Di Cavalcanti

Pintor brasileiro ficou famoso com o estilo modernista

Di Cavalcanti foi um pintor brasileiro do modernismo, além de desenhista, ilustrador, caricaturista e muralista. Foi um dos maiores representantes do modernismo no Brasil, ao lado de nomes como Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Pintou também com influências da art nouveau.

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1897 e ficou conhecido internacionalmente. Seus trabalhos, com cores vibrantes e temas típicos do Brasil, fizeram com que a arte se destacasse dos outros movimentos da época.

Vida e carreira de Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque, mais conhecido como Di Cavalcanti, nasceu no dia 6 de setembro de 1897 na cidade do Rio de janeiro. Seus pais, Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque de Melo e Rosalia de Sena, eram pernambucanos. Seu pai era da tradicional família italiana Cavalcanti de Albuquerque.

Ainda jovem, aprendeu a tocar piano e, com a morte do pai, passou a fazer ilustrações para a extinta revista Fon-Fon, na qual publicava charges políticas. Mudou-se para São Paulo em 1916, onde continuou a pintar e ilustrar. Nessa época, começou a estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas não concluiu o curso.

Sempre frequentou o ateliê de George Fischer Elpons e tornou-se amigo de personalidades como os poetas Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida. Em 1917, realizou sua primeira exposição individual, para a revista A Cigarra, expondo suas caricaturas que já eram famosas.

Em 1919, o pintor foi convidado para ilustrar o livro "Carnaval", de Manuel Bandeira, famoso poeta do modernismo. Alcançando destaque entre pintores famosos da época, ele ajudou a idealizar e organizar a Semana de Arte Moderna, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 em São Paulo.

No evento, realizado no Teatro Municipal de São Paulo, o pintor expôs 11 obras, feitas especialmente para a ocasião. A mostra, que recebeu o nome de “Fantoches da Meia-noite“, incluía caricaturas e desenhos. Além disso, Di Cavalcanti foi o responsável pela criação do catálogo do evento.

Na foto, o pintor Di Cavalcanti.
Pintor Di Cavalcanti. (Foto: Wikipédia)

No ano de 1923, o pintor foi para Paris como correspondente do jornal Correio da Manhã. Ele morou na cidade até 1925. Di Cavalcanti fez exposições por várias cidades da Europa, como Berlim, Bruxelas, Londres, Amsterdã e a própria Paris. Na época, conheceu nomes como Pablo Picasso, Jean Cocteau, Fernan Léger e outros intelectuais.

O pintor retornou ao Brasil em 1926, trazendo para as obras traços inspirados no cubismo de pintores como o próprio Pablo Picasso. Ainda nesse ano, ilustrou o livro “Losango Cáqui“, do poeta Mário de Andrade, entrou para o Partido Comunista do Brasil e foi trabalhar para o Diário da Noite, onde, além de ilustrar, era jornalista.

Os primeiros painéis modernos do Brasil foram executados pelo pintor no ano de 1929. As obras foram feitas para o Teatro João Caetano, na cidade do Rio de Janeiro. Nelas, inspirações no samba e carnaval eram pintadas com marcas do cubismo e até com traços da arte barroca.

Em 1932, o pintor fundou o Clube dos Artistas Modernos, junto a nomes como Carlos Prado, Flávio de Carvalho e Antônio Gomide. Mudou-se para Recife em 1934, mesmo ano em que foi perseguido e preso por suas posições políticas, junto com sua esposa, Noêmia Mourão, também pintora.

Nessa época, publicou “A Realidade Brasileira“, série de sátiras sobre o militarismo. Em 1935, o pintor retornou para a Europa, onde trabalhou na rádio francesa “Diffusion Française“.

Na Europa, recebeu uma medalha de ouro do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira. A premiação aconteceu na Exposição de Arte Técnica, em Paris. O pintor retornou ao Brasil em 1940 e foi morar em São Paulo.

Ainda pintando e expondo as suas obras, Di Cavalcanti passou a combater abertamente o abstracionismo, ou arte abstrata. Foi nessa época que ilustrou livros de aurores brasileiros famosos, como Jorge Amado e Vinícius de Moraes.

Em 1951, Di Cavalcanti foi convidado para participar da I Bienal Internacional de Arte de São Paulo e doou mais de quinhentos desenhos para o Museu de Arte Moderna de São Paulo. O pintor foi convidado para participar da Bienal de Viena, mas não aceitou o convite. Convidado para a II Bienal de São Paulo, foi premiado com o título de melhor pintor nacional, dividindo o prêmio com Alfredo Volpi.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realizou, em 1954, uma exposição com vários trabalhos do pintor. Nessa época, levou suas exposições para Buenos Aires, Trieste, Montevidéu e Veneza. Em 1956, Di Cavalcanti publicou "A viagem da minha vida", livro com suas memórias. Ainda nesse ano, recebeu um prêmio na Itália, na Mostra Internacional da Arte Sacra de Trieste.

Em 1956, o pintor participou da Bienal de Veneza e, em 1958, foi convidado por Oscar Niemeyer para participar da criação de Brasília, integrando dois dos projetos do arquiteto. O pintor foi responsável pelas imagens da tapeçaria usadas no Palácio da Alvorada e pela pintura das estações da Via-Sacra, que ficam na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida.

Di Cavalcanti chegou a ser indicado pelo então presidente, João Goulart, para ser Adido Cultural na França, cargo agregado a embaixada. O pintor chegou a viajar, mas com o golpe militar de 1964 não assumiu o cargo. Nessa época, lançou o livro “Reminiscências líricas de um perfeito carioca” e chegou a desenhar joias para Lucien Joaillier, loja fundada por Lucien Finkelstein.

Últimos anos

Em seus últimos anos, Di Cavalcanti continuou a expor e criar peças. Recebeu diversos prêmios e homenagens, inclusive o de doutor honoris causa pela Universidade Federal da Bahia.

O pintor faleceu no dia 26 de outubro de 1976, no Hospital de Beneficência, após passar 20 dias internado na UTI devido uma crise renal. O corpo foi velado no Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

Algumas obras de Di Cavalcanti

Pierrete
• Pierrot
• Samba
• Mangue
• Cinco moças de Guaratinguetá
• Mulheres com frutas
• Vênus
• Mulheres protestando
• Arlequins
• Gafieira
• Abigail
• Aldeia de Pescadores
• Retrato de Beryl
• Tempos Modernos
• Duas Mulatas
• Ivette
• Rio de Janeiro Noturno
• Mulatas e pombas

Mural do Edifício Triângulo.
Mural do Edifício Triângulo, feito por Di Cavalcanti. (Foto: Wikipédia)

Di-Glauber

Di-Glauber é um documentário do cineasta brasileiro Glauber Rocha que homenageia o pintor Di Cavalcanti. Filmado em 1976, durante o velório e o enterro do pintor, o filme foi lançado no ano seguinte.

Foi exibido na Cinemateca do Museu de Arte Moderna no dia 11 de março de 1977. O filme foi vetado pois, logo após a primeira exibição, a filha adotiva do pintor considerou a obra desrespeitosa.

Em 1979, a filha conseguiu a liminar que vetava a exibição do filme. Apenas em 2014, a família de Glauber Rocha disponibilizou a obra na internet, sob o título: “Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua quimera, somente a ingratidão essa pantera, foi sua companhia inseparável”.

Antes da proibição, o filme já havia sido premiado no Festival de Cannes. Em 2015, o documentário entrou para a lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Especula-se que os dois artistas tenham feito um acordo: Di pintaria Glauber, enquanto Glauber filmaria Di. O cineasta teria perguntado se Di gostaria de ser filmado vivo ou morto. Como faleceu antes do nascimento das obras, Glauber resolveu registrar os últimos momentos do corpo do amigo. 

Citações

Moço continuarei até a morte porque, além dos bens que obtenho com a minha imaginação, nada mais ambiciono.

Criar é acima de tudo dar substância ideal ao que existe!

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Fernandes, Ruan. Di Cavalcanti; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/di-cavalcanti >. Acesso em 28 de outubro de 2019 às 16:30.

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