Diário

Gênero textual da gramática que relata fatos cotidianos

Diário é um dos gêneros textuais da gramática. É um tipo de autobiografia, cuja narração é feita em primeira pessoa. Seu nome também é utilizado para designar um caderno de relatos com fatos do dia a dia, experiências, sonhos, planos para o futuro, segredos, dentre outras intimidades guardadas “sob sete chaves”.

Um diário pode servir como documento histórico, pois seu uso está intrínseco à história da escrita. A vontade de escrever e registrar fatos é uma necessidade humana desde os primórdios, na época dos hieróglifos. Assim, há marcos também de seu uso no período da escravidão como conta o diário An interesting narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua, em que um escravo escreveu seu cotidiano enquanto era explorado no Brasil.

Outro famoso é O diário de Anne Frank, em que há relatos da vida de uma adolescente judaica no período do Holocausto.

Querido diário…

Diário
Diário é um dos gêneros textuais. (Foto: Wikimedia)

A palavra diário deriva do latim diarium, que faz referência à palavra “dia”. Por isso, é comumente usado para retratar impressões do dia a dia.

Até um tempo atrás era muito comum ganhar um diário de presente. Por isso, ele fez parte da vida de muitas pessoas, embora esteja em menos evidência nas novas gerações. Sua transformação mais significativa deu-se com a chegada da internet.

Se antes as pessoas escreviam em diários de papel, atualmente, há uma grande preferência pelos diários virtuais. A diferença entre eles está na privacidade, pois enquanto os diários físicos são mais reservados os virtuais estão na internet para serem lidos por qualquer pessoa que tenha acesso à página.

Um diário pode ser usado para diversos fins como para organização, relatos, desabafo etc. Por enquadrar-se nos gêneros textuais não apresenta estrutura fixa e adapta-se à necessidade da comunicação. No entanto, segue alguns critérios como:

  • Linguagem informal e na primeira pessoa;
  • Páginas datadas;
  • Pode conter expressões de sentimentos;
  • Caráter subjetivo;
  • Registros em ordem cronológica;
  • Pode ser verídico ou de ficção;
  • Pode haver assinatura ao fim do texto;

Estrutura de um diário

Apesar de ser um texto livre, a escrita de um diário normalmente apresenta um vocativo (“querido diário”, “meu diário” etc); data e assinatura. Como exemplo, tem-se, abaixo, a transcrição fiel de um trecho do Diário de Anne Frank traduzido para o português:

Sexta-feira, 10 de Julho de 1942

Querida Kitty:

Se calhar aborreci-te mesmo, com a descrição extensa da casa. Mas acho que deves saber onde nos aninhamos. E agora deixa-me continuar, pois ainda não acabei. Quando chegámos a Prinsengracht, a Miep fez-nos subir depressa para o anexo e fechou a porta atrás de nós. Cá estávamos. Margot tinha chegado muito mais depressa de bicicleta e já estava à nossa espera.

O nosso quarto de estar e os outros também pareciam arrumos atravancados. A desordem era indescritível! Os caixotes e as malas que, no decorrer dos últimos meses, se tinham mandado para aqui, alastravam numa grande confusão. O quartinho, apinhado até ao tecto com camas e roupas brancas. Se queríamos dormir à noite em camas bem feitas, tínhamos de deitar já mãos à obra. A mãe e a Margot não foram capazes de mexer numa palha. Atiraram-se para cima dos colchões; sentiam-se muito infelizes. O pai e eu, os dois “arrumadores” da família, desatámos a trabalhar. Despejámos as malas e os caixotes, colocámos tudo nos sítios próprios, martelámos, esfregámos, e quando a noite chegou caímos, mais mortos que vivos, nas camas limpinhas. Não tomámos uma só refeição quente durante todo o dia. Também não era preciso. A mãe e a Margot estavam nervosas demais para comer e o pai e eu não tivemos tempo.

Na terça-feira de manhã continuámos. A Elli e a Miep fizeram as compras com os nossos talões de racionamento, o pai melhorou a ocultação das luzes que tinha ficado imperfeita e esfregámos os azulejos da cozinha. Estivemos todos bem.

Tua Anne

Tipos de diário

Diário de rede

Com o advento da tecnologia os blogs passaram a fazer sucesso. Um blog é uma espécie de diário virtual ou diário de rede que pode relatar fatos pessoais ou tratar de assuntos específicos como moda, tecnologia, esporte, culinária etc.

Diário de ficção

Os diários de ficção são uma obra literária composta por anotações do autor. Ao contrário do diário pessoal, este é voltado para o público. Um exemplo bem conhecido é a coletânea “Diário de um banana” escrita pelo cartunista norte-americano Jeff Kinney.

Diário de viagem

Muito comum entre viajantes é relatar a aventura em um diário. Este tipo de descrição pode ser feito para leitura do próprio autor ou para que outras pessoas leiam.

Diário de gravidez

Este tipo é muito comum entre gestantes, principalmente as mamães de primeira viagem, que costumam registrar o dia a dia da gravidez para recordações futuras ou para acompanhamento médico.

Dica para leitura

O escravo Mahommah G. Baquaqua contou sua própria história na autobiografia An interesting narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua. Ele nasceu no Norte da África, no início do século XIX, e chegou ao Brasil como escravo, onde ficou sob as ordens de um padeiro no estado de Pernambuco.

No seu diário ele desmistifica que os escravos não sabiam ler e escrever. Baquaqua tinha habilidade com leitura, escrita e matemática. Em um dos trechos do seu diário ele conta qual foi a primeira palavra que aprendeu a escrever:

“A primeira palavra que meus dois companheiros e eu aprendemos em inglês foi F-R-E-E (L-I-V-R-E); ela nos foi ensinada por um inglês a bordo e, oh!, quantas e quantas vezes eu a repeti.”

Em outro trecho ele descreve:

“Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens apinhados de um lado, e as mulheres de outro. O porão era tão baixo que não podíamos ficar de pé, éramos obrigados a nos agachar ou nos sentar no chão. Noite e dia eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos.”

A autobiografia foi lançada em inglês, pelo próprio ex-escravo, em Detroit, em 1854, durante a campanha abolicionista nos EUA.

Diário Baquaqua
Único registro feito por escravo foi encontrado em forma de diário. (Foto: Wikimedia)

Faça a referência deste conteúdo seguindo as normas da ABNT:

Chérolet, Brenda. Diário; Guia Estudo. Disponível em

< https://www.guiaestudo.com.br/diario >. Acesso em 30 de janeiro de 2020 às 01:44.

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