido como Caravaggio, nasceu no Ducado de Milão em 29 de setembro de 1571. Filho de Fermo Merisi, um administrador e arquiteto-decorador do marquês de Caravaggio, ficou órfão de pai aos seis anos devido a Peste Negra que assolou a região.

Em 1584, aos 12 anos, o jovem foi trabalhar como aprendiz no estúdio do pintor milanês Simone Peterzano, discípulo maneirista de Ticiano. Pouco se sabe dos acontecimentos da vida de Caravaggio nesse período, apenas que sua mãe morreu em 1590, e que os três irmãos dividiram a propriedade da família em partes iguais.

Início da carreira

Pintor italiano Caravaggio
Pintor italiano Caravaggio (1571-1610). (Foto: Wikipédia)

Com sua parte da herança, Caravaggio partiu para Roma. Atraído pela corte papal, conviveu com artistas e arquitetos de toda a Itália e do exterior. Mais tarde, trabalhou no ateliê de Giuseppe Cesari, onde se destacou por sua originalidade.

No entanto, o pintor italiano tinha uma vida desequilibrada. Além de ter gasto a herança de forma rápida e impensada, chegando a passar fome e viver pelas ruas, Caravaggio tinha um caráter tempestuoso e sempre estava envolvido em brigas.

Em 1594, abandonou a ateliê de Cesari e começou a investir em sua própria carreira, buscando influências nos altos escalões artísticos e culturais de Roma. Assim, passou a vender pinturas nas ruas, até ser contratado pelo cardeal Del Monte para realizar alguns trabalhos.

Del Monte integrava o clérigo rico e sofisticado de Roma, era colecionador de obras de arte, amante da música e patrono oficial da Academia de São Lucas, a escola dos pintores da capital italiana.

Além de residir num dos palácios da família Médici, promotores da arte e cultura italiana, o cardeal representava os interesses de Florença na corte papal. Atraído pelo estilo de Caravaggio, lhe ofereceu abrigo em troca de uma série de pinturas.

Em 1599, foi contratado pelo cardeal Del Monte para decorar a capela Contarelli, da Igreja de São Luís dos Franceses. Esse era apenas o começo da brilhante carreira do pintor. Mais tarde, outras grandes encomendas surgiram em rápida sucessão.

Sucesso e fugas

No começo do século XVII, Michelangelo Merisi já era um famoso pintor em Roma, responsável pela decoração de diversas capelas, igrejas e catedrais. Após alguns anos, a fama se difundia por toda Europa.

Contudo, seu sucesso público veio acompanhado de registros policiais. O pintor havia cometido uma série de delitos ao longo dos anos, alguns deles foram:

  • Em 1600 agrediu um colega com um bastão;
  • Em 1601 foi levado a júri sob a acusação de ter ameaçado um soldado com sua espada;
  • Em 1603 o pintor Giovanni Baglione lhe moveu uma ação. Caravaggio foi preso por algum tempo e solto sob a condição de permanecer em casa e não mais ofender Baglione – a quebra do trato o levaria novamente à prisão ou às gales;
  • Em abril de 1604 acusam-no de ter agredido o garçom de um restaurante e tê-lo ameaçada com sua espada; no mesmo ano foi novamente encarcerado por insultar um policial;
  • Em 1605 prenderam-no por carregar uma espada e um punhal sem autorização; por ofender uma senhora com sua filha e também por agredir um tabelião numa briga. Também foi acusado por sua senhoria de não pagar o aluguel, além de ter o hábito de atirar pedras pelas janelas.

Mas o temperamento violento de Caravaggio o levou a cometer o assassinato de um jovem após se envolver em briga junto com alguns amigos. Na tragédia, o pintor saiu gravemente ferido e teve que fugir de Roma para Nápoles.

Mais tarde mudou-se para Malta, onde teve um período artístico extremamente produtivo. Além dos retratos, como o do “Grão-mestre Alof de Wignacourt”, realizou a obra de grande porte “Decapitação de São João Batista”, o santo padroeiro da ordem dos Cavaleiros.

Obra Decapitação de São João Batista
Obra “Decapitação de São João Batista” (1608) de Caravaggio. (Foto: Wikipédia)

Em julho de 1608, o pintor italiano foi sagrado Cavaleiro da Ordem da Obediência, em reconhecimento por seu trabalho. Além disso, foi condecorado pelo Grão-mestre com uma corrente de outro e outras honrarias, recebendo também dois escravos turcos.

Apesar do sucesso, acabou preso mais uma vez por revidar a ofensa de um cavaleiro. Com a fama já dispersa na ilha, foi expulso de Malta e passou a morar na Sicília. Em 1607, retornou para a cidade de Nápoles, após conseguir o perdão do novo papa, Paulo V.

Em 1609, Caravaggio foi ferido pelos amigos do nobre que havia brigado. Machucado e acometido pela malária, faleceu em 18 de julho de 1610, em Porto Ercole (região da Toscana).

Características das obras de Caravaggio

No início da carreira, Caravaggio combinava a pintura da figura humana com naturezas-mortas. Nesse período já era evidente o emprego estético do jogo de luzes e sombras em suas obras.

Em plena Contrarreforma, Roma assistiu a crescente construção de igrejas, e as novas edificações exigiam a criação de retábulos e decorações, constituindo as obras barrocas, estilo do qual Caravaggio foi o primeiro grande representante.

Sob a influência religiosa, o artista passou a retratar temas mitológicos e personagens bíblicos, principalmente Maria, Jesus e os apóstolos, usando como modelo as pessoas que encontrava nas ruas de Roma, especialmente prostitutas, crianças de rua, mendigos e todos que não eram de nobre estirpe e que tivessem grande expressão.

Caravaggio foi o mestre do realismo e do contraste de luz e sombra que explorava a dramaticidade profunda. Destacando o rosto do personagens sob um foco de luz, em oposição ao fundo muito escuro, seu estilo ficou conhecido como “tenebrismo”.

A primeira grande obra, intitulada “Os jogadores de Cartas”, foi produzida em 1594. Em seguida, realizou diversas obras-primas do barroco, encomendadas principalmente pelas igrejas.

Obra Os jogadores de cartas”
Obra “Os jogadores de cartas” (1594) de Caravaggio. (Foto: Wikipédia)

Principais obras de Caravaggio

  • “Os jogadores de cartas” (1594);
  • “Narciso” (1594);
  • “Canastra de Fruta” (1595);
  • “Repouso na Fuga para o Egito” (1596);
  • “A Ceia em Emmaus” (1596);
  • “A Cabeça da Medusa” (1598);
  • “Invocação de São Mateus” (1600);
  • “A Prisão de Cristo” (1602);
  • “São Mateus e o Anjo” (1602);
  • “Martírio de São Mateus” (1600);
  • “Crucificação de São Pedro” (1601);
  • “O Sacrifício de Isaac” (1603);
  • “Conversão de São Paulo” (1601);
  • “A Deposição” (1604);
  • “Nossa Senhora do Rosário” (1607);
  • “Sete Obras de Misericórdia” (1607);
  • “Ecce Homo” (1605);
  • “Decapitação de São João Batista” (1608);
  • “Ressurreição de Lázaro” (1609).

Documentário

Intitulado “Caravaggio – O Mestre dos Pincéis e da Espada”, a TV Cultura e a Malabar Filmes produziram um documentário que retrata a vida e obra de um dos mais importantes artistas da história. Na produção também é possível conhecer os bastidores da maior exposição do pintor italiano já feita no Brasil. Confira o vídeo na integra:

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BRITO, Samara. Caravaggio; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/caravaggio >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 22:03.

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