Cláudio Manuel da Costa

O poeta firmou o Arcadismo no Brasil

Cláudio Manuel da Costa foi um poeta e advogado nascido no estado de Minas Gerais no ano de 1729. Teve grande influência do Iluminismo em sua trajetória, estudou com os jesuítas, depois migrou para humanidades e por fim fez faculdade em Portugal. Na volta para o Brasil, se aliou a Tiradentes e foi peça fundamental para a história da Inconfidência Mineira.

É considerado como pioneiro do Arcadismo no Brasil, pois vários autores o representaram em suas obras arcadistas. Utilizava o pseudônimo de Glauceste Satúrnio (ou Saturnino) para se dedicar aos trabalhos do Arcadismo, porém ainda escrevia com raízes do Barroco e do Quinhentismo.

Seu poema mais famoso, Vila Rica, foi publicado após sua morte. A obra fala sobre a realidade dos bandeirantes e descreve sobre a história da cidade mineira de Ouro Preto.

Cláudio Manuel da Costa: História

Cláudio Manuel da Costa era filho de pai português ligado à mineração e mãe mineira. Nasceu nas proximidades da cidade de Mariana em Minas Gerais, na Vila do Ribeirão do Carmo.

Cláudio Manoel da Costa
Cláudio Manuel da Costa foi um importante poeta para a história brasileira. (Foto: Rota do Arcadismo)

Em seus primeiros anos, foi ao Rio de Janeiro e estudou filosofia com os Jesuítas. Aos 20 anos de idade foi para Portugal, primeiro em Lisboa depois em Coimbra, onde acabou se formando em Cânones.

Ainda em Portugal, publicou três de seus poemas: “Labirinto de amor”, “Epicédio” e “Munúsculo Métrico”. Foi em terras lusitanas que conheceu e se interessou pela literatura arcadista.

Na sua volta ao Brasil se dedicou à vida de jurista, sendo advogado e minerador na cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto). Atuou como procurador da Coroa Portuguesa e foi considerado um profissional renomado em sua área.

Foi também secretário de Estado mais de uma vez e desembargador. Chegou a ser secretário do Governo da Província e juiz que media terras em Vila Rica, local muito importante para a mineração e também antro de intelectuais na época do século XVIII.

O poeta era considerado muito bem sucedido em todas as áreas em que atuava: literatura, política e vida jurídica. Acumulou riquezas materiais, era dono de fazendas e vivia em uma casa considerada como mansão na região do interior de Minas Gerais. Quando se envolveu na Inconfidência Mineira, funcionando com um suporte emocional, acabou sendo interrogado e com medo entregou vários de seus amigos.

É patrono da cadeira de número 8 na Academia Brasileira de Letras por indicação do fundador Alberto de Oliveira.

Morreu solteiro, mas especula-se que deixou alguns filhos.

Carreira literária

Sempre bem relacionado e com boa fama de autor publicado, Cláudio Manuel da Costa transitou entre o Barroco e o Arcadismo. Ensinava estruturas de musa, maiores e menores. Seu barroco era repleto de formalismos e conceptismos comuns ao estilo.

Cláudio Manuel da Costa chegou a fundar uma Arcádia, de nome “Colônia Ultramarina” e utilizava elementos como bucolismo e temas como ninfas e pastores em suas obras arcadistas.

Escrevia soneto, epístolas, éclogas e tinha como grande influência a obra de Camões.

Apostava em temas religiosos e cristãos, sua linguagem mesmo racional (inspirada por ideais iluministas) era composta de muita emoção e clareza, além de valorizar a natureza e apresentar a idealização do amor. Marcou a literatura com seu lirismo e ênfase nas histórias de mineração.

Seu poema “Vila Rica” é essencial para a literatura brasileira, pois mesmo com elementos de escolas literárias específicas, traz a história dos bandeirantes paulistas em meio às suas lutas contra os emboabas e trajetória no sertão, até a criação da cidade de Ouro Preto.

Tinha como estilo a preocupação com os problemas sociais e políticos do Brasil. A postura clássica esteve presente em suas obras, portanto está dentro da vertente do Neoclassicismo.

Pintura que retrata a Inconfidência Mineira.
O poeta foi um apoio sentimental na época da Inconfidência Mineira. (Foto: Wikipedia)

Morte controversa

Envolvido com ações da Conjuração Mineira, Cláudio Manuel da Costa foi preso e teve uma morte que até hoje causa especulação. Seu corpo foi achado em sua cela com aparentes sinais de suicídio, pois possuía amarrado em seu pescoço um tipo de cadarço que o enforcou tirando-o a vida.

A causa registrada da morte é suicídio, mas muitos historiadores acreditam na hipótese de assassinato encenado pela Coroa para parecer suicídio.

Alguns frades das igrejas da época relatavam confissões do poeta e diziam que ele se encontrava altamente deprimido, o que explicaria o suicídio. Porém, os registros desses relatos são contestados quanto à veracidade por muitos amigos do escritor e também por historiadores.

A verdade sobre a morte de Cláudio Manuel da Costa permanecerá um mistério, principalmente pelo fato de o laudo da perícia ter concluído a morte como suicídio. 

 Trecho do Poema Vila Rica

O conceito, que pede a autoridade,
Necessária se faz uma igualdade
De razão e discurso; quem duvida,
Que de um cego furor corre impelida
A fanática ideia desta gente?
Que a todos falta um condutor prudente
Que os dirija ao acerto.
Quem ignora que um monstruoso corpo se devora
A si mesmo, e converte em seu estrago
O que pensa e medita? Ao brando afago.
Talvez venha ceder: e quando abuse
Da brandura, e obstinados se recuse
Ao render ao meu Rei toda obediência,
Então porei em prática a violência;
Farei que as armas e o valor contestem,
O bárbaro atentado, e que detestem
A preço do seu sangue a torpe ideia.

Principais obras

  • Culto Métrico, 1749.
  • Munúsculo Métrico,1751.
  • Epicédio, 1753.
  • Obras Poéticas de Glauceste Satúrnio. 1768.
  • O Parnaso Obsequioso e Obras Poéticas, 1768
  • Vila Rica, 1773.
  • Poesias Manuscritas, 1779.

Curiosidades

  1. Cláudio Manuel da Costa era muito amigo de outro poeta do Arcadismo: Tomás Antônio Gonzaga;
  2. Também era amigo de Aleijadinho, a quem possibilitou a entrada em várias bibliotecas que eram tidas como proibidas.
  3. Especula-se seu envolvimento com os Illuminati, grupo da Baviera que tinha ideologia iluminista e foi o responsável por diversas rebeliões.
  4. O poeta já foi retratado em várias obras de cinema e televisão, como por exemplo Tiradentes (de 1969), Aleijadinho – Paixão, glória e suplício (2003) e Os Inconfidentes (1972).
  5. Alguns historiadores afirmam que Cláudio Manuel da Costa foi o tradutor oficial de algumas obras de Adam Smith para o português.

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Magalhães, Alissa. Cláudio Manuel da Costa; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/claudio-manuel-da-costa >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 19:25.

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