Clarice Lispector

Escritora e jornalista naturalizada brasileira

Natural da Ucrânia, Clarice Lispector foi naturalizada brasileira e se autodeclarava pernambucana, estado localizado na região nordeste do Brasil.

A escritora passou boa fase do tempo em que esteve no Brasil na cidade do Rio de Janeiro, onde desenvolveu importantes obras literárias.

A autora escreveu romances, contos e ensaios, sendo considerada uma das escritoras mais consagradas do século XX, fase predominante do romantismo no Brasil.

Dentre as principais características da sua obra estão cenários simples de passagens do cotidiano e dramas psicológicos, além do aspecto misterioso uma marca do seu estilo.

Biografia de Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920 numa localidade da República Popular ucraniana denominada Chechelnyk, na região da Podólia, hoje pertencente à Ucrânia moderna.

Registrada como Haya Pinkhasovna, a escritora é filha de um casal de judeus russos Pinkouss Lispector e Mania Lispector (nascida Krimgold).

escritora Clarice Lispector
Clarice Lispector foi considerada a maior romancista do século XX. (Foto: Flickr)

O nascimento de Clarice ocorreu no momento em que seus pais se preparavam para fugir do país em virtude da Guerra Civil Russa, no período compreendido entre 1918 e 1920.

A mãe de Clarice cogitou a possibilidade de mudar para América do Sul, continente para o qual já havia migrado por diversas vezes para realizar atividades judaicas.

Entretanto, Pinkouss somente foi de acordo com a viagem por causa da fome que assolava o país e, consequentemente, toda sua família.

Nessa época, eles mudaram para uma outra localidade, ainda na Podólia.

Os judeus não possuíam autorização para fazer migrações, o que levou o pai de Clarice Lispector a buscar meios ilegais de deixarem o país.

A primeira tentativa foi frustrada, o que fez com que os Lispector mudassem para uma aldeia mais próxima das fronteiras.

Após muitas tentativas e mudanças desesperadas de uma comunidade a outra, o consulado russo em Budapeste resolveu conceder passaporte para que a família fosse ao Brasil.

A viagem foi feita de Hamburgo, passando por Budapeste e depois chegaram em Praga.

Deste ponto, embarcaram para o Brasil, em condições extremamente precárias, chegando a Maceió, capital de Alagoas, na região nordeste do Brasil.

Já na América do Sul, para onde sempre quiseram migrar, os nomes foram substituídos. Pinkouss, o pai, passou a ser Pedro; Mania, a mãe, transformou-se em Marieta; Leah virou Elisa; Haya virou, finalmente, Clarice.

Infância e adolescência

Logo ao desembarcarem no Brasil, quando Clarice Lispector ainda era criança, a situação financeira de todos era difícil.

A princípio, Pedro tornou-se um pequeno vendedor, comprando peças de roupas e utensílios velhos para negociar com comerciantes, além de lecionar aulas de hebraico para vizinhos da comunidade onde passaram a habitar.

Com o intuito de melhorar a saúde financeira da família, Pedro mudou-se para Recife, capital de Pernambuco.

Nessa época, Clarice estava no jardim de infância, aos cinco anos de idade, no ano de 1925. Chegando à capital pernambucana, fixaram residência no bairro Boa Vista.

Aos sete anos, em 1928,  Lispector aprendeu a ler e escrever. Poucos anos depois, de forma muito precoce, escreveu sua primeira narrativa intitulada “Pobre menina rica”, inspirada em uma peça teatral que havia assistido.

No início da década de 1930, a jovem ingressou no colégio Hebreo-Idisch-Brasileiro, aprendendo a falar fluentemente hebreu e Iídiche.

No dia 21 de setembro deste mesmo ano, o estado de saúde de Mania Lispector ficou grave, por causa da sífilis que contraiu após um estupro que sofreu ainda na Ucrânia, o que causou a sua morte. Em homenagem à mãe, Clarice fez sua primeira composição para o piano.

Alguns meses depois, em 15 de dezembro, Pedro iniciou o processo de nacionalização dos filhos. Já no início de 1931, solicitou um documento de naturalização, com o objetivo de se tornarem brasileiros naturalizados.

Na fase da adolescência, aos 14 anos, Clarice, ao lado da família, passa a viver na cidade do Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca.

estátua de Clarice Lispector e seu cachorro Ulysses
Estátua de Clarice Lispector no Rio de Janeiro. (Foto: Wikpédia)

Logo mais tarde, ao término do estudo básico, Clarice Lispector ingressa no curso preparatório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de janeiro, também conhecida como Universidade do Brasil.

Formação em Direito e Jornalismo

No ano de 1939, Clarice ingressa no curso de direito e, simultaneamente, trabalha em um escritório de advocacia, exercendo também a função de tradutora de artigos científicos para uma revista.

Quase um ano depois, percebeu que seu interesse por literatura era maior do que por direito, publicando seu primeiro conto “Triunfo”, na revista Pan. Nessa narrativa, a escritora conta a história de uma mulher abandonada por seu companheiro.

A partir daí, Clarice Lispector começa a ser moldada como literária e inicia, efetivamente, no jornalismo, apesar da dificuldade das mulheres exercerem a profissão naquela época.

Nas andanças pelas redações cariocas, seu primeiro conto é publicado na revista Vamos Ler! Intitulado “Eu e Jimmy”, a obra foi a público no dia 10 de outubro de 1940.

Neste período, posterior à morte de seu pai, manteve boas relações e conseguiu um cargo como repórter da Agência Nacional, logo depois atua como redatora do Correio da Manhã e Diário da Noite .

Já em 1941, devido ao trabalho na agência, viajou por várias cidades brasileiras e teve a oportunidade de conhecer o então presidente da República, Getúlio Vargas.

Obra

Caracterizada como uma escritora de personalidade forte, narrativas metafóricas, misteriosas e obra singular, Clarice Lispector dominava sete idiomas e, além de contos e artigos, traduziu 35 livros de gêneros diversos e alguns autores diferentes.

Alternando entre traduzir e escrever contos, romances e artigos, publicou, em 1968, na Revista Jóia, a crônica Traduzir procurando não trair, em que escreveu sobre suas preocupações no processo de traduzir trabalhos de outros escritores.

Na sua última década de vida, em 1970, pouco tempo depois que começou a escrever textos infantis, também fez três traduções relacionadas ao público juvenil.

Dentre as diversas obras realizadas ao longo da vida, Clarice Lispector, sempre destacou algumas, como O ovo e a galinha.

De comportamento misterioso e sem muita motivação para conceder entrevistas, por preferir uma rotina mais discreta, Clarice despertava interesse e era fonte de pesquisa dos mais profundos estudiosos da literatura brasileira.

A seguir, algumas criações de Clarice Lispector:

  • Perto do Coração Selvagem (1943)
  • O Lustre (1946)
  • A Cidade Sitiada (1949)
  • A Paixão segundo G.H. (1964)
  • Água Viva (1973)
  • Um Sopro de Vida (1978)
  • A Hora da Estrela (1977)
  • Laços de Família (1960)
  • Felicidade Clandestina (1971)
  • Onde estivestes de noite? (1974)
  • O Ovo e a Galinha (1977)
  • A Bela e a Fera (1979)
  • O mistério do coelho pensante (1967)
  • A mulher que matou os peixes (1968)
  • A vida íntima de Laura (1974)
  • Quase de verdade (1978)
  • Como nasceram as estrelas (1987)
  • A descoberta do mundo (1984)

Morte de Clarice Lispector

Ainda jovem, aos 56 anos, na véspera de completar 57, Clarice Lispector foi hospitalizada e faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, vítima de um câncer de ovário. Diagnosticado de forma tardia, a doença estava em estágio avançado e inoperável.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Neves, Juliete. Clarice Lispector; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/clarice-lispector >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:53.

Copiar referência