Cora Coralina

Considerada uma das escritoras mais importantes do país

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, nasceu no dia 20 de agosto de 1889 na cidade de Goiás, onde morou apenas um mês, por conta do falecimento do seu pai, Francisco de Paula Lins dos Guimarães (Desembargador nomeado por Dom Pedro II).

Junto com a sua família e sua mãe, Jacyntha Luiza do Couto Brandão, ela se mudou para o município de Mossâmedes, onde conseguiu estudar apenas até a terceira série do primário na Escola da Mestre Silvina.

História

Mulher de muita garra e coragem, Coralina foi considerada uma moça simples e que não gostava de viver nos agitos da cidade e nem próximo a todo barulho que era feito nas grandes metrópoles.

 Ela era mais reservada, calma e buscava o interior como moradia, pois era ali que ela conseguia traduzir o que vivia para dentro dos seus livros.

Logo aos 14 anos ela começou a desenvolver os seus primeiros textos, os quais foram depois publicados por jornais da cidade de Goiânia e pelo semanário Folha do Sul, além da revista A informação Goiana do Rio de Janeiro, que eram localizados fora do município da escritora.

Até 1910, Cora continuava a desenvolver seus contos e poesias na cidade que morava. Já em 1911, ela se muda para o estado de São Paulo com o seu marido, Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas. O casal se instalou na cidade de Jaboticabal, e é nela que tiveram os seus seis filhos: Paraguaçu, Eneas, Cantídio, Jacyntha, Ísis e Vicência. Sendo que Isis e Eneas faleceram logo depois de virem ao mundo.

Cora Coralina retorna para Goiás em 1956, mas antes do seu regresso fez uma passagem por três cidades do estado que estava vivendo com a sua família: São Paulo, Penápolis e Andradina (cidade onde se encontra uma casa de cultura com o nome dela).

Nos locais por onde passava, ela deixava um pouco dos legados que possuía, mostrava a sua feminilidade, religiosidade, docilidade e muito carinho e afeto pelas pessoas que eram próximas a ela.

Em cada lugar procurava um jeito de se manter e não desamparar os seus filhos, visto que em 1934 o seu marido veio a falecer.

Logo após a morte de Cantídio Tolentino, Cora Coralina torna-se uma doceira bem requisitada na sua cidade natal, com seus doces cristalizados que costumavam ser bem procurados. Ela dizia que eles eram obras muito melhores do que os poemas que escrevia nas folhas de caderno.

Tendo em vista o modo de vida daquela época, Cora Coralina não teve um estudo tão avançado, mas tinha seu olhar voltado para o que era dito como sendo atividade de mulher: cuidado com a casa e com o marido.

Mesmo sendo uma pessoa humilde, acessível e bem tranquila, Cora Coralina recebeu algumas homenagens da sociedade em que vivia. No ano de 1983 ela recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade Federal de Goiás e já em 1984 ela foi escolhida a intelectual do ano pela União Brasileira de escritores e Jornal Folha de São Paulo, recebendo o troféu Juca Patos.

: Busto em homenagem a Cora Coralina.
Busto de Cora Coralina em frente ao museu casa de Cora Coralina. (Foto: Wikipédia)

Museu Casa de Cora Coralina

Depois que Cora Coralina faleceu, os seus amigos e parentes se reuniram a fim de construir algo que reunisse os legados dela. Por isso decidiram criar a Associação Casa de Cora Coralina, onde as pessoas que moram na região da cidade de Goiás podem desfrutar um pouco do que Coralina nos deixou. Além disso, os idealizadores desejam que o projeto ajude a sociedade nas atividades culturais, artísticas, educacionais e ambientais.

Além de querer ajudar as pessoas do local onde nasceu a escritora, o museu conta com um acervo repleto de lembranças dessa grande figura brasileira: roupas, utensílios domésticos, fotos, móveis e cartas.

A casa que foi utilizada para idealização desse projeto foi pertencente ao pai de Cora Coralina, Francisco Lins dos Guimarães Peixoto, no início do século XIX, por isso que ainda hoje ela apresenta paredes de pau a pique e adobe, que são características típicas da arquitetura colonial brasileira. Lugar simples, mas muito acolhedor.

 

Obras Literárias

Como grande escritora que era, Cora Coralina deixava muitos legados dentro dos seus textos, porém o que mais se via ressaltado durante o que estava escrito era a simplicidade e, sem dúvida, o foco que ela dava no cotidiano.

Dona de grandes pensamentos, ela conseguiu atingir patamares da escrita que jamais havia sido alcançado por alguém do Centro-Oeste e, além disso, Cora não deixou que a falta de estudos lhe atrapalhasse.

Pelo contrário, as palavras que eram escritas erradas, serviam para mostrar que o mais importante naquele momento não era o que estava redigido, mas a mensagem que ela queria passar com os seus poemas e contos para os seus leitores. Dentre as muitas obras escritas por Ana Lins dos Guimarães Peixoto, abaixo estão algumas de destaque:

  • ”Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais” (1965);
  • ”Meu Livro de Cordel” (1976);
  • ”Vintém de Cobre – Meias confissões de Aninha” (1983);
  • ”Estórias da Casa Velha da Ponte” (1985);
  • ”Meninos Verdes” (1986)
  • ”Tesouro da Casa Velha” (1996);
  • ”A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu” (1999);
  • ”Vila Boa de Goiás” (2001);
  • ”O Prato Azul-Pombinho” (2002); 

Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais

Este foi o primeiro livro escrito por Cora Coralina e foi publicado em 1965 pela editora José Olympio quando já contava com os seus 75 anos de idade. Depois que a segunda edição foi publicada, no ano de 1978, Carlos Drummond de Andrade tem acesso a obra e fica encantado com tudo que conseguiu ler dessa modesta mulher. A partir de então, Cora Coralina consegue alcançar uma visibilidade exorbitante.

Meninos Verdes

Nessa obra, Cora Coralina escreve sobre duas plantas distintas que nascem no quintal da sua casa. Ao observar que ali, no fundo da casa velha da ponte, existiam novos moradores e ela como uma boa amante do simples e também da natureza, quis proteger esses novos moradores impedindo até mesmo o jardineiro de poder cortá-las.

Tesouro da Casa Velha

Cora Coralina escreveu este livro depois dos seus 90 anos de idade. Nesta obra ela reúne experiências pessoais e acrescenta durante toda escrita a magia, o encanto e a simplicidade com que ela levou sua vida. Nesta obra encontra-se 18 contos e uma boa parte deles são baseados no que ela própria experimentou e viveu.

Citações

Fiz a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores.

Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo.

O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.

Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Lima, Vinicius. Cora Coralina; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/cora-coralina >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 22:16.

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