Casimiro de Abreu

Jovem poeta que marcou o Romantismo brasileiro

Casimiro de Abreu foi um jovem poeta brasileiro de grande importância no cenário literário que marcou a segunda geração do Romantismo no Brasil. Filho de pai português e mãe brasileira, se mudou para Portugal ainda na adolescência e por lá começou a escrever suas famosas poesias e colaborar com a imprensa local, também assistiu a espetáculos que foram construídos baseados em sua obra.

Lançou seu primeiro e único livro As Primaveras, que reúne poemas tidos como obras primas para a literatura brasileira, um ano antes de morrer.

Trajetória de Casimiro de Abreu

O poeta Casimiro de Abreu nasceu em 1839 e viveu até seus 8 anos de idade no município Barra de São João no estado do Rio de Janeiro, distrito do município que leva seu nome. Filho de um comerciante e fazendeiro português e de uma fazendeira brasileira, cresceu na propriedade materna, Fazenda da Prata na região de Correntezas. Seus pais tiveram 3 filhos, mas nunca foram propriamente casados.

Poeta Casimiro de Abreu
Casimiro de Abreu foi um poeta que marcou o Romantismo. (Foto: Wikipedia)

Educação primária foi a única instrução a que teve acesso, dos 11 aos 13 anos no Instituto Freeze, em Nova Friburgo, região da serra carioca. Essa escola era o local onde geralmente os pais enviavam os filhos adolescentes para darem início aos estudos complementares. Mesmo lugar em que fez amizade com Pedro Luís, seu melhor amigo durante toda a vida.

Em 1852, aos 13 anos, Casimiro de Abreu foi para o Rio de Janeiro contra a vontade para trabalhar no comércio – que era uma atividade que não o agradava – em companhia de seu pai. Um ano depois, seguiram para Portugal, onde iniciou sua vida literária e permaneceu por 4 anos. Em terras portuguesas, escreveu a maioria de seus contos e poesias, todos eles exaltando a beleza do Brasil e a saudade de sua terra natal, de forma apaixonada e por vezes considerada ingênua e infantil.

Um de seus dramas compostos, Camões e o Jaú, foi encenado em Lisboa no Teatro D. Fernando em 1856, com grande sucesso e aclamado pelo público e crítica especializada lusitana. Ainda na adolescência, com 17 anos, Casimiro de Abreu já colaborava com a imprensa portuguesa ao lado de outros nomes de peso, escrevendo versos, capítulos e folhetins.

Em 1857, Casimiro de Abreu retorna ao Brasil e reinicia os trabalhos com o comércio, porém sem abandonar sua carreira de escritor e poeta. Conhece e vira amigo de Machado de Assis, ambos com 18 anos na época. E a partir daí, faz contatos com outros intelectuais e algum tempo depois, em 1859, lança seu único livro, “As Primaveras”, que contém a maior parte de suas poesias escritas ainda em Portugal e na sua volta ao Brasil.

Noivou com Joaquina Alvarenga Silva Peixoto em 1860, mas nunca se casou, pois morreu de forma precoce aos 21 anos, em outubro do mesmo ano, decorrente de uma tuberculose que o deixou debilitado. Tentou se recuperar em Nova Friburgo, mas não resistiu. Seu pai, que embora não aprovasse sua carreira de poeta, e ainda assim custeava a maior parte de suas despesas literárias, morreu também no mesmo ano. Sua mãe morreu pouco depois e não pode gozar de nenhum direito autoral de suas obras.

Hoje, Casimiro de Abreu é patrono da cadeira de número 6 na Academia Brasileira de Letras.

Estilo literário de Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu utilizava de vertentes conhecidas do Romantismo: amor, tristeza com a vida, saudade da pátria e da infância. Foi considerado por vezes um poeta de lirismo ingênuo por ser muito jovem, não costumava escrever de forma profunda como os outros poetas da época Romântica. Tinha escrita doce, meiga e pura, e gostava de falar sobre natureza, Deus e morte.

Tinha como principal característica o lírico-romântico, de forma simples, enfatizava o amor à mulher amada, o endeusamento da nação, a devoção pela realidade da juventude, a valorização da natureza e um tom ingênuo de religiosidade. Também é considerado como um dos poetas mais musicais do Brasil, prefere estrofes regulares e exalta a cadência, ritmo e rimas. É o poeta da delicadeza e sentimentalismo.

Pode-se afirmar que seu estilo técnico caracterizava-se pelo teor paralelo da forma e ignorava o estilo do soneto e versos brancos. Tem um viés espontâneo e inocente, com maior brilho e sutileza nos detalhes românticos do conteúdo. Também já teve momentos de amargura, rebeldia e desesperança, porém sem violência e de maneira melancólica.

Principais obras de Casimiro de Abreu

  • Fora da Pátria, 1855, prosa
  • Minha Mãe,1855, poesia
  • Rosa Murcha, 1855, poesia
  • Meus Oito Anos,1857, poesia
  • Longe do Lar,1858, prosa
  • Treze Cantos,1858, poesia
  • Folha Negra,1858, poesia
  • Minha Terra,1857, poesia
  • Segredo, 1857, poesia
  • As Primaveras, 1859, livro e poesias
  • Saudades,1856, poesia
  • Suspiros, 1856, poesia
  • Camões e o Jaú, 1856, teatro
  • Carolina,1856, romance
  • Camila,1856, memórias
  •  O subdesenvolvido, 1856

Trechos dos poemas mais conhecidos

Meus Oito Anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonho, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor! Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar! Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era.

Minha Terra

Todos Cantam sua terra,
também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha.  Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou em quanto tinha.  Tem tantas belezas, tantas,
a minha terra natal,
Que nem as sonha um poeta
E nem as canta um mortal!

Minh’alma é triste

Minh’alma é triste como a rola aflita
Que o bosque acorda desde o alvor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora. E, como a rôla que perdeu o esposo,
Minh’alma chora as ilusões perdidas,
E no seu livro de fanado gozo
Relê as folhas que já foram lidas. E como notas de chorosa endeixa
Seu pobre canto com a dor desmaia,
E seus gemidos são iguais à queixa
Que a vaga solta quando beija a praia. Como a criança que banhada em prantos
Procura o brinco que levou-lhe o rio.

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Magalhães, Alissa. Casimiro de Abreu; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/casimiro-de-abreu >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 18:20.

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