Delfim Moreira

Décimo presidente da República, enfrentou greves que se espalharam pelo país

Delfim Moreira da Costa Ribeiro nasceu no dia 7 de novembro de 1868, no município de Cristina, estado de Minas Gerais. Era descendente de brasileiro pela família materna e de português por parte do seu pai.

Presidente Delfim Moreira
Presidente Delfim Moreira (1868-1920) (Foto: Wikipédia )

Estudou no Seminário de Mariana e, em 1890, tornou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo, onde foi colega de turma do ex-presidente, e seu antecessor, Wenceslau Braz.

Delfim Moreira era defensor do Movimento Republicano e fazia parte do grupo conhecido como "geração de republicanos históricos".

Em 1891 casou-se com a prima Francisca Ribeiro de Abreu, com quem teve seis filhos.

Delfim Moreira iniciou sua carreira política no estado de Minas Gerais. Começou atuando como promotor público e juiz municipal em Santa Rita do Sapucaí. Em 1893, tornou-se vereador e presidente da Câmara Municipal da cidade.

No ano seguinte foi eleito deputado estadual de Minas Gerais. Entre 1902 e 1906, foi nomeado secretário do Interior de Minas Gerais. Posteriormente, elegeu-se a senador estadual (1907-1909) e a deputado federal (1909-1911).

Pediu renúncia do cardo em 1910 para retornar à Secretaria. Devido ao seu bom desempenho na função de secretário, Delfim Moreira tornou-se presidente de Minas Gerais de 1914 até 1918, destacando-se por buscar restabelecer as finanças do estado.

Em 1918, Delfim Moreira candidatou-se a vice-presidente da República com a intenção de minimizar as desavenças entre os políticos mineiros e paulistas.

Pertencente a chapa do candidato a presidente Rodrigues Alves, Delfim Moreira foi eleito diretamente em novembro de 1918.

Contudo, Rodrigues Alves, que exerceria o governo do país pela segunda vez, não conseguiu ser empossado por ter contraído a Gripe Espanhola.

Governo de Delfim Moreira

Devido ao falecimento do presidente eleito, Delfim Moreira assumiu provisoriamente a presidência da República.

Na época, a Constituição de 1891 previa que o vice-presidente só assumiria definitivamente o governo caso o presidente eleito morresse depois de completados dois anos de mandato, tornando-se presidente interino do Brasil.

Desta forma, Delfim Moreira governaria a República até a convocação de novas eleições organizada por seu próprio governo.

A saúde do então presidente Delfim Moreira também não estava em bom estado. Ele sofria de arteriosclerose precoce, que o obrigava a permanecer afastado do palácio por longos períodos.

Deste modo, o ministro de Viação e Obras Públicas, Afrânio de Melo Franco, foi quem assumiu a maioria das funções administrativas nos últimos meses de poder.

Tal acontecimento rendeu ao breve mandato de Delfim Moreira a reputação de “Regência Republicana”.

Três dias após Delfim assumir o comando do país, enfrentou uma greve geral, realizada por trabalhadores, que atingiu a capital da República, Rio de Janeiro, e a cidade de Niterói.

Com o intuito de transformar a crise orçamentaria decorrente da Primeira Guerra Mundial, Delfim Moreira promoveu o aumento das tarifas alfandegarias, emitiu títulos de dívida e reduziu os gastos públicos.

O encarecimento do custo de vida persistiu e afetou os trabalhadores de várias categorias, causando mais revolta e greves pelo país, principalmente no setor têxtil.

Como medida de contenção, determinou o fechamento de sindicatos. Em junho de 1919, alguns anarquistas, a maioria estrangeiro, fundaram o Partido Comunista do Brasil, quatro meses depois, o governo os expulsou do país.

A União dos Trabalhadores do Rio de Janeiro também foi extinta. Para Delfim Moreira, os movimento grevistas causavam danos a ordem pública, tornando necessário o uso das forças policiais.

Delfim Moreira também realizou a correção do Código Civil Brasileiro, que tinha o texto original de 1916, e a reformulação da administração do território do Acre.

Entre dezembro de 1918 e janeiro de 1919, uma disputa entre coronéis locais se instalou no Tocantins, gerando desentendimento por causa de uma questão de herança. Delfim Moreira decretou a intervenção no estado, resultando em prisões arbitrárias.

Este período foi marcado pelo coronelismo, um fenômeno político, social, geográfico e econômico que faz parte da história do Brasil. Pertencente ao período da República Velha (1889-1930), os coronéis donos de terras possuíam o poder de mandar e desmandar em suas terras, na região e até mesmo no Estado.

Durante seu governo, Delfim Moreira organizou a participação brasileira na Conferência pela Paz (1919), ocorrida em Paris no final da Primeira Guerra Mundial.

Epitácio Pessoa foi enviado para a França, representando o Brasil, que pediu indenizações pelos danos causados pelos alemães após submarinos alemães bombardearem um navio brasileiros na costa da França.

Nas eleições realizadas em 1919, Epitácio Pessoa foi eleito como novo presidente da República, havia concorrido contra Rui Barbosa.

O próprio Delfim Moreira foi eleito ao cargo de vice-presidente desse novo governo, porém não demostrou interesse devido a sua doença.

Mesmo com os problemas de saúde que limitava suas capacidades intelectuais, Delfim Moreira viveu até os 83 anos e entrou na lista de presidentes do Brasil.

Faleceu no dia 1º de julho de 1920 na cidade de Santa Rita do Sapucaí, estado de Minas Gerais.

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BRITO, Samara. Delfim Moreira; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/delfim-moreira >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:02.

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