Chiquinha Gonzaga

Influente artista da música popular brasileira

Chiquinha Gonzaga foi uma famosa pianista, maestrina e compositora carioca que se tornou um dos grandes nomes da música popular brasileira. A musicista se consagrou com o lançamento da marchinha “Ô abre alas” que fez sucesso no carnaval de 1900.

De personalidade forte e decidida, Chiquinha estava à frente do seu tempo. Enfrentou os preconceitos da sociedade e se aperfeiçoou na profissão da música. As obras da artista contribuíram para a rica variedade da música brasileira, que se consolidava no início do século XX.

Militante fervorosa, lutava a favor das causas abolicionistas e dos direitos autorais dos artistas. Sua vida pessoal e artística foi cercada de escândalos, mas também de reconhecimento e sucesso. Foi a primeira mulher a dirigir uma orquestra no Brasil.

Origem

Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro (RJ), da relação entre Rosa Maria Neves de Lima, uma alforriada filha de escrava, e de José Basileu Neves Gonzaga, um ilustre marechal de campo do Exército Imperial Brasileiro.

Chiquinha Gonzaga cresceu em uma época de grandes transformações políticas e intenso conservadorismo. Como de costume da época, ela estudava para ser uma dama da sociedade, aprendendo a ler, escrever, fazer cálculos, e também para os ofícios do lar.

Com uma boa educação oferecida pela família paterna, ela aprendeu a tocar piano e aos 11 anos compôs sua primeira canção natalina intitulada “Canção dos Pastores“.

Casamentos e vida amorosa

A vida amorosa de Chiquinha Gonzaga é marcada por escândalos de separações e traições, fatos que chocavam e incomodavam a sociedade opressora da época.

Aos 16 anos casa-se com o oficial da Marinha Mercante, Jacinto Ribeiro do Amaral por imposição de seu pai. Logo engravida, mas não desiste do piano e nem da música que eram suas paixões. Continuou se dedicando e compondo canções, o que despertou a insatisfação do esposo.

Seu marido não gostava de música e a proibia de tocar, além disso lhe obrigava a acompanhá-lo em viagens marítimas. Jacinto era sócio do Barão de Mauá na exploração do navio São Paulo que transportava armas, escravos e soldados de guerra.

Chiquinha Gonzaga por volta dos seus 20 anos de idade, em 1877
Chiquinha Gonzaga, em 1877. (Foto: Wikimédia)

Cansada da reclusão e da falta de liberdade para fazer o que amava, resolveu voltar para casa dos pais com dois filhos. No entanto, foi rejeitada pela família por causa do forte tradicionalismo. Descobre uma terceira gravidez e volta com o marido, mas o casamento não dura muito tempo.

Pouco tempo depois da separação, Chiquinha Gonzaga volta com a vida artística e se envolve amorosamente com o engenheiro João Batista de Carvalho Júnior, com quem tem mais uma filha. O ex-marido moveu ação judicial de divórcio, acusando-a de abandono do lar e adultério, o que a fez perder a guarda dos filhos.

Muito conturbado, o relacionamento entre a pianista e o engenheiro logo chega ao fim, devido as descobertas de traições de João Batista. No entanto, ele é quem consegue a guarda da filha.

Aos 52 anos, Chiquinha Gonzaga se envolve em mais um relacionamento. Dessa vez com um rapaz de apenas 16 anos de idade, o português João Batista Fernandes Lage. Para evitar mais escândalos, Chiquinha registra o jovem como seu filho, escondendo o romance até sua morte.

Vida musical de Chiquinha Gonzaga

Em 1877 Chiquinha Gonzaga resolve arriscar na profissão da música, o que era pouco comum para uma mulher daquele século. Volta a dar aulas de piano e a viver como musicista independente em um grupo de Choro Carioca, compondo e tocando tangos, valsas, polcas e cançonetas em bailes.

Nesse mesmo ano, enfrentou o preconceito e compôs a canção “Atraente“, a qual lhe rendeu sucesso e notoriedade. Em 1885 inicia sua carreira de maestrina com a opereta “A Corte na Roça“, estreado no Teatro Imperial.

O gosto popular trouxe a necessidade de Chiquinha Gonzaga adaptar o seu som. Seguiu então aperfeiçoando suas técnicas com o pianista Artur Napoleão e logo começou a receber vários convites de trabalho.

A pedido da Rosa de Ouro, compôs a marcha-rancho "Ô Abre Alas" em 1899 para o carnaval de 1900 e essa foi a canção que lhe rendeu importante destaque e sucesso, tornando-a primeira compositora popular do Brasil. A canção tinha os seguintes versos:

Ô abre alas!
Que eu quero passar (bis)
Eu sou da lira
Não posso negar (bis)
Ô abre alas!
Que eu quero passar (bis)
Rosa de Ouro
É que vai ganhar (bis).

Além do sucesso com a marchinha carnavalesca, Chiquinha Gonzaga compôs músicas para várias peças de teatro em diversos gêneros. Uma das peças mais famosas musicadas por ela  foi “Forrobodó“, estreada em 1912, batendo recorde de apresentações.

Escreveu sua última composição intitulada “Maria” em 1934, aos 87 anos. A opereta “Juriti”, de Viriato Corrêa também teve sua autoria, além do choro “Sabiá na Mata”, tocado por violonistas no Teatro São Pedro.

Cubanita, Sultana, Corta jaca (Gaúcho), Falena, Plangente, Pudesse esta paixão, Te amo, entre outras são algumas das músicas compostas por Chiquinha.

Militância política

Em 1914, Chiquinha Gonzaga causou alvoroço no Palácio do Catete quando fez uma apresentação de um maxixe ao ritmo de um “tango gaúcho” chamado “corta-jaca”. Esse tipo de música era considerado vulgar e por isso foi escandalizado pela imprensa e pela burguesia.

O fato chamou atenção porque a própria primeira-dama, a artista Nair de Tefé von Hoonholtz, amiga de Chiquinha e esposa do então presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca, resolveu acompanhar a maestrina com um violão. Isso gerou críticas ao governo e à conduta dos governantes.

Enquanto figura ousada, participava da militância política a favor do fim da monarquia e pela abolição da escravidão no Brasil. Fazia isso em rodas de músicas boêmias do Rio, onde chamava a atenção para as determinadas questões. Além disso, ela fumava em público, o que não era hábito das mulheres comportadas da época, em manifestação contra o preconceito e o atraso social.

Chiquinha Gonzaga contribuía com causas abolicionistas através da arrecadação de fundos para a Confederação Libertadora com a venda de suas músicas. Também lutou pelas causas artísticas fundando a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) que protegia os direitos autorais dos autores musicais.

Chiquinha Gonzaga passou o restante da vida com João Batista Gonzaga, que herdou seu nome. Morreu aos 87 anos, em 28 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi sepultado no cemitério do Catumbi.

O dia 17 de outubro, data do seu nascimento, foi oficializado como o Dia da MPB, em sua homenagem. Sua história também é contada na televisão com a minissérie “Chiquinha Gonzaga” (1999), produzida pela rede Globo. Além disso, aparece como personagem também nos cinemas no filme “Brasília 18%“, de 2006.

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Oliveira, Darcicleia. Chiquinha Gonzaga; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/chiquinha-gonzaga >. Acesso em 29 de outubro de 2019 às 00:32.

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