Darcy Ribeiro

Antropólogo e escritor brasileiro

Darcy Ribeiro destacou-se como escritor, educador e político. Conhecido por seus estudos e trabalhos com foco no modo de vida dos povos indígenas, os quais defendeu arduamente, e na educação brasileira, tornou-se uma importante figura nos momentos centrais da história do país na segunda metade do século XX. Além disso,ocupou a cadeira n° 11 na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Vida e carreira

O escritor mineiro nasceu na cidade de Montes Claros, no dia 26 de outubro de 1922. Filho de um farmacêutico e de uma professora, realizou os estudos fundamentais e secundário em sua cidade natal.

Foi para Belo Horizonte estudar medicina, porém ao cursar disciplinas de ciências sociais interessou-se pela área. Mais tarde se mudou para São Paulo, onde diplomou-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política (1946), com especialização em antropologia.

Antropólogo Darcy Ribeiro
Antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997). (Foto: Estante Virtual)

Darcy Ribeiro e os índios

Já formado, Darcy Ribeiro passou a dedicar os primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios de várias tribos do país (1946-1956).  Neste período fundou o Museu do Índio e colaborou com a fundação do Parque Indígena do Xingu.

Darcy também escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena. Além disso, elaborou para a Unesco um estudo sobre o impacto da civilização em relação aos grupos de índios brasileiros no século XX e colaborou com a Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual sobre os povos aborígenes de todo o mundo (1954).

Darcy Ribeiro e a educação

Nos anos seguintes, Darcy Ribeiro dedicou-se a educação primária e superior brasileira.

  • Organizou e dirigiu o primeiro curso de pós-graduação em Antropologia na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro;
  • Foi professor de Antropologia na Escola de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas;
  • Junto com seu amigo Anísio Teixeira, participou da defesa da escola pública por ocasião da discussão de Lei de Diretrizes e Bases da Educação, lei 9394/96 aprovado pelo senado brasileiro;
  • Foi professor de Etnologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1955-56);
  • Ministrou aulas de Etnografia Brasileira e Língua Tupi na Faculdade Nacional de Filosofia.
  • Participou da criação da Universidade de Brasília, a UnB, da qual foi o primeiro reitor;
  • Idealizou a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF);
  • Coordenou a Divisão de Estudos e Pesquisas Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais;
  • Foi responsável pelo setor de Pesquisas Sociais da Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo.

Política e exílio

Durante o Regime Parlamentarista do então presidente João Goulart, Darcy Ribeiro foi nomeado ministro da Educação (1962-1963) e chefe da Casa Civil (1963-1964). No entanto, com a chegada da ditadura militar no Brasil, muitos intelectuais brasileiros tiveram seus direitos políticos cassados, inclusive Darcy Ribeiro.

Desta forma, foi obrigado a se exilar. Permaneceu alguns anos vivendo no Uruguai, depois passou temporadas na Venezuela, Chile e Peru. Durante esse período conduziu programas de reforma universitária com base nas ideias que defendeu no livro “A Universidade Necessária”.

No exterior, Darcy atuou como professor de Antropologia da Universidade Oriental do Uruguai, foi assessor do presidente Salvador Allende, no Chile, e de Velasco Alvarado, no Peru. Além disso, produziu os estudos de antropologia da civilização e os romances “Maíra” e “O mulo”.

Retorno ao Brasil

Darcy Ribeiro retornou para o Brasil em 1976 e foi anistiado quatro anos depois. Voltou a dedicar-se à educação e à política. Durante o primeiro governo de Leonel Brizola, Darcy foi eleito vice-governador do Estado do Rio de Janeiro.

Nesta administração, cumulativamente secretário de Estado da Cultura e coordenador do Programa Especial de Educação, criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP).

Nas eleições de 1986, foi candidato ao governo fluminense pelo PDT, mas derrotado nas urnas por Moreira Franco.

Memorial da América Latina

Durante a década de 1980, Darcy foi responsável pela criação e projeto cultural do Memorial da América Latina, um centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, que conta com projeto do arquiteto Oscar Niemayer.

Academia Brasileira de Letras

Em 8 de outubro de 1992 foi eleito para ocupar a cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Foi recebido para posse em 15 de abril de 1993, pelo acadêmico Cândido Mendes de Almeida. Em seu discurso, deixou registrado:

“É verdade que algumas desglórias me caíram em cima, na forma de fracassos, nas lutas que travei, em vão, para salvar os índios, para escolarizar os brasileiros, para reformar o Brasil. Também provei, até carpi, desgostos do não-reconhecimento de méritos meus que guardo no peito e cobro. Alguns desses dissabores me magoaram. São dores que ainda me doem. Suportáveis, mil vezes pior fora não tê-las sofrido, por não haver optado, nem ousado, nem lutado. Não mereço o inferno dos indiferentes.

Um balanço de vida inteira mostraria que minhas realizações foram parcas. Talvez, porque tentei plantar na Lua muitas lanças demais. Não é demasia para um homem só querer, como quis e quero ainda, ser romancista e antropólogo e educador e político e fazedor e até revolucionário? Se me ativesse a um campo só, teria talvez feito alguma maravilha. Disperso entre tantas devoções, não servi bem a nenhuma delas. Relevem este pecado, que eu pecaria outra vez. Variei tanto de temas, foi obedecendo a mandos de meu coração. Afinal, a vida não é missão, é também fruição.”

Morte

Darcy Ribeiro faleceu no dia 17 de fevereiro de 1997, aos 74 anos de idade, vítima de câncer.

Obras de Darcy Ribeiro

Darcy Ribeiro deixou um rico acervo para a literatura brasileira. Produziu obras em diversos idiomas, como inglês, alemão, espanhol, francês, italiano, hebraico, húngaro e checo. Entre as suas temáticas estavam:

  • Etnologia;
  • Antropologia;
  • Romances;
  • Ensaios;
  • Educação.

Durante o período de exílio escreveu os cinco volumes dos estudos de Antropologia da Civilização: “O processo civilizatório”; “As Américas e a civilização”; “O dilema da América Latina”; “Os brasileiros – 1. Teoria do Brasil” e “Os índios e a civilização”, nos quais propôs uma teoria explicativa das causas do desenvolvimento desigual dos povos americanos.

Anos mais tarde, lançou sua obra final e uma das mais destacadas de sua autoria, fruto de 30 anos de escrita e reformulações. Intitulado “O povo brasileiro” (1995), o livro trata das matrizes culturais e dos mecanismos de formação étnica e cultural do povo brasileiro.

Principais obras

  • “Culturas e línguas indígenas do Brasil” (1957);
  • “Plano orientador da Universidade de Brasília” (1962);
  • “O processo civilizatório – etapas da evolução sócio-cultural” (1968);
  • “Os índios e a civilização” (1970);
  • “Maíra” (1976);
  • “O mulo” (1981);
  • “Utopia selvagem” (1982);
  • “Nossa escola é uma calamidade” (1984);
  • “Aos trancos e barrancos – como o Brasil deu no que deu” (1985);
  • “Diários índios – os urubus-kaapor” (1996);
  • “O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil” (1995).

Citações

Mais vale errar se arrebentando do que poupar-se para nada.

A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.

Meus fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.

Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.

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BRITO, Samara. Darcy Ribeiro; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/darcy-ribeiro >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 15:39.

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