Chico Mendes

Grande Representante da Preservação da Floresta Amazônica

Chico Mendes, que possuía o nome de Francisco Alves Mendes Filho, desempenhou em vida os papéis de seringueiro, sindicalista e militante político no Brasil.

Travou grandes lutas para defender a floresta Amazônica e os povos que dependiam dela.

O ferrenho modo que Chico Mendes utilizava para poder assumir as lutas que travava, não garantiu a ele somente inimigos, mas um forte e positivo reconhecimento fora do país.

Chico Mendes

Chico Mendes nasceu em 15 de dezembro de 1944, em Xapuri, no estado do Acre.

Filho de Francisco Alves Mendes, migrante cearense, e de Maria Rita Mendes, ele iniciou sua vida no seringal ainda quando era criança, quando ia junto com o seu pai e o ajudava diariamente no trabalho exercido.

Por não haver escolas na região onde residia, Chico Mendes só iniciou sua vida acadêmica aos 19 anos de idade. Segundo relatos de mesmo, foi o comunista Euclides Távora que o ajudou a iniciar a leitura.

Nos anos 70, Chico Mendes passou a fazer parte do sindicato dos trabalhadores de Brasileia, no Acre, para poder lutar contra o desmatamento que estava ameaçando os seringais e algumas outras atividades extrativistas.

Chico Mendes em meio a floresta
Chico Mendes, grande defensor da floresta Amazônica (Foto: Wikimedia Commons)

Dois anos mais tarde, Chico Mendes inicia, na cidade onde nasceu, o sindicato dos trabalhadores rurais. Posteriormente se torna vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e continua a lutar contra os donos de terras que ameaçavam aquela região.

Sua forte militância foi enxergada por seus opositores como rebeldia, o que o levou a ficar preso e até ser torturado.

Adiante, quando o bipartidarismo deixou de existir, Chico Mendes, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva e outras lideranças, fundaram o Partido dos Trabalhadores (PT).

Na luta pelo crescimento político, Chico tenta se eleger deputado estadual duas vezes pelo novo partido, mas sem sucesso em todas as tentativas.

Em sua militância política, sempre lutou contra os latifundiários e o partido em que eles faziam parte, o da União Democrática Rural.

Foi eleito, em 1983, presidente do STR (Sindicado dos Trabalhadores Rurais) de Xapuri e aumentou ainda mais a sua luta pelos benefícios dos seringueiros, em defesa da floresta Amazônica e contra a ditadura.

Liderada por Chico Mendes, em 1985 aconteceu o primeiro Encontro Nacional dos Seringueiros. Depois do Encontro Nacional, a luta que os trabalhadores do seringal enfrentavam começou a ser mais conhecida.

O cinegrafista inglês, Adrian Cowell, filmou todo o encontro e a partir daí a luta enfrentada passou a ser vista internacionalmente.

Em 1987, Cowell lançou um documentário intitulado de “Eu Quero Viver”, o qual apresenta todo o enfrentamento de Chico Mendes para a proteção da floresta e na busca dos direitos dos trabalhadores.

Entre o final de 1987 e início de 1988, Francisco recebeu na Inglaterra, o prêmio da ONU – Global 500, juntamente com a medalha do Meio Ambiente da Better World Society, nos Estados Unidos.

Nos locais que passou para poder receber as honrarias, Chico Mendes concedeu várias entrevistas a grandes jornais do mundo inteiro.

Todo o respeito que estava conquistando desde então, não eximiu Chico Mendes das ameaças que continuava a receber em Xapuri.

Sua incansável luta fez com que ganhasse muitos inimigos, em especial os latifundiários, os quais em 22 de dezembro de 1988 o assassinaram.

Cenário Histórico

Entre as décadas de 60 e 70, acontecia a Ditadura Militar no Brasil. Na época, os militares escolheram trilhar  um caminho com foco na economia, visando o desenvolvimento da nação. Para isso, mantiveram um maior olhar para obras de infraestrutura.

Algumas das obras criadas foram a Transamazônica e a utilização de terras da região Norte, o que foi possível a partir da entrega de títulos a grandes latifundiários.

Assim que recebiam as terras, os donos as transformavam em pastagens para os gados ou as utilizavam para agricultura, colaborando com a destruição da mata nativa.

Porém, a floresta servia de sustento para várias pessoas, inclusive os indígenas. Mas, ainda assim, os novos donos de terra entraram em confronto com os índios e os seringalistas para modificarem a terra do modo que gostariam.

Na busca de defender o povo que dependia da floresta Amazônica, Chico Mendes denunciou as ocupações ilegais, os incêndios que ocorreram de forma criminosa e também o desmatamento.

Atuação de Chico Mendes

A denúncia pública era um dos modos pelos quais Chico Mendes atuava e desempenhava sua militância política.

Como uma forma de defesa, ele se juntava com outros seringueiros para que pudessem fazer o “empate”, que é a defesa das árvores com a utilização do próprio corpo.

Nutria a vontade da criação de reservas para extrativistas e indígenas para que a população que residia na floresta conseguisse obter o seu sustento.

Os ruralistas eram totalmente contra a ideia de Chico Mendes, pelo fato de que se chegasse a concretização, as terras não poderiam ser utilizadas para a agricultura e criação do gado.

No ano de 1987, com o financiamento de bancos estrangeiros, acontece uma série de investidas para a ocupação da floresta Amazônica.

Chico Mendes, como grande defensor da classe, vai até o banco Interamericano e expõe a situação de risco e as dificuldades que eles poderiam enfrentar com a liberação de verbas para a invasão da Amazônia.

Chico Mendes
Chico Mendes foi um grande ativista político e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). (Foto: Wikimedia Commons)

Reconhecimentos

Por toda a defesa prestada e suas atuações em diversos momentos da história, Chico Mendes recebeu várias honrarias ao logo da vida.

Acompanhe abaixo algumas das homenagens recebidas por ele:

  • Global 500: no ano de 1987, ele é o primeiro brasileiro a receber esse prêmio da ONU. Homenagem que busca parabenizar as pessoas que estão sempre lutando em prol do meio ambiente.
  • Nomes de Parques: em várias partes do Brasil, como no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Osasco e São Caetano do Sul existem homenagens para Chico Mendes, através de parques que foram batizados com o seu nome.
  • Músicas: alguns compositores se inspiraram na história de Chico Mendes para criarem canções que homenageassem o líder seringueiro. Os grupos musicais, Sepultura e Maná, são exemplos de bandas que tiveram canções desse homem.
  • Instituto Chico Mendes: criado no segundo semestre de 2007, ele serve para poder reconhecer o grande trabalho desempenhado pelo acriano. É vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e faz parte do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama).

Nos dias atuais, ele continua sendo reconhecido com uma importante figura brasileira e ainda hoje recebe homenagens.

Citações

Tenho esperança de continuar vivo. É vivo que a gente fortalece essa luta.

No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.

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Lima, Vinicius. Chico Mendes; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/chico-mendes >. Acesso em 21 de novembro de 2019 às 08:20.

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