Chico Xavier

Médium brasileiro considerado o maior psicógrafo de todos os tempos

Chico Xavier (1910-2002) foi um médium brasileiro, reconhecido como um dos mais importantes expoentes do espiritismo. Dedicou sua vida a caridade, ao auxílio dos necessitados e dos espiritualmente abalados, destacando-se pelo seu legado à sociedade.

Infância

Natural do interior de Minas Gerais, Francisco Cândido Xavier nasceu no dia 2 de Abril de 1910. Pertencente a uma família humilde, era filho do operário João Cândido Xavier e de Maria João de Deus, uma lavadeira católica, ambos analfabetos.

Em 1915, quando tinha 5 anos, ficou órfão de mãe. Devido as condições precárias, seu pai foi obrigado a entregar alguns de seus nove filhos aos cuidados de amigos e parentes, entre eles estava Chico Xavier, que foi entregue a madrinha, uma antiga amiga de sua mãe.

Médium Chico Xavier
Médium Chico Xavier (1910-2002). (Foto: Wikipédia)

Segundo relatos, foi duramente maltratado enquanto viveu sob a guarda dessa mulher. Apesar da idade, era uma criança religiosa e recorria às orações para escapar do sofrimento. Foi nesse período que o médium teve o primeiro contato com a mãe.

Através dos diálogos com o espírito de sua mãe, acatava todas as orientações enviadas pela falecida. Devido aos contatos com o mundo espiritual, Chico era julgado, chegando a ser tachado de possuído.

Ao revelar tristeza por não ser compreendido, escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros.

Deveria aprender a se calar e quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebida em sonho, era para segui-la. Precisava aprender a obedecer para que Deus um dia lhe concedesse a confiança dos outros.

Sua mãe havia lhe prometido enviar um anjo que reuniria toda a família novamente. Quatro anos após a morte de Maria, João Cândido casou-se novamente e a segunda esposa de seu pai juntou todos os seus irmãos e ainda teve mais cinco filhos.

Durante os 7 anos consecutivos, Chico não teve mais qualquer contato com o espirito de sua mãe.

Adesão à doutrina espírita

Em 1927, com dezessete anos de idade, sua madrasta faleceu e Chico Xavier se viu diante da insanidade de uma irmã, que descobriu ser causada por um processo de obsessão espiritual. Mesmo educado na fé católica, o jovem teve contato com a primeira sessão espírita em sua casa, em Pedro Leopoldo.

No fim do mesmo ano foi fundado o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de seu irmão José Cândido Xavier, onde as reuniões eram realizadas as segundas e sextas-feiras. Desde então, através da mediunidade, começaram a manifestar-se diversos poetas falecidos.

Em 1928, começou a publicar as suas primeiras mensagens psicografadas nos periódicos “O Jornal”, do Rio de Janeiro, e “Almanaque de Notícias”, de Portugal.

Em 1931, deu continuidade à psicografia das poesias e escreveu “Parnaso de Além-Túmulo“, obra lançada em julho de 1932. Duas décadas depois o médium já havia psicografado mais de 50 livros.

Atividades mediúnicas

Em janeiro de 1959, Chico Xavier mudou-se para Uberaba sob a orientação dos benfeitores espirituais, iniciando as atividades mediúnicas em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã.

Nesse mesmo período deu início a famosa peregrinação. Aos sábados, saindo da Comunhão Espírita-Cristã, o médium visitava alguns lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença, acompanhado por grande número de pessoas.

Devido a este fato, a cidade de Uberaba transformou-se num polo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil e até mesmo do exterior. O nome de Chico Xavier tornou-se muito conhecido em virtude humanidade e assistência ao próximo.

Chico Xavier desencarnou no dia 30 de junho de 2002, aos 92 anos, ao sofrer uma parada cardíaca. Ao longo da vida foi acusado de fraude ou viu seu nome envolvido em polêmicas, no entanto, nunca se exaltou com tais acontecimento, deixando que o tempo cuidasse dos boatos e maledicências.

Obras de Chico Xavier

Escritor de mais de quatrocentas obras, Chico Xavier nunca admitiu ser o autor de nenhuma delas. Sempre afirmando que apenas reproduzia o que os espíritos ditavam, o médium cedeu gratuitamente os direitos autorais de seus livros publicados para organizações espíritas e instituições de caridade.

Além disso, nunca aceitou o dinheiro das obras, vivendo apenas com os proventos de sua aposentadoria. O valor arrecadado com a venda de mais de 30 milhões de exemplares sempre foi revertido integralmente à caridade.

Milhares de instituições beneficentes foram criadas, ajudadas ou mantidas com essa renda, como hospitais, asilos, orfanatos e creches. Seus livros foram traduzidos para vários países. Algumas de suas obras psicografadas são:

  • “Crônicas de Além-Túmulo” (1937);
  • “Emmanuel” (1938);
  • “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (1938);
  • “A Caminho da Luz” (1938);
  • “Há Dois Mil Anos” (1939);
  • “Cinquenta Anos Depois” (1940);
  • “O Consolador” (1941);
  • “Paulo e Estevão” (1942);
  • “Renúncia” (1942);
  • “Nosso Lar” (1944);
  • “Nos Domínios da Mediunidade” (1955);
  • “Sexo e Destino” (1963);
  • “Sinal Verde” (1971);
  • “Somos seis” (1976);
  • “Companheiro” (1977);
  • “Retratos da Vida” (1985);
  • “Mediunidade e Sintonia” (1986);
  • “Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios” (1991);
  • “Escada de Luz diversos espíritos” (1999).

Cartas psicografadas

Chico Xavier era um médium mecânico (quando não possui consciência do que escreve); polígrafo (tem o dom de alterar a escrita de acordo com o espírito ou reproduzindo exatamente a escrita do espírito quando em vida) e poliglota (escreve em idiomas totalmente desconhecidos ao médium e até mesmo dialetos extintos, como o hebraico, sem nunca sequer ter estudado outra língua).

Além das centenas de livros, Chico Xavier psicografou várias cartas de mortos para suas famílias. Durante mais de 60 anos, confortou pessoas desconsoladas de todo o Brasil em busca de notícias de seus parentes mortos.

Chico manteve comunicação com milhares de espíritos e psicografado suas mensagens, repletas de informações íntimas, como nomes e condições da morte que apenas as famílias reconheciam.

Um dos fatos que envolve o trabalho do médium mineiro é o uso de uma de suas cartas psicografadas como meio de prova no emblemático caso Maurício Garcez Henrique, que após descrever as minúcias do acidente e corroborar com a versão dada pelo réu, garantiu a inocência e liberdade de seu melhor amigo José Divino Nunes.

“O José Divino nem ninguém teve culpa em meu caso. Brincávamos a respeito da possibilidade de ferir alguém pela imagem do espelho. Sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo ou minha mesmo. O resultado foi aquele. Estou vivo e com muita vontade de melhorar.”

Trecho da carta de Maurício Garcez Henrique, psicografada por Chico Xavier.

Citações

A verdade que fere é pior do que a mentira que consola.

Não exijas dos outros qualidades que ainda não possuem.

Nem sempre terás o que desejas, mas enquanto estiveres ajudando aos outros encontrarás os recursos de que precisas.

Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

BRITO, Samara. Chico Xavier; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/chico-xavier >. Acesso em 29 de outubro de 2019 às 17:59.

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