Crase

Contração de vogais idênticas

A crase é o acento grave indicado pelo símbolo [ ` ] que representa, na Língua Portuguesa, a contração de duas vogais idênticas. Na gramática é a junção da preposição com o artigo, que forma o “a” craseado (à).

Para melhor compreensão pode-se desdobrar, por exemplo, a frase “Os alunos pediram um favor à professora”. A crase aparece porque “quem pede algo, pede a alguém”. Assim, “pediram um favor a + alguém” (neste caso a professora). Portanto, resulta-se em “a a professora”. A presença de dois “a” juntos e seguidos gera a contração denominada crase (à professora).

A crase pode aparecer, também, nos pronomes demonstrativos aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo e no pronome relativo as quais.

Assim: a + aquele = àquele; a + aqueles = aqueles; a + aquela = àquela; a +aquelas = àquelas; a + aquilo = àquilo e a + as quais = às quais.

Exemplo 1: Fui àquele restaurante chinês.

Nota-se que restaurante é nome masculino, logo não deveria vir precedido por crase. No entanto, na gramática coloquial “quem vai, vai a algum lugar”, logo “a aquele”. Assim, os dois “a” seguidos podem ser contraídos e virar uma crase.

Exemplo 2: Confiei as encomendas da festa àquela doceira.

É importante saber usar a crase corretamente porque esta contração diz muito sobre o sentido da frase, quando usada, além de ser comumente cobrada em provas de acesso ao ensino superior e em concursos.

Para crasear adequadamente uma frase é necessário estar atento às regras gramaticais e nos casos específicos em que pode-se ou não admitir esta acentuação. Há situações em que a crase é facultativa e, em outras, expressamente proibida.

Quando usar crase

Para verificar o uso ou não da crase deve-se ter em mente algumas dicas. Pra tornar isto mais fácil, a primeira observação é analisar se a frase em questão pode substituir a preposição “a” por outra preposição que pode ser “em” ou “para”. Feito isso, se o artigo continuar sendo admitido sem prejuízo no entendimento, pode-se usar o acento.

Exemplo 1: Joaquim viajou à Região Sul.

Esta frase é acraseada porque pode ser substituída sem prejuízo por “para a” (Joaquim viajou para a Região Sul).

Exemplo 2: Mariana viajou a Recife.

Nesta frase não admite-se crase porque não dá para substituir por “para a Recife”, além do que Recife é nome masculino, que também não aceita este acento, conforme explicação mais detalhada vide no decorrer do texto.

Outra maneira de identificar a necessidade ou não da crase é trocar o complemento nominal após o “a” de um substantivo feminino para um masculino. Se após a substituição for necessário o uso de “ao”, então pode-se acentuar.

Exemplo: Joana doou mantimentos importantes à comunidade.

Observa-se que pela primeira dica pode-se admitir “para a” sem prejuízo no sentido da frase (Joana doou mantimentos importantes para a comunidade).

Também, se trocar “a comunidade” por “ao vilarejo”, a expressão se adequa ao caso da segunda dica, que é substituir o complemento nominal feminino por um masculino e havendo a possibilidade de encaixar o termo “ao”, há crase.

Quando a crase é obrigatória

Assim como existem casos em que o uso da crase é facultativo, existem algumas exceções em que ela é obrigatória como quando preceder:

  1. Horas
  2. Locução “à medida que”.
  3. Locução “às vezes”.
  4. Locução “à noite”.
  5. Locução “à moda”.

Quando a crase é facultativa

  1. Quando anteceder nome próprio feminino.
  2. Quando anteceder pronome adjetivo possessivo feminino.
  3. Depois da preposição “até”.

Exemplo 1: Entreguei a caneta a Marisa. / Entreguei a caneta à Marisa.

Exemplo 2: Enviei flores a Ana Maria. Enviei flores à Ana Maria.

Nota: neste caso há exceção da norma em dois casos.

  1. Quando o nome está qualificando o uso é obrigatório. Ex.: O prêmio foi entregue à bela Iasmin.
  2. Quando fizer referência a alguém com quem não tem-se intimidade ou se for personalidade ilustre o acento é proibido. Ex.: Na aula de História a homenagem foi a Catarina Paraguaçu. 
Crase
A crase é obrigatória antes de locuções. (Foto: Dreamstime)

Quando não usar crase

  1. Antes de palavras masculinas.
  2.  Antes de verbo.
  3. Antes de numeral (exceto horas).
  4. Após preposição.
  5. Antes de plural sem o artigo “as”.
  6. Em substantivos idênticos como “cara a cara”.
  7. Antes de nomes de cidades que não utilizam o artigo feminino.

Erros comuns que devem ser evitados

Uma dúvida muito comum é o uso da crase na expressão “vale a pena”. Desmembrando a frase, observa-se que não pode substituí-la por nome similar usando “ao”.

Exemplos:

Vale o sacrifício.

Vale o esforço.

Nota: em ambos os casos acima não pode-se admitir o termo “ao”, pois não é correto dizer “vale ao sacrifício” ou “vale ao esforço”.

Outra dúvida que gera equívoco é o uso da crase em situações com o artigo em número diferente do termo que vem em seguida.

Exemplo 1: Dei “bom dia” à todos assim que entrei na sala.

Exemplo 2: Agradeço à vocês pela presença.

Nota: o acento não deve ser usado nos exemplos acima, pois em ambos os casos ela está em números diferentes dos pronomes, já que o artigo está no singular e “todos” e “vocês” no plural.

Os exemplos do uso correto para estes casos é: “Dei ‘bom dia’ a todos assim que entrei na sala” e “agradeço a vocês pela presença”.

Crase antes de “pé”

Comumente vê-se crase antes da palavra “pé”. É errado porque vai de encontro à regra que determina a inviabilidade antes de nome masculino.

Assim: João vai a pé à igreja.
Desmembrando tem-se: João vai a (o pé) a (a igreja).

Crase antes da palavra “Terra”

Antes do nome Terra a crase só será aceita quando for em referência ao planeta e à cidade natal. Quando aparecer no texto como em referência ao antônimo de água não admitirá o acento.

Exemplo 1: O nome do filme o qual eu assisti com meus amigos é “Uma viagem à Terra”.

Exemplo 2: Margarida não adaptou-se ao Rio de Janeiro e regressou à terra natal.

Exemplo 3: Quando a chuva cair vai molhar a terra.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Chérolet, Brenda. Crase; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/crase >. Acesso em 29 de janeiro de 2020 às 21:33.

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