David Hume

Foi filósofo empirista pertencente a corrente do Iluminismo

David Hume ficou conhecido por seu sistema filosófico radical com base no empirismo, naturalismo e ceticismo. Viveu em uma época de crescimento do Iluminismo e foi filósofo, historiador, diplomata e ensaísta. Hume questionou a relação entre causa e efeito que era bastante utilizada pelos racionalistas.

Biografia de David Hume

David Hume filósofo empirismo
David Hume foi filósofo radical com base no empirismo. (Foto: Wikipedia).

David Hume nasceu em 7 de maio de 1711 na Escócia. Ainda jovem começou a trabalhar como advogado e com 13 anos foi enviado para estudar direito na Universidade de Edimburgo.

Após dois anos, abandonou a Universidade e começou a trabalhar na área comercial de uma importadora de açúcar, na Inglaterra. Ao mesmo tempo estudava as obras filosóficas, literárias, históricas, além de matemática e ciências naturais.

Apesar das dificuldades financeiras ainda sentia necessidade de aprofundar seus estudos, então David Hume viajou para a França no ano de 1734 buscando o isolamento que achava necessário para seu aprendizado.

Até 1737 aprofundou em sua obra “Tratado da Natureza Humana. Ao retornar para a Inglaterra, em 1737, publicou dois anos depois os dois primeiros volumes do seu Tratado.

Publicou o terceiro volume do Tratado em 1740 e apesar de hoje ser considerado uma de suas obras mais importantes, não teve boa impressão na época.

Em 1742 publicou a primeira parte dos “Ensaios Morais e Políticos, que foi bem aceito em Edimburgo. Concorreu à cátedra de Filosofia Pneumática e Moral na Universidade de Edimburgo, em 1744, mas sua popularidade de ateísta levou David Hume a enfrentar resistência.

No ano de 1748, David Hume publicou “Ensaios Sobre o Entendimento Humano, seu feito mais emblemático em que declarava que todo o conhecimento era derivado da experiência sensível do ser humano, os quais dividiu em duas partes:

  • Impressões: associadas aos sentidos (visão, tato, audição, olfato e paladar);
  • Ideias: associadas às representações mentais resultantes das impressões.

Em seguida foi nomeado diretor da biblioteca da Faculdade de Direito de Edimburgo, onde sua posição favorecia a disponibilidade de muitas fontes bibliográficas que o fez iniciar a redação da "História da Inglaterra", uma obra historiográfica que foi publicada em seis volumes entre 1754 e 1762.

Os livros de David Hume foram condenados pela Igreja Católica sendo acrescentados ao “Índice dos Livros Proibidos” porque ele acreditava que a moralidade humana não era fruto de uma ordem divina, porém tinha origem na criação humana.

Além de ter sido acusado de fazer encomendas de livros indecentes para a biblioteca, o que gerou alvoroço para que fosse afastado do cargo, ele foi acusado de ateu e herege. Por isso sofreu um processo de excomunhão.

Foi ainda nesse período que executou a função de diretor da biblioteca que escreveu duas grandes obras sobre religião: a “História Natural da Religião” e os “Diálogos sobre Religião Natural.  

A primeira obra tornou-se pública em 1757 equivalendo a parte das “Quatro Dissertações”, sendo que a ideia original continha cinco dissertações: além da “História Natural da Religião”, o livro também continha os ensaios “Sobre as Paixões”, “Sobre a Tragédia”, “Sobre o Suicídio” e “Sobre a Imortalidade da Alma”.

Esses dois eram tentativas frontais contra os dogmas religiosos, já que criticavam a condenação ao suicídio e a crença na vida após a morte. Porém, antes da publicação, o editor de David Hume, Andrew Millar, sofreu ameaças de ser processado se os textos fossem publicados.

Sendo assim, Hume alterou os dois últimos textos pelo ensaio “Sobre o Padrão de Gosto. Então “Os Diálogos só foram publicados em 1779, após sua morte. Ainda assim, David Hume foi influenciador de filósofos e pensadores como Immanuel Kant, Auguste Comte, John Mill.

Em 1775, David Hume foi afetado por uma doença intestinal que segundo seu testemunho, “não causou alarme, mas que se tornou (…) mortal e incurável.” Faleceu em 25 de agosto de 1776 e está sepultado em Edimburgo, na Escócia.

Memorial de David Hume
Memorial de David Hume no Cemitério de Edimburgo, na Escócia. (Foto: Wikipedia)

David Hume e a Teoria do Conhecimento

David Hume foi filósofo empirista pertencente a corrente do iluminismo do século XVIII. Sua obra foi importante para o estabelecimento de métodos da ciência moderna. Foi um dos grandes nomes do Iluminismo, corrente filosófica que fazia críticas sociais aos reis absolutistas, às religiões e valorizava a ciência, pois acreditava que poderia buscar a verdade através da razão.

Para ele o Empirismo é a base para o conhecimento, acreditando que só se pode obter conhecimento a partir dos sentidos presentes, através da observação, da experiência, o conhecimento através da vida acima de qualquer outro método. São eles:

  • Impressões: adquiridos na vivência, experiência;
  • Ideias: representação das impressões, lembranças de nossas experiências.

Foi considerado um empirista radical, cético e que acredita apenas em tudo que se pode presenciar, pois o conhecimento mais seguro seria baseado na experiência, nos hábitos e nos costumes.

David Hume se opunha às ideias racionalistas de René Descartes, que acreditava nas ideias inatas, as quais nasceríamos com elas. E pelo seu método lógico, Hume se contrasta também com as ideias de Francis Bacon, que acreditava em um Empirismo indutivo, que consistia em induzir um experimento específico para chegar às conclusões gerais.

Obras de David Hume

As obras de David Hume que merecem destaque são:

  • Tratado da Natureza Humana (1739-40)
  • Ensaios Morais e Políticos (1742)
  • Ensaio sobre o Entendimento Humano (1748)
  • As Cartas Inglesas (1748)
  • Investigações sobre o Princípio da Moral (1751)
  • Discursos Políticos (1752)
  • A História da Inglaterra (1754-62)
  • História Natural da Religião (1757)
  • Minha Vida (1776)

Citações

O hábito é o grande guia da vida humana.

Todas as nossas ideias ou percepções mais fracas são imitações de nossas mais vivas impressões ou percepções.

A memória não tanto produz, mas revela a identidade pessoal, ao nos mostrar a relação de causa e efeito existente entre nossas diferentes percepções.

Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença à evidência.

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Letícia Reis, Ana. David Hume; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/david-hume >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 14:23.

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