Carlota Joaquina

Rainha consorte de Portugal e do Brasil

Carlota Joaquina (1775-1830) foi uma princesa espanhola, esposa de Dom João VI e mãe do Imperador Dom Pedro I do Brasil. Ficou conhecida na história por sua vida ativa na política portuguesa, brasileira e espanhola e pelas tentativas de golpe ao poder do próprio marido.

Pintura de Carlota Joaquina
Pintura de Carlota Joaquina. (Foto: Wikipédia)

Primeiros anos

Carlota Joaquina de Bourbon nasceu no Palácio de Aranjuez, na Espanha, em 25 de abril de 1775. Era filha primogênita do rei Dom Carlos IV e de sua esposa, a rainha Maria Luísa de Parma.

Quando tinha 8 anos de idade, a princesinha Carlota Joaquina foi prometida para casar-se com o príncipe da Espanha, Dom João. O contrato de casamento era uma forma de aliança para ambos os reinos.

Casamento

Os preparativos para o casamento duraram quase dois anos, pois a cerimônia dependia da execução do “tratado político” assinado pela rainha Maria Vitória, de Portugal, e pelo rei Carlos III, da Espanha.

Em 1785, Carlota Joaquina casou-se com o então infante Dom João VI, filho da rainha D. Maria I de Portugal, numa tentativa de consolidar os laços entre as duas coroas ibéricas.

Carlota Joaquina e Dom João VI

Retrato de Carlota Joaquina e João VI
Carlota Joaquina e João VI. (Foto: Wikipédia)

Quando a bênção apostólica foi dada ao casal, Carlota Joaquina tinha apenas dez anos de idade, enquanto que o marido, o príncipe D. João, contava 17 anos completos. Assim, a infanta espanhola deixa Madri para viver em Lisboa com o herdeiro do trono português.

As desavenças do casal têm início já na noite de núpcias. Após D. João adentrar aos aposentos nupciais, a princesinha de Portugal, rebelde e espirituosa, ignorou o protocolo e na primeira investida do marido, aplicou-lhe uma violentada dentada para que o casamento não fosse consumado.

Tal acontecimento resultou em um ato adicional ao contrato de casamento, no qual Carlota Joaquina iria dispor de um quarto de solteira e não receberia a visita do príncipe consorte até completar os 14 anos.

A corte portuguesa

O clima na corte dos Bragança diferenciava em muitos aspectos da alegre corte espanhola, o que influenciou a personalidade da princesa. Carlota se viu no meio de um ambiente bastante religioso e austero, em contraste com a extravagância e o fausto a que estava acostumada.

O modo como Carlota Joaquina transitava no espaço público, atuando no campo político, e seu destempero no cotidiano familiar ganhou gradualmente a antipatia do povo, que a acusava de promiscuidade e de influenciar o marido a favor dos interesses da coroa espanhola.

A união conturbada de Carlota e D. João, marcada por conspirações e traições, rendeu nove filhos dos quais oito chegaram à idade adulta e três subiram ao trono: Dom Pedro, como imperador do Brasil e rei de Portugal; Dom Miguel foi rei de Portugal de 1828 a 1834 e Maria Izabel de Portugal como rainha consorte da Espanha.

Em 1788, com a morte de seu irmão primogênito D. José, Dom João tornou-se príncipe regente do trono português. Nesta época, a saúde mental de sua mãe, a rainha D. Maria I, encontrava-se abalada.

Consequentemente, em 1792, D. João assume a regência do império ultramarino. Extremamente ambiciosa e de temperamento forte, Carlota Joaquina tentava dominar o marido, mas a falta de êxito fez com que ela se afastasse de sua presença.

Em 1805, Carlota uniu-se a nobres e eclesiásticos com o intuito de derrubar D. João VI do poder, declarando-o incapaz. Após descobrir a trama, D. João opôs-se à sua prisão e, para evitar um escândalo público, envia a esposa para residir no Palácio de Queluz, enquanto ele morava no Palácio de Mafra.

Invasão napoleônica

Enquanto isso, Napoleão Bonaparte planeja expandir seu império para além das fronteiras francesas. Assim, em 1807, as tropas napoleônicas invadem Portugal, obrigando Carlota Joaquina a embarcar para o Brasil com o marido, os filhos e o restante da Corte.

Com a proteção da esquadra inglesa, a corte portuguesa deixou Lisboa e desembarcou no Rio de Janeiro. Vivendo no Brasil de 1808 a 1821, Cartola preferiu continuar distante do marido, instalou-se no bairro de Botafogo, em um palacete particular acompanhada as filhas, enquanto Dom João ocupou o Palácio de São Cristóvão.

América Espanhola

Mesmo tendo deixado a Espanha ainda criança, Carlota Joaquina não abandonou seus laços com a corte espanhola. Mesmo morando no Brasil, a princesa planejou proclamar-se regente das colônias espanholas na América, se transformando na rainha do Rio da Prata. No entanto, teve seu plano frustrado com a ocupação do Uruguai pelo Brasil e falta de interesse de D. João VI.

Rainha Carlota Joaquina

Após o falecimento de dona Maria I, em 1816, Dom João VI subiu ao trono e Carlota Joaquina foi aclamada rainha. Com a Revolução do Porto, em 1820, retornou para a Europa juntamente com a família real.

Enquanto isso, seu filho Dom Pedro foi deixado em terras brasileiras e em 7 de setembro de 1822 romperia os laços com Portugal ao proclamar a independência do Brasil.

De volta a corte portuguesa

Já em terras lusitanas, Carlota Joaquina frustra-se com a atual situação política do continente. Se recusa a assinar a Carta Constitucional e, consequentemente, tem sua cidadania portuguesa cassada e, como punição, é confinada na Quinta do Ramalho.

Durante o período de confinamento, aliou-se ao clero e à nobreza para tramar a Conspiração da Rua Famosa, movimento absolutista descoberto em 1822. Sempre fiel às concepções ultraconservadoras, dedicou-se, com seu filho D. Miguel, a conspirar contra as cortes que haviam realizado a revolução liberal.

Após a morte do marido, em 1826, apoiou o golpe do filho D. Miguel contra a rainha D. Maria II, filha de D. Pedro I. Posteriormente a coroa lhe foi tirada por Dom Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal).

Com a derrota de D. Miguel, acaba sendo presa, onde permaneceu até o fim de sua vida. D. Carlota Joaquina morreu em Lisboa, no palácio de Queluz, em 7 de janeiro de 1830.

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BRITO, Samara. Carlota Joaquina; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/carlota-joaquina >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:24.

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