Castro Alves

Grande poeta do romantismo brasileiro

Conhecido como “poeta dos escravos”, Castro Alves (1847-1871) foi um importante poeta brasileiro que fez parte da terceira geração do romantismo no Brasil. Dono de um estilo romântico diferente do tradicional, o poeta trazia uma abordagem crítica e realista em suas obras. Além disso, foi um grande defensor da liberdade e da justiça, participando ativamente da campanha contra a escravidão.

Vida e carreira

Antônio Francisco de Castro Alves nasceu no dia 14 de março de 1847, na vila de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves, na Bahia. Era filho do médico e professor Antônio José Alves e de Clélia Brasília da Silva Castro.

Poeta Castro Alves
Poeta Castro Alves (1847-1871). (Foto: Wikipédia)

Por volta de 1853, mudou-se com a família para a capital do estado após seu pai ser convidado para lecionar na Faculdade de Medicina.

Em Salvador, ingressou no colégio de Abílio César Borges, tendo como colega Rui Barbosa, um dos intelectuais mais brilhantes de seu tempo.

Aos 12 anos de idade ficou órfão de mãe. Castro Alves demonstrou uma precoce vocação e paixão pela poesia.

Em setembro de 1960, aos 13 anos, recitou sua primeira poesia em público, durante uma apresentação na escola.

No ano de 1862, seu pai casou-se novamente. Em seguida, Castro Alves e seu irmão José Antônio mudam-se para o Recife, onde o poeta concluiu os preparatórios. Em maio do ano seguinte, publica no jornal “A Primavera”, sua primeira poesia sobre a escravidão.

Em 1864, seu irmão se suicida. Depois de ser reprovado por duas vezes, finalmente foi aprovado na Faculdade de Direito.

Em 1865, durante o primeiro ano de curso, foi aluno na mesma turma que Tobias Barreto. No entanto, já demonstrava grande interesse pela literatura, dedicando mais tempo a sua paixão que aos estudos da faculdade.

As ideias abolicionistas

Naquele momento, a capital pernambucana efervescia com os ideais abolicionistas e republicanos. Completamente envolvido com a causa, Castro Alves destacou-se pela defesa das ideias liberais.

Assim, Castro Alves entrou em uma fase de grande inspiração e interessou-se pela poesia social, fato que lhe rendeu a alcunha de “poeta dos escravos”, sendo considerado a principal expressão condoreira da literatura brasileira. Nessa época também escreveu o drama “Gonzaga”.

Em 1866, ficou órfão de pai. Pouco tempo depois, conheceu a atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha, com quem teve uma ligação amorosa e que desempenhou importante papel em sua vida e carreira.

No ano seguinte, partem para a Bahia, onde ela iria representar “Gonzaga”, o drama em prosa escrito por ele. Posteriormente, viaja para o Rio de Janeiro onde conhece Machado de Assis, responsável por ajudá-lo a ingressar nos meios literários.

De volta a faculdade, desta vez em São Paulo, frequenta a mesma turma que Rui Barbosa e conclui o curso de direito na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco. Em 1868, rompe com Eugênia, o que deixa o poeta em um crise de profunda melancolia.

A caçada e morte

Castro Alves começou a se dedicar a caçadas nos arredores da cidade. Em meados de 1869, durante uma caçada nos bosques da Lapa, feriu acidentalmente o pé com um tiro de espingarda. Foi levado para o Rio de Janeiro e, sob ameaça de gangrena, teve que amputar o pé.

Sua saúde já era frágil e, após o acidente, sua antiga enfermidade pulmonar agravou-se. Castro Alves voltou para sua terra natal e, em 1870, publicou “Espumas Flutuantes”, seu único livro editado em vida.

Acometido pela tuberculose, Castro Alves morreu no dia 6 de julho de 1871, aos 24 anos. No seu último ano de vida, estava produzindo uma série de poesias sobre a escravidão que foram publicadas postumamente no livro “Os Escravos” (1883).

Estilo e obras de Castro Alves

Castro Alves é a maior figura do Romantismo. Apesar do curto tempo de vida, deixou inúmeras obras que se tornaram referência na literatura brasileira. Suas poesias destacam-se por dois aspectos estimados: a ruptura com a poesia romântica das gerações anteriores e pela defesa do abolicionismo.

O poeta do amor

Com uma construção lírica distante da proposta dos poetas ultrarromânticos, tão marcada pela idealização amorosa na qual a mulher aparece como uma figura sonhadora, distante da realidade, cheia de medos e culpas e sempre em busca de um amor convencional e abstrato, Castro Alves tratou o amor como uma experiência viável e concreta, capaz de trazer tanto a felicidade e o prazer quanto a dor, envolvendo em sua poesia a figura da mulher amorosa com forte sensualidade, destacando sua beleza e sedução.

Morena Flor

Ela tem uma graça de pantera
No andar bem-comportado de menina.
No molejo em que vem sempre se espera
Que de repente ela lhe salte em cima
A mim me enerva o ardor com que ela vibra
E que a motiva desde de manhã.
– Como é que pode, digo-me com espanto…

O poeta social

Ao lado de Luís Gama, Nabuco, Rui Barbosa e José do Patrocínio, o grande poeta baiano Castro Alves destacou-se por sua poesia social, na qual defendeu a liberdade e a justiça, envolvendo-se ativamente na campanha a favor da abolição.

A maior parte de suas obras baseiam-se nas condições que envolviam os negros escravizados no Brasil. Dentre as diversas produções do poeta voltada a escravidão, destaca-se “O Navio Negreiro”.

“O Navio Negreiro”

O Navio Negreiro” é um poema épico-dramático que integra o livro “Os Escravos”, no qual Castro Alves denuncia a escravidão e faz uma recriação poética das cenas dramáticas do transporte de escravos no porão dos navios negreiros.

Escrito em 1868, quase vinte anos após a Lei Áurea (1850), o poema reflete o aprofundamento do poeta com as questões sociais da época, ressaltando as mazelas da pátria ao denunciar a escravidão dos negros, a opressão e a ignorância do povo brasileiro.

Com uma visão mais realista e objetiva, algumas obras de Castro Alves já apontavam para o movimento literário posterior, o Realismo, que já predominava na Europa.

Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais …
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala.
E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!…”

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Qual um sonho dantesco as sombras voam!…
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!…

Trecho do poema “O Navio Negreiro” de Castro Alves.

Citações

Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar.

O riso é a estrela do horizonte da alma.

A praça é do povo como o céu é do condor.

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BRITO, Samara. Castro Alves; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/castro-alves >. Acesso em 18 de novembro de 2019 às 19:45.

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