Cerrado

A savana brasileira

Ocupando 22% do território brasileiro, o Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul. Caracterizado pela vegetação de savana, concentração de variadas espécies de insetos, e por ser o berço das nascentes dos rios Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata, concentra 5% de toda biodiversidade do planeta.

O segundo maior bioma do Brasil – ficando atrás apenas da Amazônia – integra os estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo e Distrito Federal.  

No entanto, apesar de toda diversidade, sua vegetação original foi destruída. A região, que é propícia à agropecuária, vem sofrendo os efeitos do intenso desmatamento e urbanização desenfreada.

Clima do Cerrado

O clima da savana brasileira é o tropical sazonal, marcado por invernos secos e verões chuvosos. Ou seja, clima quente e úmido com precipitações que atingem os 1.500 milímetros.

Esse índice varia de acordo com os territórios. Nas zonas de proximidade com à Caatinga, por exemplo, as chuvas atingem de 600 a 800 milímetros.

Os tempos de seca começam em maio, estendendo-se até setembro. Já o período chuvoso vai de setembro a abril, no qual é recorrente o fenômeno chamado de veranicos – curtos ciclos de seca. A média de temperatura é de 22°, oscilando ao longo das estações.

Durante a estiagem, a umidade do ar pode alcançar 15%, pois ventos fortes e constantes não costumam acontecer no Cerrado. A influência solar é intensa, mas sofre uma redução em virtude da nebulosidade do verão chuvoso.

Vegetação e solo

A vegetação do Cerrado é amplamente diversificada, abrigando mais de 11 mil espécies de plantas, sendo que 4.400 delas são endêmicas (existem apenas nesse bioma).

A cobertura é dividida em savanas, florestas e campos.  Essas zonas são compostas por arbóreas, herbáceas, arbustivas e cipós, que são organizadas em dois aspectos:

  • Estrato lenhoso: áreas com árvores grandes e arbustos;
  • Estrato herbáceo:  áreas com ervas e subarbustos.

A vegetação do estrato lenhoso apresenta troncos tortos e grossos, e raízes profundas – estrutura propícia para a sobrevivência no período de seca. Já as herbáceas são formadas por raízes mais curtas, que provocam o ressecamento das folhas e ramos. 

Esses cenários funcionam de acordo com as propriedades dos solos, que definem-se pela profundidade e capacidade de drenagem.

A superfície da região é porosa e pobre em nutrientes, pois enfrentam frequentes processos de lixiviação (retirada da camada mais externa pelo escoamento da água).

Há locais em que o solo é arenoso ou argiloso, o que impossibilita a captação de água. Além disso, apresentam consideráveis níveis de acidez, com pH entre 4 e 5.

Características do Cerrado
A cobertura vegetal dessa região é de pequenas árvores retorcidas sobre gramíneas. (Foto: Pixabay)

Aspectos do Cerrado

Devido a extensão territorial e, consequentemente, integração com outros tipos de biomas brasileiros, o Cerrado é dividido em fitofisionomias – paisagens que se modificam em função do clima, solo ou relevo das fronteiras.  Essas variações dentro da savana brasileira são classificadas em:

  • Campos limpos: vegetação de gramíneas, livres de estrato lenhoso e favorável ao deslocamento de animais grandes, a exemplo da onça- pintada.
  • Campo sujo: também chamado de cerrado ralo, é predominante as plantas de estrato herbáceo.
  • Cerrado stricto sensu: principal cobertura desse bioma. É formado por árvores pequenas e de troncos tortos e espessos, além de raízes profundas – que chegam até os lençóis freáticos.
  • Mata seca: espécies que crescem afastadas das fontes de água. As árvores de aroeira, por exemplo, no período de seca perdem as folhas em decorrência dessa escassez.
  • Cerradão: apresenta árvores de médio porte com grandes quantidades de folhas. Representa a transição da mata seca para a de cerrado stricto sensu.
  • Mata de galerias: coberturas encontradas nas proximidades dos fluxos de água, por isso são chamadas de mata úmida. Possui árvores grandes, com troncos lisos, e folhas que se mantém verdes o ano todo.
  • Veredas: presente nas áreas de nascentes dos rios, a vegetação é composta por árvores da espécie buriti e campos. É a junção de campos limpos e sujos.
  • Cerrado rupestre: vegetação serrana comum em ambientes rochosos. As espécies dessa fitofisionomia são: caju, papiro, murici e mangaba.

Fauna                   

A savana brasileira é marcada pela diversidade natural, biológica e química. Por isso, a sua fauna reúne mais de 830 espécies de aves, 1.200 de peixes, 180 de répteis e 190 de mamíferos. Desses animais, 117 são endêmicos.

Alguns levantamentos indicam que a área também concentra 220 espécies de plantas para uso medicinal, e que mais de 400 podem ser aplicadas na reabilitação de solos desgastados ou servem para deter os efeitos da erosão.  

Apesar da variedade, quase 51% do bioma foi devastado em prol da instalação de fazendas e estradas. O extrativismo e agropecuária têm contribuído com o desmatamento e assoreamento das bacias hidrográficas que abastecem o país.

De acordo com estudos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), de 2000 a 2015, o Cerrado sofreu a perda de 236 mil quilômetros quadrados de extensão. 

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SANTOS, Thamires. Cerrado; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/cerrado >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 17:23.

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