Confucionismo

Princípio filosófico criado por Kung-Fu-Tzu, o Confúcio

O Confucionismo é uma doutrina filosófica baseada nos ensinamentos do chinês Confúcio (Kung-Fu-Tzu), no século VI antes de Cristo. O fundamento não é caracterizado como religião, pois seu foco está no entendimento das condutas morais e da ordem social.

Antes da filosofia moral de Confúcio, a China encontrava-se dividida em territórios feudais, que lutavam entre si pelo controle do poder. Nessa época de extrema violência, o pensador estabeleceu o acordo de que todo o ser humano alcançaria a inteligência necessária para modificar os meios e fins da sua própria existência, contornando os contratempos da vida.

O princípio do Confucionismo permaneceu na China por dois mil anos e concentrou milhões de seguidores, causando uma significativa mudança na conjuntura social asiática. Isso porque as ideias pregadas são bem diferentes das religiões tradicionais do Ocidente. Na teoria de Confúcio não existe a crença em um deus, muito menos a necessidade de cultuá-lo em igrejas e templos.

Além disso, no Confucionismo, os representantes políticos são vistos como “pais do povo”, mas precisam obedecer a autoridade política estabelecida pelo céu. Já a família é considerada a base social em que todos os sujeitos devem estar inseridos, pois o senso de disciplina, ordem, consciência política e trabalho também são formados dentro deste seio.

Os Conceitos da Doutrina Confucionista

O Confucionismo apoia-se na busca pela harmonia da vida e do mundo, o Tao (filosofia oriental que também é base para o taoismo). Os seres humanos são estruturados por quatro dimensões: o eu, a comunidade, a natureza e o céu.

Ideograma da Água, Símbolo do Confuciionismo
Ideograma da Água (Foto: Wikimedia Commons)

Por causa dessas circunstâncias,  precisam cultivar seis virtudes fundamentais:

Jen (bondade): a virtude mais elevada das existentes. Conhecida como a lógica do “amor ao próximo”, é a conduta da reciprocidade, do humanitarismo e benevolência.

Chun-Tzu (homem superior): de acordo com Confúcio, o homem atinge a perfeição quando é sábio, humilde, sincero, amável e justo.

Cheng-ming (comportamento adequado): o homem deve cumprir as regras de conduta, isto é, ajustar seu comportamento no dia a dia.

Te (poder e autoridade): o domínio do poder é necessário para se governar, porém deve ser feito de forma equilibrada e justa.

Li (consciência da vontade do céu): os governantes devem proporcionar um confortável padrão de vida ao povo, ofertando educação moral e aos rituais, pois sem estes aspectos o homem não é capaz de cultuar de forma adequada seus ancestrais e os deuses do universo.

Wen (artes e música): toda expressão artística é encarada como riqueza da sociedade.

Rituais do Confucionismo

Para a doutrina de Confúcio, os próprios atos do dia a dia são considerados rituais, ou seja, são costumes que as pessoas realizam, de forma consciente ou não, durante o fluxo natural da vida.

Entretanto, alguns discípulos do Confucionismo, geralmente os mais influentes dentro da sociedade chinesa, cultuavam a figura de uma divindade do universo, o supremo governador do mundo.

A cerimônia, que acontecia no solstício de inverno, era uma forma de oferecer alimentos e vinho a este ser supremo, na tentativa de que as preces em nome do povo fossem atendidas.

Regado a música, muitas velas e caravanas ao altar do céu, a festividade ocorria na cidade de Pequim. Outra prática era a adoração aos ancestrais, pedidos para que os espíritos dos mortos ajudassem os vivos na busca pela prosperidade e harmonia.

Em sinal de gratidão e respeito, os familiares dos mortos colocavam roupas, alimentos ou armas em seus túmulos e faziam orações. Caso os rituais não fossem cumpridos, acreditava-se que os espíritos, em forma de fantasmas, voltavam para atormentar os vivos.

O culto da piedade filial, mais um caminho de adoração, consistia no total zelo e dedicação dos membros mais jovens das famílias aos mais velhos, inclusive após a morte.

Além desses, existia também o prognoticismo (habilidade da adivinhação). Consistia na interpretação das figuras feitas na terra quando jogadas em cima de mesas, na observação dos relâmpagos, pássaros ou tudo que estivesse ligado ao céu.

Quem foi Kung-Fu-Tzu, o Confúcio?

Nascido em 551 a.C, Kung-Fu-Tzu foi um mestre chinês que disseminava pensamentos relacionados a bondade humana e práticas humanitárias.

Considerava que para cada pessoa os métodos de ensino e educação deveriam ser distintos e não rejeitava discípulos por causa da sua condição social, algo excepcional na sociedade da época.

Em contrapartida, os seguidores absorviam o máximo de sabedoria possível para conseguir empregos. Como saía de cidade em cidade oferecendo seus conhecimentos, Confúcio foi considerado o primeiro professor particular da China.

Durante toda a  vida pregou que o ser humano deveria se preocupar apenas com a busca pela sabedoria, o sentido da responsabilidade e a capacidade de ter empatia, isto é, de se colocar no lugar do outro.

O criador do confucionismo morreu aos 73 anos na sua cidade de origem, sem ter despertado em nenhum príncipe o interesse por seus ensinamentos.

Suas ideologias encontram-se reunidas nos livros:

  • Lun Yu – Diálogos, Analectos
  • Dà Xué – Grande Ensinamento
  • Zhong Young – A Doutrina do Meio.
  • Mêncio – Mèng Zi

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

SANTOS, Thamires. Confucionismo; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/confucionismo >. Acesso em 07 de dezembro de 2019 às 07:28.

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